26.12.11

Crescimento da população em idade ativa

Crescimento da população em idade
ativa (15 a 64 anos) no Brasil - % ao ano

1980 / 1990 - 2,6%
1990 / 2000 - 2,3%
2000 / 2010 - 1,6%
2010 / 2020 - 1,2%
2020 / 2030 - 0,3%

Fonte: IBGE

24.12.11

Custos da mão de obra industrial no Brasil

Dados reportados em artido de Alex Ribeiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
"Os custos de mão de obra industrial no Brasil subiram 24% em 2010, para US$ 10,08 a hora, puxados pela valorização do câmbio e aumento real de salários, mostram estatísticas compiladas pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que comparam 34 das mais importantes economias industriais do mundo. Ainda assim, o Brasil tem custo de mão de obra industrial maior que apenas 6 dos países incluídos na amostra, entre eles a Polônia (US$ 8,01 a hora) e o México (US$ 6,23). O custo mais baixo é nas Filipinas, com US$ 1,90 a hora. Por deficiências estatísticas, o levantamento não inclui Índia e China, mas as indicações são de que nesses países os custos são bem mais baixos do que no Brasil. O custo mais alto de mão de obra é o da Noruega, com US$ 57,53 por hora, num conceito que inclui salários pagos aos trabalhadores e benefícios. Nos Estados Unidos, o custo médio é de US$ 34,74 a hora, o que representa mais de três vezes o custo de produzir no Brasil. A Argentina tem custo pouco mais alto que o Brasil, com US$ 12,66 a hora".

Lei da oferta e da procura


Como se vê na fotografia acima, a mercadoria em questão, cujo preço foi reduzido em 74%, padece de insuficiência de demanda.

16.12.11

Economistas e teoria econômica - a má reputação é merecida

Economistas talvez sejam free riders natos. Estudar teoria econômica pode transfomar bons cidadãos em  free riders. Leia aqui.

Adendo: N. G. Mankiw comenta o artigo nesta postagem.

13.11.11

Taxa de matrícula no ensino superior no Brasil

Informações de editorial da Folha de São Paulo -10 de novembro de 2011:
"De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, o número de alunos em algum curso de graduação já soma 6,4 milhões de estudantes, no Brasil. Em uma década, a alta foi de 110%. Entretanto, nossa taxa de escolarização bruta no ensino superior (a relação entre o número de alunos matriculados e a população de 18 a 24 anos) é de 36% (dados de 2009), praticamente a mesma do Paraguai (37%) e bem abaixo dos 59% do Chile ou 69% da Argentina. Quando a comparação é com os países desenvolvidos, o fosso se aprofunda. Na Espanha, são 73%, nos EUA, 89% e, na Finlândia, 92%".

29.10.11

Determinantes do hiato de produtividade entre o Brasil e os Estados Unidos

Por que a produtividade do trabalho (Y/h) no Brasil equivale a apenas 19% da produtividade americana (11,59 dólares por hora, em comparação com 61,13 dólares por hora, em 2010)?

Para responder a esta pergunta, faz-se uso da decomposição proposta por Hall e Jones (1999), derivada do modelo de crescimento de Solow, ampliado para incorporar a contribuição do capital humano.

Na decomposição de Hall e Jones (1999), supõe-se que a função de produção é do tipo Cobb-Douglas, sendo o produto por hora dado por

(Y/h) = A (e ^ r u) {(K/Y) ^ [(a/(1 - a)]}

onde

A = produtividade total dos fatores (PTF)
K = estoque de capital físico
e ^ r u = capital humano por trabalhador
r = retornos da educação
u = escolarização média

Seguindo Hall e Jones (1999), admite-se:

• participação do capital na renda (a) de 1/3.

• retornos da educação decrescentes e equivalentes a 13,4% para os primeiros 4 anos de escolarização, 10,1% para os 4 anos seguintes e 6,8% para os anos restantes.

• relação capital-produto no Brasil equivalente a 76,2% da americana.

Para estimativa do capital humano por trabalhador, dados os retornos acima mencionados, recorreu-se ainda a Barro e Lee (2010), que reportam 7,178 anos e 12,445 anos como a escolaridade média da população de 25 anos e mais no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, em 2010.

