22.6.08

Regra de Taylor


A regra de Taylor foi explicada pelo seu proponente, em conferência realizada no final de 2007, publicada como NBER Working Paper.

Com base neste gráfico, extraído de um artigo de William Poole, Taylor sugere que a observância de sua regra de política monetária explica a "grande moderação", entre 1986 e 2000, e desvios em relação a ela explicam a formação recorrente de bolhas em mercados de ativos reais, observada nos Estados Unidos ao longo desta década.

21.6.08

Receita de Rodrik

Dani Rodrik comenta, neste artigo, o relatório Spence sobre crescimento econômico, mencionado antes aqui.

O ponto principal do artigo (e do trabalho recente de Rodrik) é que, em lugar de promover reformas liberais compreensivas, os países em desenvolvimento deveriam focar suas políticas na eliminação apenas das restrições mais significativas ao crescimento, as quais diferem de país para país.

A eliminação de tais restrições ao crescimento deveria se dar via soluções "locais" - políticas "inovadoras" (não necessariamente liberais) definidas tendo em conta as idiossincrasias econômicas e políticas do país.

Seja como for, Rodrik admite que economias bem sucedidas têm muito em comum - "todas estão integradas à economia mundial, mantêm a estabilidade macroeconômica, estimulam a poupança e o investimento, provêm incentivos de mercado e são razoavelmente bem governadas" -, o que não deixa de parecer uma lista de "remédios universais".

8.6.08

Crescimento da renda per capita mundial - período 1 / 2000

A figura acima, extraída do relatório The Growth Report: Strategies for Sustained Growth and Inclusive Development, do Banco Mundial, mostra que o crescimento econômico, entendido como aumento da renda per capita mundial, é um fenômeno histórico recente - basicamente, restrito aos últimos dois séculos.

4.6.08

Ranking do futebol mundial (II)

O Cruzeiro Esporte Clube ocupa o 38º lugar no ranking da International Federation of Football History and Statistics. Dentre os clubes brasileiros, apenas São Paulo (20º) e Grêmio de Porto Alegre (33º) antecedem o Cruzeiro nesta classificação, que se refere ao período 1991 - 2007.

O CAM encontra-se, no mesmo ranking, no 89º lugar, imediatamente precedido pelo Club Libertad Assunción, FC Shakhtyor Donetsk e AZ Alkmaar.

1.6.08

Equivalência ricardiana (I)

Equivalência ricardiana é a hipótese de que impostos e aumento da dívida do governo são equivalentes - "o gasto do governo, qualquer que seja a forma de financiá-lo, gera uma conta que tem que ser paga, cedo ou tarde, e contribuintes de maior visão percebem isso". Essa idéia e suas implicações são o assunto de Tim Harford, na coluna The Undercover Economist deste fim de semana.

De acordo com artigo publicado em The New York Times, a reação dos consumidores à redução de impostos recentemente adotada nos Estados Unidos parece validar, pelo menos em parte, esta hipótese.

24.5.08

Doença holandesa causou a grande divergência?


A tabela acima foi extraída de um NBER Working Paper de autoria de Jeffrey Williamson, publicado em março.

Os dados mostram a "grande divergência" de rendas per capita entre o centro (Europa Ocidental) e a periferia (Europa do Sul e Oriental, América Latina, Ásia e África) da economia mundial, no século XIX. A renda per capita na periferia correspondia, em média, a dois terços da renda per capita do centro em 1775. Em 1913, tinha se reduzido a um terço.

O que explica a "grande divergência"? De acordo com Williamson, não são os "fundamentos" (geografia, cultura, instituições), mas um choque nos termos de troca bastante favorável aos países da periferia, o qual induziu a especialização na oferta de produtos primários e a desindustrialização. Em outras palavras, a "grande divergência" teria sido um caso de "doença holandesa", agravada pela alta volatilidade dos preços dos produtos primários.

23.5.08

Erros de política econômica - Brasil (II)

Da coluna de Edward Amadeo, na edição de 14 de maio do Valor Econômico:
"No Brasil, chegará o dia em que nos perguntaremos se usamos da melhor forma a atual fase de vacas gordas. Por um lado, o governo Lula foi uma surpresa extraordinária pela prudência nas áreas fiscal e monetária. Por outro lado, o esforço do governo para aumentar a taxa de investimento não foi bem-sucedido. O investimento como porcentagem do PIB manteve-se praticamente inalterado em relação ao ano de 2001, quando da crise de energia. Iludidos com a preservação do superávit primário, analistas como eu viram no governo Lula uma alternativa ao velho populismo de esquerda latino-americano. Mas por trás do superávit se escondia a ausência de qualquer reforma relevante e um enorme aumento da arrecadação tributária inteiramente revertido em gastos com consumo e transferências. O Brasil, induzido pelo governo, consumiu boa parte das vacas gordas, em lugar de fazer uma política fiscal anti-cíclica. Foi privilegiado o consumo e a política fiscal pró-cíclica, sem melhora relevante do patamar de crescimento sustentável".

