29.9.07

O jogo da "caçada ao veado" e a riqueza das nações

Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate, explica a recente corrida contra o banco inglês Northern Rock como o resultado da decisão dos depositantes de trocar a "caça ao veado" pela "caça ao coelho", no jogo conhecido como "caçada ao veado".

Este jogo mostra que o bem estar social é maximizado quando existe cooperação, a qual, por sua vez, depende da confiança existente entre os jogadores.

Assim, ajudaria a explicar bem mais do que a estabilidade dos bancos ou as corridas contra eles. Segundo Harford, a diferença entre países que foram bem sucedidos em formalizar a confiança (ou seja, países cuja população "caça veados coletivamente") e os países que não conseguiram isso (países onde a população "caça coelhos individualmente") corresponde basicamente à diferença entre países ricos e pobres.

26.9.07

Crescimento (falta de) - ambiente de negócios (II)


"Em 121 países, o ambiente de negócios é mais favorável do que no Brasil. A conclusão é da edição 2008 do relatório 'Doing Business', divulgado pelo Banco Mundial e que reúne dados sobre 178 países. No novo ranking, o Brasil aparece atrás de economias como Uganda, Bangladesh e Nepal e até mesmo dos territórios palestinos da Cisjordânia e Gaza. Em relação ao ranking divulgado em 2006, o Brasil caiu uma posição (estava em 121). Na América Latina, o desempenho do Brasil fica na frente só de Equador, Bolívia e da Venezuela, que ocupa uma das últimas posições do ranking geral (172 ). O levantamento avalia os países a partir da dificuldade dos empresários em abrir um negócio, obter licenças de construção, contratar mão-de-obra, registrar propriedades e obter crédito. Também leva em consideração a proteção existente para os investidores, a carga tributária, a facilidade para exportar e importar, o respeito aos contratos e o grau de dificuldade para fechar uma empresa".

(Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico).

Paradoxo da pirataria

Na coluna The Financial Page, da New Yorker, James Surowiecki explica porque, no setor de moda, a pirataria - a cópia de modelos - é benéfica para suas "vítimas".

23.9.07

Corrupção e educação

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na Folha de São Paulo de hoje:
  • "Edward Glaeser e Raven Saks, da Universidade Harvard, mostraram, em um working paper da NBER, a conexão entre baixo nível educacional e prevalência de práticas corruptas nos Estados Unidos".
  • "Os pesquisadores utilizaram dados sobre servidores públicos municipais, estaduais e federais que foram condenados pela justiça federal americana por um crime relacionado à corrupção entre 1990 e 2002".
  • "O número de condenações como proporção da população varia consideravelmente entre os estados. Nos atrasados Mississippi e Louisiana, a taxa de condenação foi de nove servidores públicos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, enquanto em Oregon essa proporção foi menor que uma por 100 mil".
  • "Glaeser e Saks reconhecem que a corrupção provavelmente deprime os gastos em educação e que, portanto, a existência de uma correlação entre educação e honestidade dos servidores públicos não indica necessariamente que o baixo nível educacional cause um aumento na corrupção. Por isso aplicaram uma série de testes estatísticos que sugerem que, de fato, menor educação gera mais corrupção".
  • "Os pesquisadores de Harvard também documentaram que os estados mais pobres são mais corruptos, mas que a educação dos habitantes de um estado é um determinante mais importante do índice de corrupção do que a renda".

22.9.07

Redução da pobreza no Brasil (II)


  • O número de miseráveis no Brasil se reduziu em 5,9 milhões entre 2005 e 2006, uma queda de 14%, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, baseada em dados da PNAD. Foram contabilizadas 36,1 milhões de pessoas vivendo em condição miserável no país, no ano passado. Em 2005, eram 42,0 milhões.
  • Os miseráveis representavam 19,3% da população em 2006, a menor taxa desde 1992 (35,2%). Em 2005, o percentual era de 22,8%. O gráfico acima, publicado no Valor Econômico, mostra a evolução deste indicador entre 1992 e 2006.
  • Diferenças nos critérios adotados para classificar quem é pobre ou miserável explicam as disparidades entre a pesquisa do IETS, mencionada em postagem anterior, e esta pesquisa da FGV. Por exemplo, para a FGV, os miseráveis na Região Metropolitana de São Paulo são definidos como as pessoas que vivem em domicílios com rendimento per capita inferior a R$ 125. Para a mesma região metopolitana, o IETS utilizou como linha de pobreza o rendimento domiciliar per capita de R$ 266,15.
  • A desigualdade também manteve sua trajetória de queda em 2006, segundo a FGV - o índice de Gini da renda per capita dos domicílios baixou de 0,568, em 2005, para 0,562, em 2006.

Transição demográfica no Brasil


Naércio Menezes discute, em sua coluna na edição deste fim de semana do Valor Econômico, os números da "transição demográfica" no Brasil:
  • "A figura acima mostra a evolução recente e as projeções de tamanho da população brasileira dividida em três faixas etárias. A população de jovens (0 a 24 anos de idade), que vinha crescendo há muito tempo, atingiu seu ponto mais elevado em 2007, ficará estável por mais 20 anos ao nível de 87 milhões e passará a declinar partir de 2027. A população de adultos (25 a 64 anos) continuará crescendo a taxas elevadas (mas decrescentes) por mais 40 anos, quando então se estabilizará. Já a população de idosos (mais de 64 anos) aumentará a taxas crescentes, chegando a 49 milhões de pessoas em 2050".