Tomando-se o valor para os Estados Unidos como equivalente a 1, as estimativas para o Brasil dos três termos que compõem a equação (1) foram:

A = 0,32
e ^ ru = 0,68
(K/Y) ^ [a/(1 - a)] = 0,873

Assim, se a relação capital-produto no Brasil fosse igual à dos Estados Unidos, tudo o mais constante, o produto por hora brasileiro seria 21,8% do americano (em lugar de 19%), enquanto a razão entre as produtividades do trabalho, obtida atribuindo-se ao Brasil o mesmo capital humano e produtividade total dos fatores dos Estados Unidos, seria 27,9% e 59,4%, respectivamente.

Em outras palavras, seria possível triplicar a produtividade do trabalho no Brasil se a economia brasileira apresentasse o mesmo nível de eficiência produtiva alcançado pela economia americana, enquanto o impacto sobre o produto por hora de elevar para o nível americano os valores da relação capital-produto e do capital humano por trabalhador seria relativamente reduzido.

Essa conclusão não se alteraria substancialmente caso se supusesse valores diferentes (inferiores) ao adotado por Hall e Jones (1999) para a relação capital-produto. Se a relação capital-produto brasileira fosse apenas 66,7% [50%] da americana, a produtividade total dos fatores no Brasil corresponderia a 34,2% [39,5%] do que é observado nos Estados Unidos.

Hall e Jones (1999), implementando este mesmo exercício, estimaram a produtividade total dos fatores no Brasil como equivalendo a 76% da americana. A discrepância entre este valor e aquele reportado acima (32%) se deve a três motivos:

• o cálculo de Hall e Jones (1999) se refere ao produto por trabalhador em 1988, enquanto aqui foram utilizadas informações sobre o produto por hora em 2010.

• a produtividade do trabalho decresceu no Brasil, relativamente aos Estados Unidos, entre 1988 e 2010, com o produto por trabalhador declinando de 24,7% para 20,6% e o produto por hora, de 22,6% para 19%, conforme as informações recolhidas pela Total Economy Database .

• a escolaridade média da população de 25 anos e mais no exercício de Hall e Jones (1999) foi tomada como sendo 3,5 anos no Brasil e 11,8 anos nos Estados Unidos, dados referentes ao ano de 1985, implicando que o capital humano por trabalhador no Brasil correspondia a apenas 48,2% do observado nos Estados Unidos, em comparação com a estimativa de 68% para 2010, aqui adotada.

Assim, na versão do exercício reportada por Hall e Jones (1999), era necessário explicar um hiato na produtividade do trabalho menor, partindo-se de uma diferença bem maior no estoque de capital humano por trabalhador entre os dois países. Daí, a diferença na PTF ter resultado menor.

Cabe, por fim, ressalvar que provavelmente a PTF brasileira foi, em alguma medida, subestimada no exercício reportado acima. Se a escolaridade média for ajustada para levar em conta as diferenças na qualidade da educação entre o Brasil e os Estados Unidos, o hiato na produtividade total dos fatores se reduziria.


Referências

Barro, R. e J. Lee (2010). Barro-Lee Education Attainment Data Set.

The Conference Board (2011). Total Economy Database.

Hall, R. e C. Jones (1999). Why Do Some Countries Produce So Much More Output Per Worker Than Others? The Quarterly Journal of Economics, 114(1), pags. 83-116.

Maddison, A. (2010). Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.

25.10.11

Determinantes da diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos


O PIB per capita pode ser decomposto em cinco fatores determinantes.

Y / POP = (Y / h) (h / L) (L / PEA) (PEA / PIA) (PIA / POP),

onde

Y = PIB
POP = população
h = total de horas trabalhadas
L = total de trabalhadores empregados
PEA = população economicamente ativa
PIA = população em idade ativa

sendo

Y / POP = renda per capita
Y / h = produto por hora (produtividade do trabalho)
h / L = horas médias trabalhadas
L / PEA = taxa de emprego
PEA / PIA = taxa de atividade
PIA / POP = estrutura etária

A Total Economy Database traz informações relativas ao ano de 2010 para as variáveis Y, POP, h e L, o que possibilita decompor o hiato de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos entre produtividade do trabalho (Y/h), horas médias trabalhadas (h/L) e proporção empregada da população total (L/POP).