Erros de política econômica - Brasil (I)


Da coluna de Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti, na edição de 19 de maio do Valor Econômico:

"O pacote de incentivos ao investimento anunciado pelo Ministro da Fazenda tem o objetivo de elevar a taxa de investimento de 17,6% do PIB para 21% do PIB. Será que o crescimento do investimento pode ser financiado pelo aumento da poupança doméstica, ou precisará do crescimento da poupança externa? O gráfico acima ajuda a entender o que se passará. Nele estão superpostos a taxa de investimento (escala da direita) e as exportações líquidas (escala da esquerda), que seguem de perto a conta corrente. Esta correlação inversa nos diz que aumentos da taxa de investimento não têm sido seguidos por aumentos correspondentes da poupança doméstica, precisando do complemento da poupança externa. Se o mesmo padrão histórico for mantido, uma elevação de 3,5% do PIB na taxa de investimento requer uma elevação no mínimo de 3,5% do PIB no déficit em conta corrente. Esta elevação pode ser sustentável ou não, mas o melhor seria que o governo fizesse um esforço de elevar a poupança doméstica com o corte de seus gastos de consumo, rompendo com o padrão histórico que está por trás do gráfico".

Erros de política econômica - Argentina (II)

Da coluna de Miriam Leitão, na edição de hoje de O Globo:
"Segundo Roberto Lavagna, ex-Ministro da Economia da Argentina, o maior erro do governo argentino foi a queda do superavit fiscal primário, de 4,5% para 2% do PIB. Isso é que alimentou a inflação, que está em 25%. A Argentina conseguiu evitar a valorização excessiva da moeda nacional, na época em que Lavagna era ministro, porque fez um grande superavit fiscal, que o Tesouro usava para comprar dolares. Hoje, o governo baixou o superavit e quem compra os dolares é o Banco Central, com emissão de moeda. Dessa forma, a política fiscal e a política monetária são expansionistas. Na prática, está havendo uma valorização do peso via inflação".

Erros de política econômica - Argentina (I)

Da coluna de Alexandre Schwartzman, na edição de 30 de abril da Folha de São Paulo:
"Qual a origem do problema inflacionário argentino? Simplesmente seu regime cambial e monetário. Na Argentina, o câmbio só 'flutua' para cima, graças à combinação das intervenções do Banco Central e da política de juros que apóia as intervenções garantindo que a taxa doméstica de juros não fique muito distante da taxa internacional, devidamente ajustada ao risco-país. No contexto de preços de commodities crescentes, este arranjo é a receita ideal para um enorme problema inflacionário. Por um lado, os preços de exportações em alta contaminam diretamente os preços domésticos. Por outro lado, como a melhora de preços de exportação implica apreciação da taxa real de câmbio, os preços dos produtos não-comercializáveis devem subir ainda mais, o que é possível graças à demanda doméstica, impulsionada por juros baixos. O resultado final é apreciação cambial por meio de inflação mais elevada, ao invés de apreciação da taxa nominal de câmbio".
O artigo pode ser acessado no blog de Schwartzman.

22.5.08

Altruísmo (III)

Martin Nowak e Karl Sigmund têm feito importantes contribuições para a teoria "econômica" do altruísmo.

Suas principais descobertas foram resumidas em dois artigos publicados em Scientific American - The arithmetics of mutual help e The economics of fair play.

27.4.08

Política fiscal, taxa de juros e taxa de câmbio

Sérgio Werlang explica, em sua coluna no Valor Economico, porque a política fiscal atualmente praticada pelo governo brasileiro leva a aumento da taxa de juros e valorização da taxa de câmbio:

  • "Diz-se que a política fiscal no Brasil é austera, pois há superávit primário (as receitas tributárias excedem as despesas não financeiras). Isto é muito eficaz para a sustentabilidade da dívida pública no longo prazo, uma vez que a relação dívida/PIB é cadente. Porém, não significa que os gastos públicos não estejam causando pressão na economia".
  • "É sabido que, se os impostos crescem e as despesas também, tem-se efeito de expansão na economia. Quando o imposto sobe, a renda disponível cai e há uma contração do consumo. Como nem toda renda disponível é consumida (parte é poupada), o maior tributo causa uma queda da renda nacional, mas não de um para um. Ao mesmo tempo, quando o gasto público sobe, tem-se um efeito na atividade econômica de um para um. Dessa forma, quando os dois efeitos são combinados (isto é, uma elevação de despesas é financiada com mais impostos), o impacto final na demanda agregada acaba sendo positivo".
  • "Portanto, embora a política fiscal brasileira possa ser classificada de austera porque a receita está maior que os gastos não financeiros, ainda assim é expansionista. E muito: entre 2003 e 2007, a despesa não financeira do governo central cresceu 9,5% ao ano, a preços constantes".
  • "O Banco Central tem a missão de controlar a inflação e mantê-la na meta. Tendo em vista o aumento dos gastos públicos e a elevação recente do preço internacional das 'commodities', o BC foi forçado a aumentar os juros para conter a inflação. Se os juros no Brasil sobem e no resto do mundo têm-se mantido ou estão em queda, recursos acabam fluindo para o Brasil, o que causa uma valorização do câmbio".
  • "Como é impossível controlar os preços dos alimentos no mundo, só há uma alternativa à elevação dos juros para conter a inflação: uma redução de demanda via um corte de gastos públicos. Com a situação internacional atual, enquanto permanecer a política fiscal expansionista no Brasil, será inevitável a manutenção de juros elevados e, por conseqüência, do câmbio valorizado".

Sobre este ponto, ver também postagens anteriores neste blog, de janeiro, abril e setembro de 2007.

Renda per capita e felicidade (II)

David Leonhardt comenta pesquisa recente contestando o "paradoxo de Easterlin" - a idéia de que mais renda não traz mais felicidade -, em artigo publicado em The New York Times.

O mesmo assunto foi objeto de postagem anterior neste blog e de artigo de Naércio Menezes Filho, na edição do Valor Econômico de 18 de abril (acessível só para assinantes do jornal).

14.4.08

Ranking de Departamentos de Economia - Harvard x MIT

De acordo com Greg Mankiw, nesta postagem do seu blog, é melhor ir a Harvard para o doutorado do que ao MIT, mas o MIT contra-ataca ...

13.4.08

Sapos e políticos

Competidores podem considerar vantajoso disponibilizar informações relevantes a seu próprio respeito, mesmo quando tais informações são bastante desabonadoras.

Robert Frank explica, em artigo em The New York Times, porque sapos agem assim e políticos nem sempre.

6.4.08

Crescendo a 7%, segundo Lemgruber

A economia brasileira poderia crescer a uma taxa de 7% ao ano, sem pressões inflacionárias, de acordo com Antonio Carlos Lemgruber, em artigo na edição de hoje da Folha de São Paulo:
  • "O hiato do PIB é a diferença percentual entre o produto potencial de uma economia em determinado ano (produção de pleno emprego) e o produto efetivamente verificado".
  • "Calcula-se que no Brasil, em 1966, esse hiato tenha chegado a 20%, o que facilitou o 'milagre brasileiro' de 1968-1973: o PIB cresceu 10% ao ano, sem que houvesse aceleração inflacionária - pelo contrário, a inflação até caiu".
  • "Qual é hoje esse hiato? Depende da taxa de crescimento atribuída ao produto potencial. Nas décadas de 60 e 70, falava-se em 7% ao ano de taxa potencial, mas agora as autoridades monetárias são tão conservadoras que preferem ficar em 3% ou 4%".
  • "É razoável defender que o hiato em 2008 pode ser enorme, porque não se pode imaginar um crescimento potencial no Brasil muito inferior a 5% nas últimas décadas, sendo a queda de 7% para 5% explicável pelo menor crescimento da população. De 1981 para cá, o Brasil cresceu em média 2% ao ano. O hiato só fez aumentar. Voltamos à mesma situação de 1966. Ou mais. Uma produção perdida de 100% do PIB em 26 anos. O PIB do Brasil poderia ser o dobro do que é".
  • "O Brasil tem, portanto, condições de crescer 7% anuais nos próximos anos (ou mais) sem aceleração inflacionária - com ou sem crise mundial. Foi assim em 1968-1973. Temos um hiato do produto herdado dos últimos anos maior do que se imagina. Enorme capacidade ociosa, pronta para entrar em produção, com crédito e juros baixos".

30.3.08

Taxa de investimento no Brasil - 1990 / 2007

Fonte: Valor Econômico, 26 de março de 2008.