  • "Os dados mais recentes mostram que a mulher brasileira tem, em média, 2,1 filhos. Isto significa que o Brasil já atingiu a chamada taxa de reposição, ou seja, se esta taxa permanecer constante, a população brasileira deve parar de crescer a partir de meados deste século".

  • "A taxa de fecundidade deverá cair ainda mais, graças ao avanço educacional. As mulheres com menos de três anos de escolaridade média têm, em média, 3,3 filhos, enquanto as mais escolarizadas (com pelo menos o ensino médio) têm apenas 1,6 filho. Esta diferença provoca uma diminuição da renda per capita das famílias mais pobres, logo a redução da taxa de fecundidade que ainda continua a ocorrer nestas famílias (se voluntária) é bem-vinda".

  • "O Brasil já deixou de aproveitar grande parte da 'janela de oportunidade', trazida pela transição demográfica e relacionada com o fato de que os adultos tendem a ser mais produtivos e a acumular mais capital do que os jovens e idosos. O aumento da informalidade, do desemprego e dos gastos sociais com idosos, resultados da Constituição de 1988, impediu que aproveitássemos integralmente este dividendo demográfico para acelerar nosso crescimento econômico".

Sobre este assunto, ver postagens anteriores relativas a artigo de Malcolm Gladwell e ao conhecido estudo de David Blomm e David Canning. Informações sobre o caso brasileiro podem também ser obtidas nesta postagem de fevereiro.

19.9.07

Crescimento (falta de) - educação (IV)

Informações publicadas em editorial na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o número de estudantes do ensino médio caiu 0,9% no Brasil, de 2005 para 2006. O valor percentual baixo pode sugerir que tenha havido apenas flutuação estatística, mas a quantidade de matrículas no ensino médio deveria aumentar, e não diminuir. A taxa de escolarização na faixa etária correspondente (82,5%, de 15 a 17 anos) está longe da universalização obtida no ensino fundamental (97,7%, de 7 a 14 anos). O indicador vinha melhorando nos anos 1990, até atingir 81,1% em 2001. Desde então, estagnou entre 81% e 82,5%. De acordo com o Censo Escolar do Ministério da Educação, essa taxa bruta de escolarização oculta que apenas 53% dos 8,9 milhões de matriculados estão na faixa etária correta. Há 4,1 milhões de estudantes secundários com 18 anos ou mais que isso, por força de reprovações. A contrapartida é que 3,6 milhões de jovens de 15 a 17 anos, que deveriam cursar o ensino médio, ainda marcavam passo no fundamental, em 2006. A taxa de reprovação é de 11,5%, e a de abandono, de 15,3%. O ensino médio no Brasil vive uma grave crise".

Redução da pobreza no Brasil (I)

Estimativas de Sônia Rocha, economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sobre a evolução recente da pobreza no Brasil, publicadas pela Folha de São Paulo:
  • "Em 2006, a pobreza atingia 26,9% da população brasileira. É o mais baixo índice desde 1987. Em 2005, a proporção de pobres ficou em 30,5%. Em 1995, a pobreza chegava a 33,2%".
  • "Em números absolutos, houve queda de 10,6% no contingente de pobres no país - de 54,9 milhões de pessoas em 2005 para 49,0 milhões em 2006. Ou seja, em um ano, 5,9 milhões de brasileiros ultrapassaram a linha da pobreza".
  • "O total de indigentes também baixou - de 6,8% da população em 2005 para 5,7% em 2006. Em todo o Brasil, o número de miseráveis caiu de 12,2 milhões para 10,4 milhões".
  • "Se a pobreza cedeu no país como um todo, houve concentração nas áreas urbanas, em especial nas grandes metrópoles. Do total de pobres em 2006, 36,3% estavam nas dez principais regiões metropolitanas. Esse percentual era menor em 1995: 28,8%. Em 2005, havia sido de 35,5%".

15.9.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - aquecimento global

Greg Mankiw tem promovido, no seu muito lido blog, a adoção de um imposto de Pigou como solução para o problema do excesso de emissões de carbono.

Os argumentos que tem levantado em favor desse imposto foram resumidos por Mankiw, em sua contribuição para a coluna Economic View, publicada hoje também em The New York Times.

Queda da mortalidade infantil

A mortalidade infantil no mundo, em 2005, alcançou 9,7 milhões crianças - a primeira vez em que esse número fica abaixo de 10 milhões, desde que registros começaram a ser mantidos, em 1960.

No início da década de 60, 20 milhões de crianças de menos de 5 anos morriam anualmente, em todo o mundo. Se a taxa de mortalidade infantil tivesse se mantido inalterada, o número para 2005 teria sido de 25 milhões.

As causas desta importante queda na mortalidade infantil foram discutidas em recente artigo em The New York Times.

