31.5.07

Conquista da América

Meu amigo Jorge Santana enviou o link para este belíssimo site sobre a conquista da Taça Libertadores da América pelo Cruzeiro em 1976.

Jorge sabe tudo sobre o Cruzeiro - ontem e hoje - e conta no seu blog.

27.5.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - elasticidade-preço da demanda por gasolina

Em artigo publicado no New York Times em outubro de 2005, Alan Krueger discutiu porque a demanda nos Estados Unidos reagiu pouco ao aumento de preços da gasolina verificado nos últimos anos e examinou as medidas que o governo poderia tomar para reduzir o consumo do combustível.

Rigidez nominal de preços

O preço da Coca Cola nos Estados Unidos ficou congelado em 5 centavos por mais de 60 anos, desde seu lançamento em 1886. Tim Harford tratou deste caso e de outros exemplos de rigidez nominal de preços, em recente coluna em Slate.

Contabilidade do crescimento - China e Índia (II)

Contabilidade do crescimento chinês e indiano, segundo Eliana Cardoso, no Valor Econômico:
"É um mito explicar o crescimento da China pela acumulação de capital. O fato é que, entre 1978 e 2004, mais da metade do crescimento per capita ao ano (quatro pontos de 7,3%) derivaram do crescimento da produtividade e dos ganhos educacionais. Algo parecido ocorreu na Índia, no mesmo período: dois pontos percentuais da taxa de crescimento per capita anual de 3,3% derivaram do aumento da produtividade e da educação. Como o aumento da produtividade torna o investimento mais lucrativo e induz mais investimentos, é ainda mais importante do que o registro da contabilidade".
As estimativas foram extraídas do artigo 'Accounting for Growth', de Barry Bosworth e Susan Collins, publicado na seríe de working papers da NBER.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - preços de congestionamento

Dois artigos sobre a proposta de cobrança de preços de congestionamento ("congestion pricing") em Nova Iorque, recentemente apresentada pelo prefeito da cidade:

Robert Frank - A sensible solution to thin traffic and one for easing concerns about fairness.

Elizabeth Kolbert - Don't drive, he said.

24.5.07

Crescimento (falta de) - investimento e consumo do governo


Estudo do ABN Amro, reportado em artigo no Valor Econômico, sugere a existência de uma relação inversa entre consumo do governo e investimento:

"Em 2006, o consumo do governo no Brasil atingiu 19,9% do PIB, quase sete pontos percentuais acima da média de 13% observada na Argentina, Chile, Colômbia e México. Esses números tornam fácil entender por que o investimento no Brasil ficou em 16,8% do PIB no ano passado, tão mais baixo que a média de 23,5% do PIB observada naqueles países".

Legislação trabalhista, desemprego e informalidade

Na sua coluna do Valor Econômico, Cláudio Haddad comenta dados do livro 'The Future of Europe: Reform or Decline', de Alberto Alesina e Francesco Giavazzi:

  • "Nos 15 países que originalmente formaram a União Européia, existem 14 milhões de desempregados. As taxas de desemprego, embora já altas, escondem o fato de que uma boa parcela da força de trabalho potencial não procura emprego. Na Espanha, a taxa de desemprego em 2004 era de 10,9%, mas apenas 58,2% da população com idade entre 15 e 64 anos estava empregada. Na França, as cifras respectivas eram de 9,6% e 62,3%, Itália e Alemanha apresentando comportamento semelhante. Já tanto o mundo anglo-saxão quanto o Japão apresentam taxas bem mais baixas de desemprego e bem mais altas de emprego - 4,7% e 72,5% no Reino Unido e 4,7% e 75,8% no Japão".
  • "A diferença se explica, de um lado, pela rigidez do contrato de trabalho e pela dificuldade - e em alguns casos quase impossibilidade - de demissão e, de outro, pelos generosos mecanismos de seguro-desemprego, sem contrapartidas que favoreçam a procura efetiva de emprego, observados no primeiro grupo de países".
  • "Alguns países europeus, como Dinamarca e Suécia, tornaram mais livre a demissão e reduziram seu custo para as empresas, implantando, ao mesmo tempo, programas generosos de seguro-desemprego, porém com a obrigação do desempregado aceitar a primeira proposta de emprego que lhe fosse feita, sob pena de perder os benefícios. O resultado é que aqueles dois países apresentaram em 2004 taxas de desemprego (5,4% e 6,4%) e de emprego (76,9% e 78%) semelhantes às anglo-saxãs e japonesas, provando ser possível, com a calibragem adequada do sistema de incentivos, combinar eficiência econômica com programas extensos de apoio social".
  • "No Brasil, as regras contratuais de trabalho são pouco flexíveis, o salário mínimo é alto para muitas regiões pobres do país, os encargos, principalmente para trabalhadores de maior renda, são elevados e a Justiça do Trabalho cria elemento de incerteza nas relações contratuais. Entretanto, ao invés de altas taxas de desemprego e baixas taxas de emprego, o sistema se ajustou através da 'informalidade'. O paliativo, através da LOAS, de garantir uma aposentadoria mínima para o trabalhador de mais de 65 anos, mesmo que ele não tenha contribuído nada para a Previdência, gera um incentivo adicional para que ele se mantenha 'informal' . O fato de que mais da metade dos trabalhadores do setor privado seja 'informal' é forte indicador de que algo está muito errado com o mercado de trabalho no Brasil".