Os dados mostrados na tabela indicam que o hiato de renda entre Brasil e Estados Unidos é mais do que explicado pelo hiato de produtividade. A produtividade do trabalho no Brasil alcançava apenas 19% da produtividade nos Estados Unidos, em 2010. O maior número de horas trabalhadas e a proporção mais elevada dos empregados na população total em relação aos Estados Unidos permitiam ao Brasil compensar, em parte, o diferencial de produtividade e alcançar um PIB per capita equivalente a 23% do americano, em 2010.

23.10.11

Diferença de renda per capita entre o Brasil e os países desenvolvidos


Hiato de renda entre o Brasil e os países desenvolvidos

A tabela acima traz informações sobre o hiato de renda entre o Brasil, de um lado, e os Estados Unidos, as cinco maiores economias européias e o Japão, de outro, indicando em que ano os países selecionados alcançaram o nível de PIB per capita observado no Brasil em 2008. Assim, os Estados Unidos alcançaram o nível de renda brasileiro de 2008 em 1926, ou seja, 82 anos antes, e a Espanha em 1971, com uma antecedência de 37 anos.

Diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos


Razão entre os PIBs per capita do Brasil e dos Estados Unidos

Em 1820, o PIB per capita do Brasil correspondia a 51,4% do PIB per capita dos Estados Unidos.

A razão entre os PIBs per capita brasileiro e americano se reduziu a 29,2%, em 1870, e a 16,6%, em 1900, tendendo a permanecer em torno deste último valor até 1955 (média entre 1900 e 1955 equivalente a 16,7%), com desvios mais pronunciados apenas durante a Grande Depressão (22,5%, em 1933) e a 2ª Guerra Mundial (11,2%, em 1944).

Ao longo do governo Kubitscheck (1956 – 1961), o hiato de renda entre o Brasil e os Estados Unidos começou a se reduzir, processo interrompido entre 1962 e 1967, mas retomado com vigor a partir de 1968.

Devido ao rápido crescimento econômico verificado durante o período do chamado “milagre brasileiro”, o PIB por habitante do Brasil em 1980 equivalia ao dobro do seu valor em 1967, alcançando 28,0% do PIB por habitante dos Estados Unidos, nível que havia sido observado pela última vez um século antes, em 1878.

As décadas de 80 e 90 foram de divergência, com a razão entre os PIBs per capita declinando para menos de 20%, patamar do qual só começaria a se afastar em 2007.

Fonte: Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.

(um clique do mouse sobre o gráfico permitirá melhor visualização)

9.8.11

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2010 (II) - ranking dos países

 

A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

Os 10 países listados respondem por 62% do PIB e 52% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 19% do PIB global, apresentando uma renda per capita 4,2 vezes maior do que a média mundial.

China e Índia, apesar de responderem juntas também por 19% do PIB mundial, são países bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 16% e 7,5%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália tem renda per capita no intervalo entre 66% e 80% da renda americana.

O Brasil é um país de renda média. Respondendo por perto de 3% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita igual à média dos 180 países pesquisados e equivalente a 24% da renda americana.

As informações sobre PIB e população em que se baseia a tabela foram produzidas pelo Banco Mundial.

8.8.11

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2010 (I)



A tabela acima foi construída a partir de informações produzidas pelo Banco Mundial sobre o PIB e população de 180 países, em 2010 (um clique do mouse sobre a tabela permitirá melhor visualização).

As estimativas para o valor em dólares do PIB dos países foram obtidas através de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC). Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo poder de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto de diferentes economias nacionais.

O PIB mundial alcançou o valor de 76,3 trilhões de dólares em 2010.

O PIB per capita mundial, dada a população, de 6,9 bilhões de pessoas, foi de 11 128 dólares, naquele ano.

Os países de alta renda concentram 55% da produção mundial e abrigam apenas 16,4% da população. Os países de renda baixa e média, onde residem 83,6% da população mundial, respondem por apenas 45% do produto.

A renda per capita dos Estados Unidos é 4,2 vezes maior do que a renda média mundial e 21 vezes maior do que a renda média da África Sub-Sahariana, a região mais pobre do planeta.