10.9.07

Bolsa - Grande Empresa

Da coluna de Cláudio Haddad, na edição do Valor Econômico de 6 de setembro:
"Para se reduzir a carga tributária no Brasil, é imprescindível se iniciar uma discussão séria sobre o tamanho e a alocação dos gastos públicos. Nesta discussão, é fundamental incluir as renúncias fiscais e os subsídios invisíveis que transitam fora do orçamento, mas que aumentam a dívida pública e, consequentemente, as despesas com juros. Um exemplo de gasto invisível é o financiamento concedido pelo BNDES à TJLP. Entre junho de 2006 e de 2007, o saldo médio das operações de crédito do BNDES consolidado em moeda nacional (praticamente todas à TJLP) foi de R$ 111 bilhões. Neste mesmo período a Selic acumulada, taxa básica de captação do governo federal, ficou 5,86% acima da TJLP. Ou seja, em 12 meses essas operações transferiram como subsídio R$ 6,5 bilhões aos tomadores, igual a 70% do valor previsto para o Bolsa Família este ano, sendo que, dada a concentração de operações do banco, os dez maiores tomadores devem ter recebido mais de 50% deste valor. Justifica-se este subsídio, principalmente levando-se em conta que para os grandes tomadores o mercado de capitais já é uma alternativa viável? Por que proteger e subsidiar os tomadores daquele banco em detrimento de outras empresas, com projetos igualmente meritórios, cujos controladores têm de seguir regras rígidas de governança e diluir sua participação através de emissões primárias de ações? Por que os recursos para os primeiros teriam de vir do trabalhador e do governo quando poderiam ser providos por investidores em condições competitivas?"

Crescimento (falta de) - carga tributária (V)

A carga tributária no Brasil chegou a 34,23% do PIB, em 2006, de acordo com estimativa da Receita Federal.

Carga tributária como % do PIB - 2002 / 2006

2002 - 31,86
2003 - 31,46
2004 - 32,22
2005 - 33,38
2006 - 34,23

Fonte: Folha de São Paulo, edição de 22/08/2007.

2.9.07

Taxa de câmbio e política fiscal, de novo

Dani Rodrik argumenta, em artigo publicado recentemente no Valor Econômico, que uma moeda subvalorizada é fundamental para o crescimento econômico sustentado:
"Praticamente todos os casos de crescimento sustentável elevado têm sido acompanhados de uma taxa de câmbio real significativamente depreciada. Observando a experiência de mais de 100 países, apurei que cada 10% de subvalorização acrescenta 0,3 pontos percentuais ao crescimento. A subvalorização da moeda é um instrumento possante para o crescimento porque aumenta a rentabilidade dos setores industrial e agrícola não-tradicional, que são as atividades com o maior nível de produtividade de mão-de-obra e que também apresentam as mais velozes taxas de aumento de produtividade. Ela estimula a produção, ao contrário da supervalorização, que estimula o consumo. É importante compreender que este não é um problema de competência exclusiva do banco central. Manter uma moeda competitiva requer um aumento na poupança interna em relação ao investimento, ou uma diminuição nos gastos nacionais em relação à renda. Caso contrário, os ganhos de competitividade seriam anulados pela inflação ascendente. Isso significa que as autoridades fiscais têm uma grande responsabilidade: estabelecer uma meta de superávit fiscal que seja grande o suficiente para gerar o espaço necessário para a depreciação real do câmbio. Ninguém tem o direito de se queixar da política de 'moeda valorizada e alta taxa de juro' do banco central quando a política fiscal continua frouxa demais para permitir que as taxas de juros sejam reduzidas sem colocar em risco a estabilidade dos preços".
O mesmo argumento sobre a relação entre política fiscal e taxa de câmbio foi apresentado antes neste blog, em postagens de janeiro e abril.

28.8.07

Raízes da crise nos mercados financeiros

Da coluna de Yoshiaki Nakano, na edição de hoje do Valor Econômico:
"Com a pressão deflacionária exercida pela forte expansão da capacidade produtiva global e integração ao mercado internacional de centenas de milhões de trabalhadores chineses, indianos e do Leste Europeu, a curva de Phillips nas economias desenvolvidas se tornou mais horizontal. Tornou-se possível ter taxa de inflação muito baixa com níveis menores de desemprego. A combinação do regime de metas de inflação com o uso da regra de Taylor, de acordo com a qual controla-se apenas a taxa de juros, o que torna a expansão monetária e creditícia inteiramente endógena, ou seja, determinada pela demanda, levou a um grande aumento da liquidez e do crédito. Com o aparente sucesso da política monetária, a inflação de crédito e de preços dos ativos ficou de fora das preocupações dos bancos centrais".

24.8.07

Convergência de rendas per capita

  • O gráfico acima, extraído do paper de Robert Lucas mencionado na postagem anterior, mostra o conhecido resultado de ausência de convergência internacional de rendas per capita, fazendo uso de dados de Angus Maddison para 122 países, no período 1960-2000.
  • De acordo com Lucas, "os países ricos - principalmente Europa, América do Norte e Japão - apresentam todos taxas de crescimento da renda per capita próximas de 2%. Os países mais pobres - principalmente África e Ásia - apresentam uma variação extremada nas suas taxas de crescimento, desde o crescimento milagroso da Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura até a estagnação e mesmo crescimento negativo de alguns países africanos e asiáticos".