A era de Friedman?

Em artigo publicado em fevereiro, Andrei Shleifer reuniu informações sobre renda per capita, pobreza, mortalidade infantil, expectativa de vida, escolaridade e democracia, para mostrar que os anos 1980 - 2005 foram um um período de "notável progresso para a humanidade".

Para Shleifer, este progresso resultou da adoção de políticas liberais por um grande número de países, a partir de 1980, de modo que seria apropriado designar o último quarto de século como a "era de Friedman".

Dani Rodrik acha que esta é uma visão que "mais confunde do que esclarece".

Para Bradford DeLong, "enquanto o movimento em direção a Friedman na geração passada foi, em uma larga medida, positivo, os ganhos a obter de movimentos futuros nessa direção são bem menos garantidos".

Altruísmo (II)

Entender os determinantes do comportamento altruísta nos seres humanos é de óbvia importância para os economistas, tendo em vista que tal comportamento parece ser inconsistente com a hipótese de que o homo economicus é um maximizador racional.

Em artigo recentemente publicado em The New York Times, Steven Pinker apresentou as melhores explicações disponíveis.

23.3.08

Absorção doméstica e taxa de juros



(Uma análise desta questão, baseada em dados para o período 2002-2018, pode ser encontrada aqui).

O gráfico acima, extraído da coluna de Cristiano Romero, publicada no Valor Econômico de 19 de março, mostra a relação entre a taxa SELIC real e a variação percentual da absorção doméstica (consumo, investimento e gastos públicos), nos últimos cinco anos.

A evidência sugere que, "quando o juro real é alto, a absorção doméstica cresce pouco; quando o juro real é baixo, a absorção cresce muito".

Se a absorção doméstica cresce mais rápido do que o PIB, como acontece atualmente na economia brasileira, a inflação aumenta e/ou o saldo em transações correntes se reduz. Para evitar isso, o manual de macroeconomia recomenda um aumento do superavit fiscal e/ou um aumento da taxa de juros.

Como o ajuste fiscal não parece ser uma alternativa aceitável para o governo, o Banco Central deve aumentar, no futuro próximo, a taxa SELIC.

16.3.08

Tipos de crises financeiras e sua cura

Em Three Cures for Three Crises, Bradford DeLong expõe a diferença entre crises de liquidez e de solvência e o que deve ser feito para enfrentá-las.

Está claro, a esta altura, que a crise financeira americana corresponde ao terceiro tipo descrito por DeLong - uma grave crise de insolvência, que só pode ser resolvida através do uso de recursos públicos para resgatar as instituições financeiras falidas e/ou pela inflação.

Greenspan (se) explica (I)

Três explicações têm sido sugeridas para a atual crise do sistema financeiro americano - instabilidade intrínseca do sistema financeiro (à la Minsky), erros na condução da política monetária pelo banco central e excesso de poupança na economia mundial.

Alan Greenspan contou sua própria versão da história, basicamente coincidente com a hipótese do "excesso de poupança", em artigo publicado em The Wall Street Journal, em dezembro de 2007.

9.3.08

Altruísmo (I)

A noção de altruísmo parece ser, em princípio, incompatível tanto com a teoria darwinista da seleção natural como com a teoria econômica.

Neste artigo, também publicado hoje no NYT, Jim Holt, entre outros argumentos, mostra que pode, entretanto, ser "racional" para genes e agentes econômicos "egoístas" se comportar de maneira altruísta.

Renda per capita e felicidade (I)

Renda per capita mais alta não traz mais felicidade? Robert Frank resume o debate a respeito, em artigo na edição de hoje de The New York Times.

24.2.08

Estudo de caso para alunos de microeconomia - companhias aéreas de baixas tarifas

As companhias aéreas de baixas tarifas utilizam com frequência uma estratégia de precificação conhecida na literatura microeconômica como tarifa em duas partes.

No caso específico destas empresas, a estratégia consiste em fixar uma "taxa de entrada" - a passagem aérea - baixa e cobrar do passageiro por praticamente todo e qualquer serviço, fora o vôo, que lhe seja prestado.

Este artigo, publicado na edição de hoje de The New York Times, apresenta vários exemplos interessantes.

A questão já havia sido objeto de uma postagem anterior do blog.

23.2.08

Economia comportamental (I)

Em The New Yorker - edição de 25 de fevereiro, resenha de dois novos livros sobre economia comportamental - "Predictably irrational: the hidden forces that shape our decisions", de Dan Ariely, e "Nudge: improving decisions about health, wealth and happiness", de Richard Thaler e Cass Sunstein.