A América Latina e Caribe tem renda per capita praticamente equivalente à média mundial.

7.8.11

Mercado de casamentos

Robert Frank expõe como funciona o mercado de casamentos, na coluna Economic View deste domingo, em The New York Times. O modelo ajuda a explicar a revolução sexual dos anos 60 e o tamanho das residências e atitude em relação ao risco hoje na China.

25.7.11

Produtividade total dos fatores e crescimemto econômico na América Latina

O atraso das economias latinoamericanas se deve principalmente à ineficiência produtiva, não à falta de investimento, de acordo com Eduardo Lora e Carmen Pagés, economistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em artigo publicado na revista Finance and Development. Os determinantes da baixa produtividade total dos fatores na AL são analisados no artigo.

10.7.11

Mudança estrutural e aumento da produtividade

Margaret McMillan e Dani Rodrik argumentam, neste NBER Working Paper, que a diferença nas taxas de crescimento da produtividade do trabalho verificada entre a América Latina e a África, de um lado, e a Ásia Oriental, de outro, no período 1990/2005, se explica em boa medida por diferenças no padrão de "mudança estrutural", isto é, mudanças na composição do emprego. Na América Latina e África, a participação dos setores de baixa produtividade no emprego total aumentou, enquanto na Ásia Ocidental se reduziu. A "mudança estrutural" tende, em geral, a afetar negativamente o aumento da produtividade em países com vantagem comparativa em recursos naturais, moeda sobrevalorizada e mercados de trabalho pouco flexíveis.

28.6.11

Crescimento econômico durante o governo Lula - 2003/10

Durante o governo Lula, a taxa de crescimento do PIB no Brasil foi equivalente a pouco mais da metade da taxa de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento e semelhante à taxa de crescimento da economia mundial.

Taxa de crescimento do PIB - 2003/2010 (% ao ano)

Mundo - 3,87%
Emergentes e em Desenvolvimento - 6,75%
América Latina e Caribe - 4,07%
Brasil - 3,98%

Note-se que, excluído o Brasil do seu cômputo, a taxa de crescimento da América Latina e Caribe, entre 2003 e 2010, foi maior do que a registrada acima e, portanto, ficou ainda mais distante da taxa de crescimento brasileira.

Fonte: FMI - World Economic Outlook, Abril de 2011

18.9.10

Investimento e déficit em conta corrente

Da coluna de Alexandre Schwartzman, na Folha de São Paulo - 15 de setembro de 2010:
  • Nos últimos 62 trimestres, observa-se clara relação positiva entre a razão investimento-PIB e o deficit externo - o investimento e o deficit externo caminham na mesma direção. Há outro fato interessante: praticamente toda vez que o investimento supera 17,5% do PIB, as importações excedem as exportações; apenas em três trimestres (desde 1995) isso não ocorreu.
  • Tal fenômeno reflete a baixa poupança nacional. De 2000 para cá, a poupança bruta atingiu, em média, pouco mais de 17% do PIB, tomando-se como base os números trimestrais sazonalmente ajustados, não por acaso patamar bastante semelhante àquele a partir do qual o nível do investimento corresponde a deficit externos.
  • A reduzida poupança nacional não parece resultar de um consumo privado particularmente elevado. O consumo brasileiro, em torno de 63% do PIB, além de inferior à média de Argentina, Chile, Colômbia e México, é também o menor nessa (limitada) amostra.
  • A grande diferença refere-se ao consumo do governo. Em 2009, o gasto público nesse conceito atingiu pouco menos de 21% do PIB, enquanto na média daqueles países ficou em 13,6% do PIB.
  • Se o governo estivesse mesmo preocupado com a evolução das contas externas, o remédio seria um programa de austeridade fiscal. Isso se traduziria em redução da demanda doméstica, permitindo a queda da Selic e a consequente depreciação cambial e redução do deficit externo.

