29.6.07

Mudanças demográficas e saldos em conta corrente

Diferenças nas taxas de envelhecimento da população entre os países explicam, em boa parte, o padrão de déficits e superávits em conta corrente observado internacionalmente. Tais déficits e superávits, em lugar de constituir "desequilíbrios", podem ser o resultado desejável de um comportamento otimizador. Este argumento foi apresentado por William Poole, do Federal Reserve Bank of Saint Louis, em palestra para a American European Community Association, realizada em abril.

28.6.07

O bilhao de baixo

Para Paul Collier, diretor do Center for the Study of African Economies da Universidade de Oxford, nem Jeffrey Sachs nem William Easterly sabem como "salvar a África" ou o "bilhão de baixo" - o sexto mais pobre da população mundial. A receita de Collier, proposta em um novo livro, é discutida por Niall Fergusson nesta resenha para o New York Times.

27.6.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - imposto sobre a altura

N. Mankiw e Matthew Weinzierl sugerem em um paper recente que a análise utilitarista da política tributária, de acordo com a qual a maximização do bem estar social requer que a renda pós-impostos de todos os indivíduos seja igual, implica a cobrança de um imposto sobre a altura.

Nos Estados Unidos, uma pessoa de estatura elevada ganhando 75 mil dolares por ano deveria pagar 4,5 mil dolares em impostos a mais do que uma pessoa de baixa estatura.

Este resultado, segundo os autores, decorre necessariamente da abordagem utilitarista convencional relativa ao desenho da política tributária ótima e da regularidade empírica segundo a qual, coeteris paribus, a renda das pessoas está fortemente correlacionada com sua altura.

22.6.07

Crescimento (falta de) - fim da serie?


Da coluna de Cristiano Romero, no Valor Econômico - edição de 20 de junho de 2007:
"A taxa de crescimento do PIB potencial brasileiro é 3,8% ao ano, segundo estimativa do economista José Ronaldo de Castro Souza Jr., do Ipea. O número é um ponto percentual superior ao que vinha sendo considerado antes de o IBGE mudar a metodologia de cálculo das contas nacionais (2,9%). O aperfeiçoamento do cálculo do PIB lançou luz sobre aspectos importantes da economia brasileira. Mostrou que o estoque de capital vinha crescendo a uma taxa menor que a imaginada. A produtividade, por sua vez, está evoluindo a uma taxa bem maior - 1,3% ao ano, em lugar de 0,6%. Antes da mudança de metodologia, a taxa de investimento da economia foi estimada em 20,6% do PIB em 2006. Com a revisão, recuou para 16,8%. O dado positivo, e que explica a elevação do PIB potencial, é que a taxa de investimento está em franca aceleração já há algum tempo. O dólar barato está tendo um papel importante nesse processo ao permitir a compra de máquinas e equipamentos mais modernos, o que contribui para o aumento da produtividade da economia e, conseqüentemente, do potencial de crescimento".
Sobre as estimativas anteriores de taxa de crescimento do estoque de capital e da PTF no Brasil, ver esta postagem.

17.6.07

Pobreza no mundo

Dois importantes papers sobre a pobreza no mundo:

Xavier Sala-i-Martin - The world distribution of income: falling poverty and ... convergence, period.

Shahoua Chen e Martin Ravallion - Absolute poverty measures for the developing world 1981-2004.

"Bombando" com causa? (I)

Ao contrário de Delfim Neto (vide postagem anterior), Luiz Carlos Mendonça de Barros, em artigo publicado na edição de 25 de maio da Folha de São Paulo, argumentou que a economia brasileira está "bombando" com causa:
"Os obstáculos ao crescimento sempre citados por economistas da academia e do mercado - o risco jurídico dos contratos, a elevada e ineficiente carga tributária, o crescimento dos gastos públicos, os déficits crescentes da Previdência e o baixo investimento do governo em infra-estrutura - não foram superados. Apesar da importância destes obstáculos para o desenvolvimento de uma economia de mercado moderna, não eram eles que limitavam o crescimento. A dificuldade em crescer estava na fragilidade de nossas contas externas, a qual começou a mudar a partir de 2003, com as alterações no comércio internacional provocadas pela ascensão econômica da China. Nossas exportações passaram a crescer de forma extraordinária, impulsionadas por volumes maiores e pelo aumento significativo de preços. O resultado foi a elevação das reservas externas. Em um momento de extraordinária liquidez internacional e com a busca de rendimentos mais elevados pelos investidores mais agressivos, os juros pagos pelos títulos brasileiros passaram a ser extremamente atrativos. Inicialmente, tivemos uma corrida aos papéis denominados em dólares, provocando uma queda contínua e acentuada do risco Brasil. Em um segundo movimento, iniciado em meados de 2006, os investidores passam a trocar dólares por reais e a investir em títulos da dívida interna. Com isso, está se criando um mercado de títulos de longo prazo até aqui desconhecido por nós. Essa conjugação de moeda forte, aparecimento de um mercado financeiro de prazos mais longos e juros reais bem mais razoáveis está permitindo ao empresário brasileiro voltar a investir".