20.2.08

"Ortodoxos" x "Desenvolvimentistas"

Edward Amadeo explica as diferenças entre economistas "ortodoxos" e "desenvolvimentistas", em sua coluna de hoje no Valor Econômico:
  • "Os economistas ortodoxos vêem a oferta agregada como mais ou menos independente da demanda agregada. A oferta é dada pela capacidade de produzir da economia, a qual depende do tamanho das fábricas e instalações, da força de trabalho e da produtividade. Os ortodoxos, ao explicar a evolução da capacidade de produzir, dão ênfase a fatores como ambiente de negócios (estabilidade das regras, pouca burocracia etc.), a concorrência que estimula inovações, a qualidade das relações de trabalho e da educação, que afetam a produtividade, e assim por diante. A demanda agregada tem seu outro conjunto de determinantes (juros e condições de crédito, confiança dos consumidores e empresários etc). Como os determinantes são diferentes, é razoável pensar que, em geral, a demanda e a capacidade de produzir sejam diferentes também e, quando a discrepância for grande ou persistente, a inflação faz o ajuste. Se a demanda é maior que a oferta, a inflação aumenta, e vice-versa".
  • "Ainda que os desenvolvimentistas vejam fatores independentes na determinação da oferta agregada, eles crêem que quanto maior for a demanda agregada, maior o incentivo ao aumento da oferta e que esse canal de influência é muito relevante. Se a demanda gera a sua própria oferta, pressões inflacionárias devido a excesso de demanda sobre a oferta são uma impossibilidade!"
  • "Para os ortodoxos, existe um lugar para a política monetária intervir, evitando que a demanda cresça mais rápido que a oferta. Para os desenvolvimentistas, o BC deveria ser passivo, deixando que a demanda siga seu caminho. Não há muito lugar para a política monetária e BC no paradigma desenvolvimentista".
  • "Existe um conceito que concilia as duas visões. Trata-se do 'acelerador do investimento', que diz que, quanto maior o crescimento da demanda, maior o incentivo para as empresas investirem. Os ortodoxos acreditam nisso, só que vêem limites para esse efeito e acham que correr o risco de alta da inflação ao apostar no funcionamento do acelerador pode produzir incertezas e instabilidade que terminam matando os incentivos para investir. Já os desenvolvimentistas dão muita importância a esse efeito e, por isso, cada vez que vêem o BC aumentando os juros, temem que ele esteja abortando a expansão do investimento".

17.2.08

Teoria econômica do crime

Angela Dills, Jeffrey Miron e Garrett Summers discutem, em um NBER Working Paper publicado em janeiro, o que os economistas sabem sobre o crime. A conclusão é "não muito".

Hipóteses que são validadas por dados para os Estados Unidos nas décadas mais recentes são rejeitadas quando períodos mais longos ou outros países que não os Estados Unidos são considerados. Este resultado foi obtido tanto para variáveis de política (por exemplo, prisões ou pena capital) como para fatores tais como legislação sobre controle de armas e aborto.

A única hipótese que parece consistente com os dados, segundo os autores, é que a proibição do comércio de drogas gera criminalidade.

9.2.08

Capitalismo e liberdade

Da coluna de Antônio Cícero, na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"Dado que, no socialismo, as atividades econômicas não são realizadas tendo em vista a subsistência ou o lucro, é necessário que o partido - como diz uma enciclopédia publicada pelo Instituto Bibliográfico da extinta República Democrática Alemã -oriente a criação da 'unidade moral e política do povo', de modo que o trabalho se transforme 'de mero meio de subsistência em um assunto de honra'. No regime socialista, a intolerância em relação a heresias - ideologias alternativas, 'desvios', 'revisionismos' etc.- não é meramente acidental. A repressão a elas não se reduz a um mero estratagema político. Ela provém da necessidade estrutural de manter a unidade ideológica indispensável para o funcionamento da própria base econômica. Já o capitalismo funciona independentemente das idéias, concepções, religiões, atitudes, isto é, das ideologias, dos operários, capitalistas, técnicos, administradores ou consumidores que o fazem funcionar. Ainda que cada indivíduo pense e aja de uma maneira diferente de todos os outros, o capitalismo é capaz de prosperar, desde que seja observado de modo geral um mínimo de leis e regras formais de convivência. É exatamente por isso que ele é compatível com a maximização da liberdade individual, a sociedade aberta e o reformismo. O socialismo necessita, para o seu funcionamento, de uma ideologia particular, correspondente à sua base econômica, e que, por isso, não é capaz de tolerar ideologias alternativas. O capitalismo, porém, exatamente porque a sua base econômica opera a partir do puro interesse material, independentemente de qualquer ideologia particular, não necessita de nenhuma ideologia específica, de modo que é capaz de tolerar todas, inclusive as que lhe foram ou são hostis, como o catolicismo ou o marxismo-leninismo".