22.5.07

Variações em torno de um tema

Thomas Love Peacock, famoso satirista inglês do século XIX, trabalhou para a Companhia das Índias Orientais, onde também era empregado James Mill, economista e pai de John Stuart Mill.

Peacock descreveu assim seu dia de trabalho, na India House, o escritório londrino da Companhia:

From ten to eleven, at a breakfast for seven;
From eleven to noon, to begin twas too soon;
From twelve to one, asked "what's to be done?"
From one to two, found nothing to do;
From two to three began to foresee
That from three to four would be a damned bore.

Uma jornada de trabalho não muito diferente daquela mantida, mais de um século depois, por uma burocrata bem conhecida nestas plagas:

Maria Candelária é alta funcionária,
Saltou de páraquedas e caiu na letra "O".
Começa ao meio-dia, coitada da Maria,

trabalha, trabalha, trabalha de fazer dó.
À uma vai ao dentista,
Às duas vai ao café,
Às três vai à modista,
Às quatro assina o ponto e dá no pé.

21.5.07

Relação (inversa) entre investimento e saldo em conta corrente


Da coluna de Affonso Celso Pastore e Maria Cristina Pinotti, no Valor Econômico:
"Teremos, em 2007, o quinto ano consecutivo de superávit em conta corrente no Brasil. O superávit na conta corrente é um excesso das exportações sobre as importações, mas somente ocorre com um aumento da poupança relativamente ao investimento. No caso brasileiro, o aumento do saldo em conta corrente se deu menos pela elevação da poupança doméstica e mais pela redução do investimento como proporção do PIB, como se vê no gráfico acima. O câmbio depreciado, que eleva o superávit na conta corrente, também eleva o custo das importações, desestimulando a formação bruta de capital fixo, que depende das importações de bens de capital e de matérias-primas".

13.5.07

Crescimento (falta de) - produtividade

Diagnóstico do diretor de Avaliação Geral do Banco Mundial, Vinod Thomas, na edição de hoje da Folha de São Paulo:
  • "Ganhos de produtividade resultantes de reformas socioeconômicas são a chave para o desempenho forte e sustentado das economias. Em 82% dos países com expansão do PIB superior a 5% ao ano, a contribuição da produtividade é maior do que 30%".
  • "Na Índia, de 1978 a 2004, a produtividade contribuiu com 30% do crescimento do PIB de 5,4% ao ano. De 2003 a 2005, a Índia aumentou seu crescimento para 8,1% ao ano, na esteira do aumento do peso da produtividade no crescimento para 43,5%. Na China, o crescimento foi de 9,3% ao ano e a contribuição da produtividade foi de 41%".
  • "Já o Brasil viveu um período de fortes ganhos de produtividade nos anos 60 e 70, com contribuição de 29% e 37% do crescimento econômico, respectivamente. O resultado foram altas taxas de crescimento - 5,9% e 8,5% na média anual. Nos anos 80 e 90, como resultado da instabilidade macroeconômica, o cenário se alterou e a produtividade contribuiu negativamente, reduzindo o potencial de crescimento do país. Nessas décadas, o PIB brasileiro subiu só 3% e 1,8% em média. A produtividade voltou a crescer somente em meados dos anos 90 no país, com as reformas e a estabilização introduzidas pelo Plano Real. O novo cenário assegurou crescimento um pouco maior de 2000 a 2005 - 3%, em média".