Difusão do desenvolvimento entre economias abertas

Robert Lucas, em um recém-publicado NBER Working Paper, propõe um modelo para explicar como a "revolução industrial" é difundida entre economias abertas, o qual se baseia nas seguintes hipóteses:

1. As economias são do tipo "AK", com o nível de produto per capita sendo proporcional ao estoque de conhecimento médio dos indivíduos.
2. A taxa de crescimento do estoque de conhecimento na economia líder é uma constante μ.
3. A taxa de crescimento do estoque de conhecimento nas economias seguidoras é μ (H/h)^θ, onde H é o estoque de conhecimento na economia líder e h é o estoque de conhecimento na economia seguidora.

Dado que H > h, a hipótese 3 implica que as economias seguidoras crescem a uma taxa superior a μ, tanto maior quanto maior o hiato (H/h) entre os níveis de conhecimento da economia líder e da economia seguidora.

A evidência empírica sugere que μ = 0,02 e θ = 0,67.

Calibrando o modelo com estes valores para os parâmetros μ e θ, é possível replicar bastante bem a relação entre o nível inicial e a taxa de crescimento da renda per capita do período 1960-2000, observada em 31 das 39 economias definidas como abertas na conhecida classificação de Sachs e Warner.

Este resultado é mostrado no gráfico, onde a curva com inclinação negativa representa os resultados da calibração descrita acima.

As 8 economias "fora da curva" correspondem principalmente a economias asiáticas bastante pobres, apesar de abertas. Para replicar a experiência de economias como estas, Lucas propõe uma versão modificada do modelo, em que a taxa de crescimento do estoque de conhecimento depende também de efeitos de aglomeração, sendo tanto mais reduzida quanto maior a parcela da população do país empregada na agricultura.

O modelo de Lucas supõe que todas as economias convergem para o nível de renda per capita da economia líder no longo prazo, mas, para as economias mais pobres, a convergência pode demorar mais de 2 séculos - "o crescimento econômico, mesmo sob condições ideais, é um processo lento".

19.8.07

Injeção de liquidez - como se faz

O Federal Reserve Bank injetou bilhões de dólares no sistema bancário americano, nos últimos dias, em vista dos problemas de liquidez que os bancos estão enfrentando. Artigos em Slate e em The New York Times explicam como esta injeção de liquidez é realizada.

Reciclando: manias, pânicos e quebras

Esta postagem anterior, feita em março e extraída de artigo de Aquiles Mosca, publicado no Valor Econômico, descreve o mecanismo de propagação de crises nos mercados de ações e ajuda a entender parte do que está acontecendo atualmente nestes mercados, mundo afora.

18.8.07

Produtividade no Brasil

Da coluna de Cláudio Haddad, no Valor Eonomico:

"São nove horas da manhã. Um caminhão velho, carregado de abacaxis, estaciona em local proibido, em uma rua movimentada de um bairro nobre de São Paulo. Uma tabuleta na traseira do caminhão indica ser aquele o 'abacaxi pérola da roça'. Em poucos instantes, é gerado um enorme congestionamento no local. Estimando-se, conservadoramente, o custo do tempo dos ocupantes dos veículos em R$ 60 por hora, o fluxo de veículos em 50 por minuto, a perda adicional de tempo provocada pelo caminhão em um minuto e considerando-se apenas um ocupante por veículo, o caminhão, em meia hora, teria provocado perdas de R$ 1.500. Ao preço de R$ 2 por abacaxi e uma margem de 50%, os donos do caminhão teriam de vender 3 mil abacaxis, provavelmente mais do que a carga do caminhão, para compensar o custo por eles produzido em meia hora. Atividades como essa, comuns nas cidades brasileiras, são rentáveis para quem as exerce e geram benefícios para os consumidores que as financiam. Mas geram custos significativos para o resto da sociedade, que, no entanto, são ignorados ou tolerados. No Brasil, infelizmente, a eficiência ainda é sacrificada pela ideologia, pela má compreensão do funcionamento do sistema econômico e por uma falsa 'preferência pelo excluído', cuja contrapartida é a alta tolerância com o ilícito".

Seleção natural e revolução industrial (II)

David Warsh também comenta, em economicprincipals, a hipótese de Gregory Clark sobre a relação entre seleção natural e revolução industrial, que foi objeto de uma postagem recente neste blog.

A resenha não é muito simpática ao livro de Clark, que Warsh considera uma tentativa de ressuscitar a abordagem social-darwinista.

Além disso, para Warsh, o argumento principal do livro nem seria originalmente de Clark, tendo sido proposto antes por Oded Galor, em um paper publicado em 2002 no Quarterly Journal of Economics.

Galor explicou sua "teoria evolucionária do crescimento" nesta entrevista.

8.8.07

Produtividade


O Bureau of Labor Statistics, órgão do governo americano, comparou a produtividade por trabalhador e a produtividade por hora dos EUA com a de outros países desenvolvidos.

O trabalhador americano produziu em média o equivalente a US$ 90 mil de produto em 2006, valor calculado em paridade de poder de compra. Somente os noruegueses tiveram um desempenho melhor - em parte, pelo menos, por causa da produção de petróleo.

Ao considerar o produto por hora, porém, o BLS verificou que noruegueses, belgas, holandeses e franceses superam os US$ 50 por hora dos americanos, como indica a tabela acima.

A tabela foi originalmente publicada em The Economist e reproduzida no Valor Econômico.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - a tragédia de Congonhas (II)

Da coluna de Elio Gaspari, na edição de hoje da Folha São Paulo:

"Desde 1982, a literatura técnica ensinava que o movimento do aeroporto de Congonhas não podia passar da marca dos 14 milhões de passageiros /ano. Quando o Airbus da TAM explodiu, o movimento estava em 18 milhões".