Crescimento (falta de) - infraestrutura social


Diagnóstico feito por Delfim Neto, na edição de 12 de junho do Valor Economico, sobre a qualidade da política e das instituições econômicas no Brasil, o que Charles Jones chama, em seu manual de crescimento econômico, de "infraestrutura social":
  • "Temos a maior carga tributária para países com a nossa renda per capita. Esta carga tributária elevada está associada a um crescimento medíocre, revelado pelos números dentro dos pequenos círculos, no gráfico acima".
  • "Quanto à eficiência dos gastos públicos, o Brasil é o 119º classificado entre os 125 países examinados pelo World Economic Forum - 2007".
  • "Ocupamos o 79º lugar entre os 125 países analisados pelo World Economic Forum - 2006, no que diz respeito a infra-estrutura (energia, transportes etc.)".
  • "O Brasil é o 124º colocado entre os 125 países analisados pelo World Economic Forum com relação ao 'peso da regulação governamental' e o 119º colocado entre 155 países analisados no Doing Business 2005, do Banco Mundial, com relação à 'facilidade de produzir'".
  • "Somos o 92º país entre 125 com relação à independência do Judiciário, segundo a avaliação do World Economic Forum - 2006".
  • "Tem havido violação crescente e cada vez mais freqüente à propriedade privada física e temos respeitado pouco a propriedade intelectual".
  • "Já faz muito tempo que a insensatez de alguns governos locais transacionou o monopólio da força com o jogo, a droga e a bandidagem. Hoje, pelo menos no Rio, em São Paulo e em Pernambuco há dois 'Estados': um legal e outro marginal".

Para o autor, "os fatos acima sugerem que o Brasil está 'bombando' sem causa" - o ritmo atual de crescimento do PIB, nas condições descritas, é o verdadeiro milagre brasileiro.

16.6.07

15.6.07

Desigualdade de oportunidades e discriminação racial

A desigualdade de oportunidades entre brancos e negros no Brasil se deve a discriminação racial? Abaixo a resposta oferecida a esta questão por Carlos Antonio Costa Ribeiro, professor do IUPERJ, em artigo publicado na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"Para os filhos de trabalhadores pouco qualificados, não há diferença nas chances de ascensão social entre brancos, pretos e pardos, ou seja, as chances são igualmente ruins para todos no Brasil. A desigualdade de oportunidade para esses indivíduos pobres depende principalmente de sua origem de classe. A partir do momento em que as pessoas completam o segundo grau, o efeito de sua classe de origem diminui e a desigualdade nas chances de mobilidade entre brancos, pardos e pretos aumenta. Esses resultados são evidência de que, nesses níveis mais altos da sociedade, há desigualdade de oportunidades entre brancos e não-brancos. Será que é a discriminação racial que faz com que exista esse tipo de desigualdade? Não tenho resposta para essa última pergunta. Existe discriminação racial quando um empregador decide contratar um branco em vez de um preto somente por causa da cor da pele dos dois. Os dados estatísticos que utilizo não permitem dizer que isso ocorre. Temos que tomar cuidado para não confundir desigualdade com discriminação. Antes de entendermos quais são os mecanismos que levam a essa desigualdade, devemos tomar muito cuidado ao adotar políticas de promoção da igualdade entre brancos e não-brancos. No atual estágio de conhecimento, talvez seja melhor fazer tais políticas levando em conta uma série de características dos indivíduos, e não apenas a cor de sua pele".
A pesquisa de Ribeiro está reportada no paper Classe, Raça e Mobilidade Social no Brasil.

7.6.07

3.6.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - excedentes do consumidor e do produtor

Por que consumidor e produtor, ao concluir uma transação, trocam agradecimentos?

O motivo, segundo explica John Stossel neste artigo, é que ambos ganham com a troca - o consumidor paga pelo bem menos do que este vale para ele e o vendedor recebe mais do que lhe custou produzir o bem, ou seja, ambos se apropriam de um excedente.

A sugestão de leitura é de Greg Mankiw em seu blog.

2.6.07

Crescimento (falta de) - educação (III)

Segundo Naércio Menezes, em sua coluna no Valor Econômico, o processo de inclusão educacional iniciado nos anos 90 no Brasil mostra sinais de esgotamento:

  • "O número de matrículas no ensino médio passou de 4 milhões em 1992 para 9 milhões em 2003, mas tem permanecido estagnado desde então".
  • "A taxa de escolarização líquida, que indica o porcentual da população de 15 a 17 anos de idade que está matriculada no ensino médio, passou de 18% em 1992 para 45% em 2005, mas também mostra sinais de estagnação".
  • "A porcentagem dos jovens de 15 a 17 anos de idade que 'só' estuda passou de 40% em 1992 para 60% em 2001 e permaneceu neste nível a partir daí. Já a parcela que estuda e trabalha permaneceu estável em torno de 20% nos últimos 10 anos, de tal forma que, em 2005, cerca de 20% dos jovens nesta faixa etária estavam fora da escola. Dentre esses, 10% trabalhavam em tempo integral e 10% não trabalhavam nem estudavam".
  • "O aumento das matrículas no ensino médio a partir dos anos 90 foi causado principalmente pelo aumento da escolaridade das mães, diminuição da defasagem idade-série no ensino fundamental e aumento do número de concluintes neste ciclo. Já a estagnação das matrículas no período recente foi causada principalmente pela diminuição do número de concluintes no ensino fundamental, devido ao aumento da taxa de repetência".
  • "A taxa de repetência reduziu-se drasticamente no Brasil entre 1981 e 1998, ficou praticamente constante entre 1998 e 2003 e aumentou novamente a partir de 2003. O aumento aconteceu basicamente devido à eliminação do mecanismo de progressão continuada em alguns Estados e à volta do regime seriado. A evasão escolar, como sempre, acompanhou de perto o comportamento da repetência".