10.5.07

Crescimento (falta de) - competitividade (II)

O Brasil perdeu cinco posições no ranking que mede a competitividade de 55 países, elaborado pelo International Institute for Management Development (IMD). A economia brasileira aparece agora na 49ª colocação, contra a 44ª em 2006. A classificação brasileira piorou em todos os componentes do índice: desempenho econômico (de 38º para 47º lugar), eficiência empresarial (de 35º para 40º lugar), eficiência governamental (de 51º para 54º, melhor apenas do que a Venezuela) e infra-estrutura (de 46º para 49º). Entre os latino-americanos, o Chile, que caiu três postos em relação a 2006, foi o melhor colocado (26º lugar). O México perdeu duas posições, mas passou o Brasil, ficando em 47º.

(Informações publicadas na Folha de São Paulo e Valor Econômico).

3.5.07

Caudas "gordas" - it happens ...

Para algumas classes de eventos, como o abordado nesta postagem anterior, a probabilidade de ocorrência de realizações extremas (valores bastante afastados da média) é relativamente alta. Nesses casos, se diz que a distribuição de probabilidade possui caudas "gordas".
"Desde o final do século XIX, pesquisadores se deram conta de que a probabilidade do que são chamados 'eventos extremos', isto é, eventos que caem nas caudas de uma distribuição estatística e, assim, têm maior probabilidade de não ocorrer, nem sempre pode ser acuradamente prevista pela curva em forma de sino (distribuição normal). Tal tipo de atividade usualmente é melhor descrita usando-se uma distribuição com 'cauda gorda' ou distribuições estáveis de Pareto. Basicamente, sob uma distribuição deste tipo, a probabilidade de um 'evento extremo' é maior do que sob a hipótese de normalidade - enquanto no caso da curva normal as caudas se aproximam de zero quando o desvio-padrão é 3,5 ou -3,5, no caso de uma distribuição como a de Cauchy (um membro da clase de distribuições de Pareto) - a curva não chega ainda perto de zero quando o desvio-padrão é 5 ou -5 (Mello, Louis. Fat tailed distributions in catastrophe prediction)".
Clique com o mouse na figura, para melhor visualização.

Era de ouro

Martin Wolf comenta, na edição de hoje do Valor Econômico, o crescimento da economia mundial em anos recentes:

"O mundo atravessa um período de expansão econômica, medida pela paridade do poder de compra, inigualado desde o começo da década de 1970. Mais importante, todas as regiões estão apresentando bons resultados atualmente. Em 2006, a economia mundial se expandiu em 5,4%. As economias avançadas cresceram 3,1%, enquanto as economias emergentes e em desenvolvimento cresceram espantosos 7,9%. A Ásia em desenvolvimento liderou, com crescimento de 9,4% (China com 10,7% e Índia com 9,2%); mas outras regiões também tiveram bom resultado: 7,7% na Comunidade de Estados Independentes (com a Rússia a 6,7%); Europa Central e Oriental a 6%, África Subsaariana a 5,7% e a África como um todo, a 5,5%; Oriente Médio a 5,7%; e 5,5% no hemisfério ocidental (embora o Brasil só tenha obtido 3,7%). O motivo mais óbvio para encarar a euforia atual com boa dose de ceticismo é que ninguém jamais espera choques. Isto é o que os transforma em choques. Períodos dourados como este são raros e nunca duram muito. Eles precisam ser aproveitados enquanto duram. A posteridade nos condenará se negligenciarmos a oportunidade de construir um mundo melhor assentado sobre as fundações atuais".

2.5.07

Taxa de juros e taxa de câmbio

Da coluna de Alexandre Schwartzman, na Folha de São Paulo:

  • "Nos últimos 18 meses, a diferença entre as taxas de juros no Brasil e nos Estados Unidos caiu de 15% ao ano para cerca de 7% ao ano".
  • "Estimando um modelo que explica a taxa de câmbio em função do risco-país e expectativas do câmbio 12 meses à frente, além do diferencial de juros, o efeito 'puro' da taxa de juros teria feito a moeda se depreciar pouco mais de 6,5% entre outubro de 2005 e março de 2007".
  • "Esse efeito da taxa de juros, porém, foi mais do que compensado pela queda do risco-país (apreciação de 1%) e principalmente pela forte queda da expectativa de câmbio 12 meses à frente (apreciação de 15%)".
  • "A resultante dessas forças seria uma apreciação do real em torno de 9% no período, bastante próxima ao percentual observado (7,5%), sugerindo um modelo razoavelmente preciso".
  • "Há evidências de que os preços de commodities e consequentemente o desempenho futuro da balança comercial mantêm forte relação inversa com o câmbio esperado. Assim, no balanço das forças determinando a taxa de câmbio, tem prevalecido o desempenho estupendo da balança comercial".

A versão completa do artigo está disponível no blog de Schwatzman.

1.5.07