7.2.08

História dos bancos centrais

Michael Bordo, professor da Rutgers University, conta a história dos bancos centrais, desde os seus primórdios no século XVII, neste artigo, publicado em Economic Commentary, revista do Federal Reserve Bank of Cleveland.

27.1.08

Comércio internacional e salários - compensação para os "perdedores"?

Três artigos recentemente publicados em The New York Times abordaram o impacto do comércio internacional sobre os salários da mão de obra menos qualificada nos Estados Unidos:

Paul Krugman - Trouble with trade
Alan Blinder - Stop the world (and avoid reality)
Steven Landsburg - What to expect when you're free trading

Para Krugman e Blinder, o comércio tem contribuído para a redução dos salários daquela categoria de trabalhadores. Ambos propõem como remédio que parte da renda adicional gerada pelo comércio seja destinada a compensar os "perdedores", através da ampliação da rede de proteção social (seguro-desemprego, retreinamento de trabalhadores desempregados etc.).

Landsburg acha que este é um argumento "tosco" e não vê justificativa para uma compensação aos "perdedores".

26.1.08

Crescimento (falta de) - educação (VI)

"Entre os 34 milhões de jovens de 18 a 29 anos domiciliados nas cidades brasileiras, 21,8% têm o curso fundamental incompleto - ou seja, não concluíram a oitava série - e 2,4% são formalmente analfabetos. Os dados são da Pnad 2006. A incidência do analfabetismo e da evasão escolar difere entre Estados e regiões. Alagoas, com 46%, encabeça a lista dos que não concluíram o curso fundamental ou não foram alfabetizados, enquanto São Paulo, com 15%, exibe os resultados menos assustadores. Em termos regionais, esses jovens excluídos aparecem em maior proporção (35%) no Nordeste e menor (18%) no Sudeste".

(Informações publicadas na edição de hoje da Folha de São Paulo).

Frase do dia

"The world is a crazy place. It makes perfect sense only to conspiracy theorists and economists of a certain stripe" (William Grimes, em artigo mencionado na postagem anterior).

25.1.08

Lógica da vida

Autor de The Undercover Economist, Tim Harford está lançando nos Estados Unidos o livro The Logic of Life - Rational Economics of an Irrational World, comentado nesta resenha publicada hoje em The New York Times.

Criminalidade no Brasil (II)


Também da coluna de Eliana Cardoso, no Valor Econômico de ontem, o gráfico acima sobre a evolução da taxa de homicídio entre os jovens de 15 a 24 anos no Brasil.

Criminalidade no Brasil (I)


Da coluna de Eliana Cardoso, no Valor Econômico - edição de 24 de janeiro de 2008:
  • "Em 2004, a taxa de 27 homicídios em 100 mil habitantes no Brasil era 30 ou 40 vezes superior às taxas da Inglaterra, Alemanha, Japão e Egito. Entre os brasileiros de 15 a 24 anos, a taxa de homicídio chegou a 52 em 100 mil jovens (cem vezes superior às taxas da Áustria e Japão)".
  • "Todos nós somos capazes de crimes e respondemos a incentivos. Mas a teoria do cálculo econômico não explica porque respondemos a incentivos de forma diferente. Na população total, 92% das vítimas são do sexo masculino (97% entre os jovens). A população negra tem 73% de vítimas a mais do que a população branca (83% a mais, entre jovens). Por que os homicídios ocorrem sobretudo entre os jovens? Por que são raros entre as mulheres? Por que as vítimas negras são mais comuns?"
  • "A massa carcerária no Brasil é composta por presos pobres. Isso nos faz suspeitar que a probabilidade de ser preso é maior para o pobre. Se o cálculo econômico está correto, o crime compensa apesar do castigo, porque para o pobre sem trabalho qualquer rendimento é precioso".
  • "De uma amostra de boletins de ocorrência de homicídio examinados em São Paulo, apenas 4,6% tiveram o autor e o motivo conhecidos e registrados. E 92% dos casos de homicídio no Rio de Janeiro foram devolvidos à polícia, por falta de provas para serem julgados. Se a probabilidade de prisão é baixa, a de morrer é muita alta para o jovem. Mas nem o pior dos castigos parece reduzir o crime. Talvez o bandido seja mais propenso ao risco do que o comum dos mortais. Talvez seja míope em relação ao futuro".
  • "O crescimento da violência no Brasil é conseqüência da criminalidade organizada em torno do tráfico de drogas".
  • "A cadeia, de um lado pune, mas de outro atua como escola do crime. Presos sem antecedentes criminais deveriam ficar em liberdade com monitoramento eletrônico. Em Buenos Aires, essa modalidade de condenação parece reduzir a reincidência, que é mais comum aos que cumprem pena atrás das grades".
  • "Programas que reduzem a criminalidade agem em muitas frentes e não se resumem à construção de mais cadeias. Em Bogotá, a taxa de homicídio, que era de 80 em 100 mil habitantes em 1993, caiu para 21 em 2004, graças a um programa integrado de saúde, recuperação dos espaços públicos, bibliotecas informatizadas nos bairros pobres e aperfeiçoamento do sistema judicial".