30.8.10

Hausmann e a fantasia lulista

Trechos da entrevista de Ricardo Hausmann, publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo:
  • "O principal problema com muitos países é que, quando as coisas começam a parecer bem, eles se tornam arrogantes. Passam a acreditar num mundo de fantasia. Só porque teve por um trimestre uma taxa de crescimento acima de 7%, o Brasil agora é a nova China e o Lula é um gênio das finanças, e todos os problemas anteriores não existem mais porque o Brasil é um país diferente. Há toda uma narrativa que tem sido criada por conta de alguns bons trimestres que pode levar a políticas macroeconômicas muito inconvenientes. Quando o Lula foi eleito, em 2002, houve uma crise econômica e ele foi muito cuidadoso. Agora, eles começaram a pensar que sabem mais e estão menos dispostos a serem cuidadosos. Estão se tornando mais ideológicos".
  • "Você tem uma política macroeconômica em que o BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio. Essa combinação deixa a SELIC muito alta em um período em que as taxas de juros globais estão muito baixas. Isso leva os investidores a pegar dinheiro emprestado em dólares, em ienes ou em euros para colocar no Brasil, o que gera uma forte apreciação da taxa de câmbio e a possibilidade de desindustrialização".
  • "A deterioração do déficit em conta-corrente indica que a expansão do gasto é mais rápida do que a expansão da produção. O efeito disso é apreciar a taxa de câmbio, desestimulando as atividades exportadoras, para liberar recursos produtivos para atender a esse boom temporário do consumo. Todas as indicações são de que as condições fiscais e a política financeira do setor público são excessivamente expansionistas. Isso vai causar prejuízo para as perspectivas de crescimento de longo prazo".
  • "Lula construiu um capital político enorme, mas esse capital político não se traduziu em nenhuma reforma significativa. Ele não tem nada a mostrar em termos de ter resolvido problemas antigos relacionados à baixa taxa de poupança, ao sistema de previdência, à infraestrutura, a ter uma estrutura tributária mais normal e funcional. Apesar do seu enorme capital político, ele não foi capaz de fazer nenhuma reforma significativa como as feitas pelo antecessor dele. E, recentemente, ele tem se movido na direção contrária. A grande sorte do presidente Lula foi ter tido um ótimo antecessor . O próximo presidente do Brasil não terá a mesma sorte".

30.5.10

Objetivos de Desenvolvimento do Milênio - mortalidade infantil e materna

A mortalidade de crianças abaixo de 5 anos, de acordo com dados para 187 países, deverá se reduzir de 11,9 milhões, em 1990, para 7,7 milhões, em 2010, segundo artigo publicado em The New York Times.

O número de mortes de mulheres em decorrência de gravidez ou parto se reduziu de 526,3 mil, em 1980, para 342,9 mil, em 2008, conforme outro artigo no mesmo jornal.

23.5.10

Restrições ao crescimento econômico no Brasil

Quais são as principais restrições ao crescimento econômico no Brasil? Uma excelente análise dessa questão é apresentada por Juan Blyde e co-autores, em artigo da seríe Technical Notes, publicada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.  

Economia da felicidade

Ben Bernanke resume os principais achados e recomendações da teoria econômica da felicidade, neste discurso para os formandos de 2010 da University of South Carolina.

20.2.10

Maior torcida de Minas (e de Belo Horizonte) (II)


O Cruzeiro venceu novamente o Atlético hoje. Nos últimos 12 jogos, derrotou a patética competição local 9 vezes e perdeu apenas 1 vez, com o time reserva.

O melhor time de Minas possui também a maior torcida. Em Belo Horizonte, 43% da população torcem pelo Cruzeiro e 30% pertencem à definhante torcida adversária. Em Minas Gerais, a torcida do Cruzeiro é duas vezes maior do que a definhante - 31% contra 15%. Os dados são de pesquisa do Data Folha, realizada entre 14 e 18 de dezembro de 2009.

(As flanelinhas da foto representam um agradecimento ao Atlético por ter guardado a vaga do Cruzeiro na Copa Libertadores 2010, durante todo o campeonato brasileiro do ano passado).

Política macroeconômica depois da Grande Recessão

Que lições para a condução da política macroeconômica decorrem da crise financeira de 2008 - 09? Olivier Blanchard e co-autores oferecem uma resposta, neste artigo.