Nesta outra postagem, o problema de super-utilização do aeroporto foi interpretado como um caso de "tragédia dos comuns".

7.8.07

Seleção natural e revolução industrial (I)

A revolução industrial resultou de um processo de seleção natural que levou a mudanças de comportamento entre a população da Inglaterra. A tese de Gregory Clark, da Universidade da Califórnia - Davis, é explicada em um artigo de Nicholas Wade, publicado na edição de hoje do New York Times.

Atraso de 83 anos

Quando as principais economias desenvolvidas alcançaram o atual patamar de renda per capita do Brasil?

De acordo com as estimativas de Angus Maddison, publicadas no livro "The world economy: historical statistics", as 7 maiores economias desenvolvidas chegaram à renda per capita brasileira de 2001 nos seguintes anos:

Reino Unido - 1918
Estados Unidos - 1918
Alemanha - 1941
França - 1951
Itália - 1959
Japão - 1964
Espanha - 1968

A renda per capita do Brasil em 2006 era apenas 9% maior do que em 2001, de modo que as informações de Maddison dão uma boa idéia do atraso em que ainda nos encontramos, em termos de renda.

6.8.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - a tragédia de Congonhas (I)

Em artigo na edição de hoje do Valor Econômico, Sérgio Werlang mostra que o excesso de tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas, verificado até recentemente, é um exemplo da "tragédia dos comuns":
"Ficou claro [com o acidente da TAM] que havia excesso de vôos em Congonhas. Isto ocorreu porque não há sistema de preços para as janelas de pouso e decolagem. Simplesmente as companhias aéreas iam requisitando e obtendo licenças. O que deveria ser feito? As janelas não deveriam ser concedidas livremente, mas ter preço de mercado. Uma das formas possíveis é a ANAC determinar o limite seguro de operação de Congonhas e leiloar estes direitos. Assim, vários problemas seriam resolvidos. Primeiro, passageiros que quisessem o conforto de parar em Congonhas teriam que pagar mais por isso, uma vez que as companhias teriam pago pelos direitos de pouso e decolagem. Segundo, as linhas aéreas não usariam Congonhas para vôos de conexão, a não ser se fossem muito lucrativos - as conexões podem ser feitas em qualquer aeroporto onde haja mais vagas (nos EUA várias cidades não centrais são núcleos de conexão)".

4.8.07

Teoria econômica do vício

A teoria econômica do vício é o assunto discutido esta semana por Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate.

3.8.07

Declínio da violência em São Paulo

A incidência de homicídios dolosos caiu de 3.208 casos, no primeiro semestre de 2006, para 2.510 casos, em igual período de 2007 (redução de 21,8%), em São Paulo.

Este é um movimento que já dura oito anos. Em 1999, pico de homicídios, foram 12.818 mortes. Em 2006, o número e a taxa de assassinatos haviam caído mais de 50%.

Possíveis causas, segundo editorial publicado na edição de hoje da Folha de São Paulo, seriam:

  • Elevação do gasto em segurança pública, com o consequente aumento do número de detenções e condenações.
  • Melhora da distribuição de equipamentos públicos nas regiões violentas, decorrente da ação de governos e ONGs.
  • Campanhas pelo desarmamento.
  • Relativa recuperação do mercado de trabalho.
  • Envelhecimento da população e seu enraizamento, com o fim das grandes ondas de migração para os centros urbanos paulistas.

26.7.07

Crescimento (falta de) - abertura da economia (V)

Da coluna de Cláudio Hadad, na edição de hoje do Valor Econômico:

"O Brasil continua sendo uma das economias mais fechadas do mundo, como mostra o gráfico acima, comparando o Brasil com os demais BRICs e com a Argentina. Em 1990, a relação importações /PIB no Brasil era de apenas 7%, o que tornava o Brasil ainda mais fechado do que a Índia, conhecida por suas restrições ao comércio internacional. Quinze anos após o início do processo de abertura, aquela relação evoluiu para 8,4%, metade do valor argentino, quase um quarto do correspondente chinês e quase um terço do indiano".

Revisão pelos pares (II)

Avaliação do processo de revisão pelos pares feita por R. Preston McAfee, professor do California Institute of Technology, co-editor da American Economic Review por 9 anos e editor recém-indicado de Economic Inquiry, periódico da Western Economic Association, a associação dos economistas da costa oeste dos Estados Unidos:
"Journal time to publication lags have become embarrassing. Many authors have 5 year submission-to-print stories. More insidious, in my view, is the gradual morphing of the referees from evaluators to anonymous co-authors. Referees request increasingly extensive revisions. Usually these represent improvements, but the process takes a lot of time and effort, and the end result is often worse owing to its committee-design. Authors, knowing referees will make them rewrite the paper, are sometimes sloppy with the submission. This feedback loop - submitting a sloppy paper since referees will require rewriting, combined with a need to fix all the sloppiness - has led to our current misery. Moreover, the expectation that referees will rewrite papers, combined with sloppy submissions, makes refereeing extraordinarily unpleasant. We - the efficiency-obsessed academic discipline - have the least efficient publication process".