16.1.08

Maior torcida de Minas (e de Belo Horizonte) (I)


(Veja aqui resultados da mais recente pesquisa Data Folha, realizada em dezembro de 2009).

Informações de artigo de Ricardo Correa, publicado em O Tempo - ediçao de 13 de janeiro de 2008:
"Não é de hoje que se diz que a torcida do Cruzeiro é maior do que a do Atlético em Minas Gerais. Mas uma pesquisa Data Folha, realizada em novembro, mostra que a distância entre o tamanho da parte azul e o tamanho da parte alvinegra é maior do que se podia imaginar. De acordo com a pesquisa, em torno de 29% dos mineiros, ou cerca de 5,6 milhões de pessoas, são torcedores do Cruzeiro, enquanto 18%, ou em torno de 3,5 milhões, torcem para o Atlético. Em Belo Horizonte, a diferença está na margem de erro, mas, nem mesmo em relação à capital, o Atlético pode dizer que possui mais torcedores do que o Cruzeiro. Os cruzeirenses são 38%, enquanto os atleticanos somam 34%. Como, de acordo com o IBGE, Belo Horizonte possui hoje 2,4 milhões de habitantes, os cruzeirenses seriam cerca de 912 mil e os atleticanos cerca de 816 mil".

8.1.08

Gasto do governo com juros


Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico:
  • "O setor público brasileiro gastou 6,30% do Produto Interno Bruto com o pagamento de juros em 2007, o menor percentual desde os 4,61% do PIB gastos em 1997 e bem menos do que os 9,66% do PIB despendidos nos 12 meses encerrados em agosto de 2003".
  • "Numa lista de 116 países com estimativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's, os juros como proporção do PIB só são maiores na Jamaica (13,2% do PIB), Líbano (10,5% do PIB) e Turquia (7,7% do PIB)".
  • "Os elevados gastos com juros do Brasil se devem a dois fatores. Primeiro, o país tem uma dívida pública muito elevada, ainda que em queda como proporção do PIB. Em novembro de 2007, a dívida líquida do setor público equivalia a 42,6% do PIB, bem acima da média de 31,7% do PIB dos países classificados como BB+, BB e BB- pela S&P (o rating do Brasil é BB+). O endividamento tem caído como proporção do PIB, mas continua a aumentar em termos absolutos, já que o setor público brasileiro ainda tem déficit nominal, atualmente da ordem de 2% do PIB. O outro fator é a taxa básica de juros muito alta. Se descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa real de juros brasileira está em 6,7%".

3.1.08

Crescimento (falta de) - governo (II)

"Os gastos correntes do governo no Brasil estão muito acima dos padrões internacionais, de acordo com relatório do Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial. O ICP retirou dos gastos públicos aqueles que, como educação, saúde ou transferências, beneficiam diretamente a um indivíduo. O que resta são as despesas 'coletivas' do governo com a sua máquina burocrática: polícia, justiça, defesa etc. Quando se leva em conta apenas esses dispêndios, as sociais-democracias européias gastam relativamente pouco. Por exemplo, a Suécia emprega somente 9% do seu PIB nessas despesas coletivas. Em muitos casos, os países que exibem uma maior fração de gastos coletivos são aqueles que têm dispêndios militares importantes, como a China (20%), Israel (16%) ou Taiwan (16%). Uma exceção, infelizmente, é o Brasil, onde esses itens consomem 19% do PIB" (José Alexandre Scheinkman, Folha de São Paulo - 30 de dezembro de 2007).