17.1.10

A crise financeira americana, segundo Bernanke

Ben Bernanke defendeu, em palestra realizada em 3 de janeiro, no Encontro Anual da American Economic Association, a política monetária adotada pelo Federal Reseve Bank, entre 2001 e 2006. Alguns economistas proeminentes, como John Taylor, têm responsabilizado esta política pela formação da bolha no mercado de imóveis que esteve na origem da crise financeira de 2007-2009. De acordo com Bernanke, a política monetária adotada pelo FED, naquele período, não parece tão "frouxa", quando se considera, como seria correto, a expectativa de inflação então prevalecente, em lugar da inflação corrente.

Além disso, não há, segundo Bernanke, relação econômica e estatisticamente significativa entre o grau de acomodação da política monetária e a apreciação real dos imóveis, quando se examina a evidência para 20 países desenvolvidos, entre 2002 e 2006. O aumento real do preço dos imóveis, nesta amostra de países, está associado, em parte, à entrada de capital estrangeiro, o que seria consistente com a hipótese de excesso de poupança na economia mundial ("savings glut"), proposta anteriormente pelo próprio Bernanke.

Para Bernanke, a bolha no mercado imobiliário se deveu a falhas na regulação e supervisão do sistema financeiro, não a erros na condução da política monetária.

30.12.09

Ciclo de negócios no Brasil



Fonte: Comitê de Datação de Ciclos Econômicos -
Valor Econômico, 29 de dezembro de 2009

22.11.09

Ajuda econômica internacional

Nicholas Kristof resume o debate atual sobre a efetividade da ajuda econômica internacional aos países pobres, em artigo publicado em The New York Times.

18.11.09

Produtividade total dos fatores - taxa de crescimento 1990 / 2008



Reproduzido de The Economist - edição desta semana.

2.11.09

Avanços da escolaridade no Brasil



Da coluna de Naércio Menezes, no Valor Econômico deste fim de semana:
  • "A figura acima mostra que a porcentagem de jovens que, aos 22 anos de idade, tinha concluído apenas alguma série do ensino fundamental era de 60% em 1998 e declinou para 30% em 2008. A parcela de jovens que atinge o ensino médio passou de 30% para 50%, enquanto a parcela que chega ao ensino superior está perto de 20%, ou seja, dobrou nos últimos 10 anos. Analisar o perfil educacional dos mais jovens é importante porque as mudanças na margem antecipam o que acontecerá com os trabalhadores do país no futuro, quando esses jovens forem incorporados ao mercado de trabalho, se o ritmo da evolução educacional permanecer o mesmo".
  • "Ainda há muito a ser feito, em termos de acesso à educação no Brasil. Somente 55% dos nossos jovens entre 25 e 29 anos de idade completam pelo menos o ensino médio. Nos EUA, essa porcentagem atualmente é de 90%. Ela era 55% em 1950, ou seja, estamos 58 anos atrasados. Com relação ao ensino superior, 30% da população americana acima de 25 anos de idade hoje tem ensino superior, enquanto no Brasil esse índice ainda é de 10%".
  • "Em termos salariais, continua valendo a pena estudar, apesar da entrada maciça de jovens mais educados no mercado de trabalho. Entre os empregados, o salário médio dos que pararam de estudar em alguma série do ensino fundamental dobrou nos últimos 10 anos, passando de R$ 305 para R$ 605, como resultado dos aumentos reais de salário mínimo. O salário médio das pessoas que concluíram o ensino médio aumentou 48% no mesmo período, enquanto a remuneração dos formados no ensino superior aumentou só 35%. Mesmo assim, quem completa o ensino superior hoje no Brasil recebe, em média, R$ 2.500, cerca de 4 vezes mais do que quem parou de estudar no ensino fundamental. Já a diferença salarial entre quem completa o ensino médio e quem tem somente o ensino fundamental é de 59%".

1.11.09

Crise financeira internacional de 2008

Abaixo links para um excelente conjunto de artigos relativos à crise financeira internacional de 2008:

Alan Greenspan. The roots of the mortgage crisis.

Alan Greenspan. The Fed didn’t cause the housing bubble.

Barry Eichengreen. The last temptation of risk.

Dani Rodrik. Who killed Wall Street.

Guido Tabellini. Lessons for the future: ideas and rules for the world in the aftermath of the storm.

John Taylor. How government created the financial crisis.

Martin Wolf. Financial globalisation, growth and asset prices.