25.7.07

Revisão pelos pares (I)

Glenn Ellison mostra, em um recém-publicado working paper da NBER, que, na última década, houve um declínio na proporção de papers nos principais periódicos da área de Economia escritos por economistas dos departamentos melhor rankeados.

Segundo Ellison, a principal explicação para isso parece ser que a Internet aumentou a capacidade de autores conhecidos e importantes disseminarem seu trabalho sem ter que enfrentar o processo tradicional de revisão pelos pares.

24.7.07

Crescimento (falta de) - investimento público

Estudo de José Roberto Afonso e Geraldo Biasoto Jr., publicado pelo BNDES, revela que os investimentos do setor público brasileiro (administração direta e empresas estatais) caíram de 4,3% do PIB em 1995 para 2,7% em 2003. Reduziram-se não apenas as despesas das empresas estatais (algumas privatizadas) como também os investimentos diretos das três esferas de governo. Considerando apenas os gastos públicos em infra-estrutura, eles diminuíram de 2,4% do PIB em 1995 para 1% em 2003. Em termos internacionais, observa-se que a Tailândia aloca 7,7% do PIB em investimentos públicos; a Coréia, 5,4%; a Turquia, 4,6%; e o México, 3,8%.

(Informações publicadas na edição de hoje da Folha de São Paulo).

21.7.07

"Bombando" com causa? (II)

A melhora dos termos de troca - aumento de 8% no acumulado de quatro trimestres para os bens e serviços não fatores - gerou uma transferência de renda do exterior para a economia brasileira de cerca de 1% do PIB.

Este choque favorável, também mencionado antes aqui, ao eliminar a "vulnerabilidade externa", criou as condições para a retomada do crescimento econômico no Brasil? Prosseguir com as reformas liberais se tornou desnecessário, pelo menos no que diz respeito ao crescimento?

Para alguns economistas, a resposta é sim - veja, por exemplo, esta postagem anterior.

Armando Castelar Pinheiro expressou suas dúvidas a respeito, na edição do Valor Economico deste fim de semana:

  • "No último triênio o aumento da utilização da capacidade instalada adicionou 0,6 ponto percentual ao ano ao crescimento do PIB. A utilização já está, porém, próxima do seu limite".
  • "Metade do crescimento do PIB em 2004-06 resultou do aumento da produtividade total dos fatores. Uma boa parte desse aumento refletiu a recuperação cíclica: no triênio anterior a PTF ficara estagnada, depois de cair 0,8% ao ano em 1998-2000".
  • "A baixa taxa de poupança limita o ritmo de expansão da capacidade de produção. Mantidas por cinco anos as taxas de crescimento do PIB (3,8%), da FBCF (7,7%) e do consumo privado (4,8%) e público (3,4%) observadas nos últimos quatro trimestres, a taxa de investimento iria a 20% do PIB. Mas a taxa de poupança cairia para 17% do PIB, exigindo uma poupança externa de 3% do PIB. Um cenário talvez viável em cinco anos, mas explosivo em dez".

18.7.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - "corrida armamentista"

Em artigo publicado na New Yorker, James Surowiecki discute dois casos de "corrida armamentista": uso de capacetes por jogadores de hóquei e compra de automóveis por consumidores nos Estados Unidos.

15.7.07

Crime e prosperidade das cidades

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na Folha de São Paulo de hoje:
  • "As medições dos custos econômicos diretos do crime no Brasil sugerem um quadro assustador. Há cerca de 50 mil vítimas de homicídio a cada ano no país; muitas dessas com 15 a 29 anos de idade. O país perde o produto que o 'capital humano' desses jovens poderia gerar. Essas perdas, somadas a outras como, por exemplo, os custos hospitalares das vítimas e as despesas com segurança, podem totalizar 5% do PIB, de acordo com uma recente publicação do Ipea".
  • "É preciso considerar ainda o impacto indireto do crime sobre o desenvolvimento das cidades. No passado, as aglomerações urbanas bem-sucedidas eram importantes centros de manufatura e comércio. Mudanças na tecnologia de transporte e comunicação permitiram a descentralização da produção e afetaram profundamente as cidades. Por exemplo, as cidades americanas que lograram prosperar, no período mais recente, se converteram em centros de indústrias do conhecimento. Essas atividades precisam de uma força de trabalho educada, que quer viver em um local com boas escolas, fácil acesso a serviços culturais e diversão e baixa criminalidade. A segurança é um elemento crucial nas estratégias de crescimento das cidades mais bem-sucedidas. Steve Levitt, da Universidade de Chicago, mostrou que nos Estados Unidos a criminalidade tem um impacto negativo no crescimento das cidades e um relatório preliminar do National Bureau of Economic Research documenta que também no Brasil a violência, medida pela taxa de homicídios, afeta negativamente o crescimento das cidades".
  • "A evidência empírica aponta que o baixo nível educacional e a enorme desigualdade são causas relevantes da criminalidade no Brasil, mas que o alto grau de impunidade dos criminosos tem ainda mais importância. Enquanto nos Estados Unidos em 65% dos homicídios um acusado é levado a julgamento, no Rio de Janeiro menos de 3% desses crimes são elucidados".

Teoria e política

Os avanços da teoria macroeconômica verificados nos últimos 30 anos tiveram alguma influência sobre a condução da política macroeconômica?