"Embora o PIB brasileiro corresponda a 2,9% do PIB global, o gasto do governo na provisão de serviços públicos equivale a 5% do total mundial, segundo o ICP. Somos o décimo maior PIB, mas o quarto maior gasto. Quando consideramos apenas os países com PIB acima de US$ 100 bilhões em 2005, o Brasil é o segundo colocado em termos de gastos com relação ao PIB, perdendo somente para a China, cujo dispêndio militar é muito superior ao nosso. Na América do Sul, excetuado o Brasil, o gasto médio é 11% do PIB; no Brasil, 19% do PIB. Números assim deveriam sepultar de vez teses esdrúxulas sobre o 'raquitismo' estatal brasileiro. A má qualidade dos serviços públicos não resulta de pouco gasto, mas da baixa produtividade" (Alexandre Schwartzman, Folha de São Paulo - 26 de dezembro de 2007).

Ranking do futebol mundial (I)

A par do ranking do futebol brasileiro, objeto de uma postagem anterior, a Folha de São Paulo elabora também anualmente um ranking do futebol mundial.

Na versão 2007 deste ranking, os clubes brasileiros melhor classificados foram São Paulo (6º lugar), Santos (17º lugar), Grêmio (20º lugar) e Cruzeiro (21º lugar).

Logo depois do TP Mazembe (Congo), Alajuelense (Costa Rica), Transvaal (Suriname) e Deportivo Saprissa (Costa Rica), aparece, em 80º lugar, o CAM, time a que repetidamente temos prestado homenagem neste blog.

1.1.08

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (II) - ranking dos países


(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).

A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial. A fonte dos dados é o Programa de Comparações Internacionais (ICP), coordenado pelo Banco Mundial.

Os 10 países listados respondem por 64% do PIB e 56% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 22,5% do PIB global, apresentando uma renda per capita quase cinco vezes maior do que a média mundial.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália tem renda per capita no intervalo entre dois terços e três quartos da renda americana.

O Brasil é, no sentido mais estrito da expressão, um país de renda média. Respondendo por 3% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita praticamente igual à média dos 146 países pesquisados pelo ICP e equivalente a 21% da renda americana.

China e Índia, apesar de concentrarem juntas 14% do PIB mundial, são países ainda bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 10% e 5%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

31.12.07

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (I)


(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).

Em meados de dezembro, o Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial, divulgou novas estimativas do valor em dólares americanos do PIB de 146 países, obtidas a partir de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC).

Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo valor de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto das diferentes economias nacionais.

Os principais resultados do ICP são resumidos abaixo.
  • O PIB mundial alcançou o valor de 55 trilhões de dólares em 2005 - ano base do ICP. O PIB per capita mundial, dada a população de 6,13 bilhões de pessoas, foi de 8 972 dólares.
  • Perto de dois terços da produção da economia mundial estão concentrados nos 37 países europeus e nos 9 membros não europeus da OCDE. Dado que esses países respondem por apenas um quinto da população do mundo, sua renda per capita equivale a mais do que o triplo da média mundial, como mostra a tabela acima.
  • A renda per capita da Europa + OCDE é 14 vezes maior do que a da África, a região mais pobre do mundo.
  • A América do Sul e a Comunidade de Estados Independentes - CEI (formada por membros da ex-URSS) têm renda per capita próxima da média mundial.
  • A necessidade de se utilizar taxas de câmbio PPC em comparações internacionais é evidenciada pelos dados da última coluna da tabela. O nível de preços em dólares na África, Ásia / Pacífico, CEI e América do Sul é metade ou menos do nível de preços observado nos Estados Unidos, quando taxas de câmbio de mercado são utilizadas para converter os preços naquelas regiões para dólares.

30.12.07

Crescimento (falta de) - governo (I)

Celso Martone examina, na edição de dezembro do Boletim de Informações da FIPE-USP, as falhas institucionais que levam à hipertrofia e disfunção do setor público no Brasil, uma das principais causas, segundo o autor, das baixas taxas de crescimento econômico observadas no país, desde o início da década de 80.

Causas da Grande Depressão (I)

As causas da Grande Depressão de 1929 são discutidas por Vanessa Sumo, em artigo publicado em Region Focus, a revista do Federal Reserve Bank of Richmond.

O artigo mostra que, em quase oito décadas de debate, os economistas não alcançaram um consenso sobre os determinantes da Grande Depressão, o que, para a autora, é um reflexo de divergências mais gerais quanto à origem das flutuações macroeconômicas.