Muita influência, segundo argumentam V. V. Chari e Patrick Kehoe, em artigo em The Region, revista da seção de Minneapolis do Federal Reserve Bank.

Quase nenhuma influência, para Greg Mankiw, conforme se mencionou nesta outra postagem.

12.7.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - indivíduos raciocinais pensam na margem

Devido à oferta insuficiente de gás natural na Argentina, o governo concedeu subsídios às empresas petrolíferas para que vendessem gasolina ao mesmo preço do gás natural, ou seja, por metade do preço normal, para táxis e fretes.

A Folha de São Paulo relata, em sua edição de hoje, o que está acontecendo nos postos de gasolina de Buenos Aires:

"Franco Duarte, um dos taxistas que faziam fila ontem à tarde em um dos cerca de 200 postos habilitados no país para vender gasolina à metade do preço para taxistas, resumia: 'A economia com a gasolina eu perco com as horas que eu não trabalho aqui, nesta fila. Amanhã vou abastecer ao preço normal'. Duarte, como outros, passou mais de quatro horas em uma fila à espera de abastecer um limite máximo de 40 litros. Rubén Soler era outro motorista que lamentava o tempo perdido, calculando que poderia ganhar até 40 pesos no período - exatamente o valor que era autorizado a abastecer".

Isso é precisamente o que prediz a teoria econômica - as filas nos postos tendem para um tamanho tal que o custo de oportunidade do tempo passado nelas, somado ao preço subsidiado, equivale ao preço não subsidiado.

11.7.07

Borboletas birmanesas e meta de inflação no Brasil

Qual a meta de inflação estabelecida pelo governo para 2009? Alexandre Schwartzman tenta esclarecer esta questão em sua coluna na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"O anúncio da meta de inflação para 2009 (4,5%, porém permitindo ao BC buscar um número mais baixo, desde que as condições macroeconômicas permitam e a Lua se alinhe a Escorpião, mas apenas se a migração das borboletas birmanesas não for prejudicada pela menstruação das lhamas) criou certa confusão acerca do objetivo de política monetária. O BC buscará 4,5% de inflação? 4%? Outro número? Quem souber a resposta ganha as obras completas do ministro da Fazenda sobre política monetária, ainda não coloridas".
No restante do artigo, Schwartzman explica porque ter uma meta claramente definida para a taxa de inflação é condição necessária para a boa condução da política monetária.

Índice Big Mac e valorização do real


O índice Big Mac, de The Economist, sugere que o real está atualmente sobrevalorizado em 6%.

Segundo Sérgio Werlang, em artigo recente no Valor Econômico, há quatro razões para a sobrevalorização do real:

(1) o preço elevado das commodities no mercado internacional, que também causou a valorização das moedas de outros países como Chile, Austrália, Nova Zelândia e Canadá.

(2) a taxa de juros de curto prazo, que ainda está muito acima do nível de longo prazo.

(3) as restrições à saída de capitais do país, impostas pela legislação.

(4) o elevado grau de protecionismo - o Brasil é uma das economias mais fechadas do mundo para a importação de mercadorias.

(Clique com o mouse na figura, para melhor visualização).

A grande moderação

Nos últimos vinte e cinco anos, além do mais rápido crescimento da renda média mundial já ocorrido na história, observou-se uma notável redução da volatidade das taxas de crescimento do PIB, de desemprego e de inflação nos Estados Unidos e na Europa Ocidental, fenômeno que tem sido designado como "a grande moderação".

Bradford DeLong, em artigo no Valor Econômico, propõe a seguinte explicação:
"Os bancos centrais finalmente aprenderam como fazer seu trabalho. Antes de 1985, os bancos centrais mudavam seus objetivos de um ano para outro. Num ano, podiam tentar controlar a inflação, quando no ano anterior haviam buscado reduzir o desemprego; no ano seguinte, podiam tentar baixar os custos do refinanciamento da dívida pública e um ano depois preocupar-se em manter o câmbio em determinado valor preferido pelos dirigentes políticos. Somada aos choques normais que afligem a economia mundial, essa fonte de volatilidade desestabilizadora criou o mundo instável anterior a 1985. Para explicar a 'grande moderação', faríamos bem em apostar na teoria segundo a qual nossos bancos centrais são hoje mais hábeis, têm visão de maior alcance e são menos tendentes a pular de galho em galho na floresta do curto prazo ou a serem empurrados para cá e para lá pelos dirigentes políticos que, imprevisivelmente, mudam os objetivos a serem perseguidos ano após ano".

8.7.07

Choque nos termos de troca (I)

Que importância tem o choque internacional de preços na explicação do atual desempenho da balança comercial brasileira e, portanto, do período de bonança econômica que o país atravessa?

A FIESP simulou o que aconteceria com a balança comercial se os preços de importação e exportação estivessem na sua média histórica do período 1980 - 2007, com as quantidades exportadas e importadas permanecendo no nível registrado no acumulado de 12 meses até maio de 2007.

Nessa simulação, ocorreria uma queda do valor das exportações de 28%, de US$ 148 bilhões para US$ 106,8 bilhões. No caso das importações, a redução seria de 15,5%, de US$ 100,5 bilhões para US$ 85 bilhões. O saldo comercial cairia de US$ 47,5 bilhões para US$ 22 bilhões, enquanto o saldo em transações correntes passaria de um superávit de US$ 16 bilhões para um déficit de US$ 9,7 bilhões.

Estas informações foram publicadas na edição de hoje da Folha de São Paulo.

7.7.07

Protecionismo, a chave do atraso

Da coluna de Cláudio Haddad, no Valor Econômico:
"Com a entrada da China e de outros países emergentes no mercado mundial, o Brasil perde vantagem comparativa em diversos produtos industriais. Somente por preço não há como competir no segmento de manufaturados padronizados. Em produtos intensivos em trabalho porque o custo da mão-de-obra na China é de R$ 1,50 por hora, para uma jornada de 60 horas por semana, e em produtos intensivos em capital porque lá a poupança é 40% do PIB, o dobro da nossa. A concorrência, para ser efetiva, tem de se dar em outro nível (design, marketing, conteúdo tecnológico) ou em produtos intensivos em recursos naturais, onde temos clara vantagem. A concorrência chinesa é predatória? De forma alguma. São diferenças em disponibilidade de fatores de produção que impulsionam boa parte do comércio internacional. Se todo país quisesse 'neutralizá-las' através de tarifas e subsídios, o mundo caminharia para a autarquia e não haveria progresso. À parte os concorrentes domésticos, o fato de a China poder nos vender produtos a custo muito abaixo do nosso, liberando os recursos escassos do país para outras atividades mais produtivas, deveria ser motivo de satisfação. Mas é o contrário que se vê. O protecionismo volta à carga. Sob o pretexto da valorização cambial e com o apoio da atual equipe econômica, algumas empresas estão conseguindo reverter o processo de abertura comercial iniciado há 15 anos. Ao aumentar o nível de proteção, o governo contribui para valorizar ainda mais o câmbio, prejudicando justamente os setores mais eficientes da economia, capazes de exportar. Desenvolvimento ocorre quando os produtivos são premiados e os improdutivos alijados do mercado. Retirar dos primeiros para dar aos últimos é a chave do atraso".

6.7.07

Ranking de programas de economia no Brasil (I)

Um grupo de pesquisadores vinculados à EPGE / FGV - RJ, coordenado por João Victor Issler, elaborou um ranking dos 31 programas de pós-graduação em economia do Brasil, baseado nas publicações do corpo docente permanente dos programas, no período 2004 / 2006.

Duas classificações foram produzidas - uma utilizando medidas de impacto dos periódicos adotadas internacionalmente e a outra, os critérios da CAPES.

O ranking derivado das medidas internacionais de impacto é mostrado abaixo, com a classificação dos programas baseada nos critérios da CAPES sendo também informada entre parenteses.

Apesar da grande divergência observada entre as duas classificações, 7 programas aparecem entre os top ten em ambas as listas, com a UFPR (06), UFF (09) e UFES (10) tendo sido os outros três programas incluídos entre os 10 melhores segundo os critérios da CAPES.

Apenas um programa brasileiro consegue se classificar entre os 200 melhores do mundo de acordo com os critérios internacionais - a EPGE / FGV, que apareceria em 145º lugar em tal ranking, imediatamente acima da Universidade de Wyoming - Estados Unidos.

A versão completa do artigo pode ser obtida através deste link.

Ranking dos programas de pós-graduação em Economia no Brasil -
Pontuação média dos docentes permanentes - 2004 / 06

01. EGPGE - FGV (02)
02. IBMEC - RJ (05)
03. PUC - RJ (08)
04. IBMEC - SP (04)
05. USP - IPE (01)
06. UCB (07)
07. USP - RP (13)
08. UNB (03)
09. UNICAMP (11)
10. UFPE (18)

29.6.07

Mudanças demográficas e saldos em conta corrente

Diferenças nas taxas de envelhecimento da população entre os países explicam, em boa parte, o padrão de déficits e superávits em conta corrente observado internacionalmente. Tais déficits e superávits, em lugar de constituir "desequilíbrios", podem ser o resultado desejável de um comportamento otimizador. Este argumento foi apresentado por William Poole, do Federal Reserve Bank of Saint Louis, em palestra para a American European Community Association, realizada em abril.

28.6.07

O bilhao de baixo

Para Paul Collier, diretor do Center for the Study of African Economies da Universidade de Oxford, nem Jeffrey Sachs nem William Easterly sabem como "salvar a África" ou o "bilhão de baixo" - o sexto mais pobre da população mundial. A receita de Collier, proposta em um novo livro, é discutida por Niall Fergusson nesta resenha para o New York Times.

27.6.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - imposto sobre a altura

N. Mankiw e Matthew Weinzierl sugerem em um paper recente que a análise utilitarista da política tributária, de acordo com a qual a maximização do bem estar social requer que a renda pós-impostos de todos os indivíduos seja igual, implica a cobrança de um imposto sobre a altura.

Nos Estados Unidos, uma pessoa de estatura elevada ganhando 75 mil dolares por ano deveria pagar 4,5 mil dolares em impostos a mais do que uma pessoa de baixa estatura.

Este resultado, segundo os autores, decorre necessariamente da abordagem utilitarista convencional relativa ao desenho da política tributária ótima e da regularidade empírica segundo a qual, coeteris paribus, a renda das pessoas está fortemente correlacionada com sua altura.