Robert Frank. Pursuit of an edge, in steroids or stocks.

Robert Frank. Flaw in free markets: humans.

Robert Shiller. How a bubble stayed under the radar.

Tyler Cowen. Three trends and a train wreck.

29.8.09

Valorização da taxa de câmbio - a doença brasileira

Porque a taxa de câmbio tende à valorização no Brasil, de acordo com Samuel Pessoa, em matéria publicada no Valor Economico:

"O nível do câmbio está muito associado ao nível de poupança do país. Países que poupam pouco, como o Brasil (no primeiro trimestre, foram apenas 11,1% do PIB), tendem a ter um câmbio mais valorizado. A China, que poupa cerca de metade do PIB, tem facilidade para ter uma taxa de câmbio desvalorizada. Assim, a melhor opção para o Brasil ter uma moeda mais competitiva seria aumentar o nível de poupança pública, o que passa pela contenção de gastos públicos".

Educação básica no Brasil

Dados publicados no livro "Educação Básica no Brasil", organizado por Fernando Veloso, Samuel Pessoa, Ricardo Henriques e Fábio Giambiagi:
  • Enquanto apenas 30% da população com 25 anos a 64 anos de idade completou o ensino médio no Brasil, o percentual atinge 88% nos Estados Unidos, 83% na Alemanha, 77% na Coréia do Sul e 50% na Espanha e Chile.
  • Comparando-se esse indicador para os grupos etários de 25 a 34 anos (os jovens de hoje) e de 55 a 64 anos (os jovens de três décadas atrás), verifica-se que, na Espanha, no grupo de 55 a 64 anos, apenas 27% têm ensino médio completo, ao passo que entre os mais jovens (25 a 34 anos) o percentual atinge 64%. No Chile, tais porcentagens são de 32% e 64%, respectivamente. Na Coréia do Sul, não apenas os mais idosos têm níveis de educação similares aos dos jovens de hoje no Brasil (37%), mas o percentual de jovens que concluiu o ensino médio atingiu 97%. No Brasil, as mesmas percentagens correspondem a 11% e 38%, uma diferença de 27%, bem menor do que os 60% de diferença da Coréia do Sul.

2.8.09

Redução da criminalidade

Em 2000, ocorriam em média 15 assassinatos por dia em São Paulo - capital. Agora, são 3,5. As causas desta redução, segundo a Folha de São Paulo, foram a forte expansão no número de unidades prisionais, o investimento na capacitação policial, o aperfeiçoamento de métodos e o aumento dos índices de elucidação de crimes, o fim das grandes ondas de migração e a elevação da idade média da população.

Em artigo em The New York Times, também publicado hoje, estes e outros fatores são mencionados como explicação para a queda rápida e generalizada das taxas de criminalidade nos Estados Unidos, mas a conclusão é que não se sabe ao certo o que está por trás desta tendencia.

26.7.09

Investimento e déficit em conta corrente


Affonso Celso Pastore explica, em entrevista para o Valor Econômico - edição de 21 de julho, porque a aceleração do crescimento no Brasil tende a ser acompanhada por aumento no déficit em transações correntes:
  • "Superávits em conta corrente estão associados no Brasil a menor investimento, como mostra a evolução trimestral da conta corrente como proporção do PIB e da taxa de investimento (a preços de 2000), desde 1995".
  • "Para acelerar o crescimento, é preciso, portanto, aceitar déficits em conta corrente. Isto somente não ocorreria se houvesse uma elevação da poupança nacional, mas não há indicação de que a atual política econômica esteja levando a esse resultado. O Brasil poupa menos de 20% do PIB - no primeiro trimestre de 2009, apenas 11,1% do PIB. Com uma conta corrente deficitária, o país absorve poupança externa, que complementa a baixa poupança nacional".
  • "O consumo das famílias na China atualmente é de 35% do PIB, muito mais baixo do que o consumo em relação ao PIB no Brasil (superior a 60%). A China poupa 50% do PIB, o que lhe permite manter superávits na conta corrente e taxas muito elevadas de crescimento. Se o Brasil quiser seguir este modelo, terá que elevar a poupança nacional, o que significa, entre outras coisas, que o governo tem de parar de aumentar os gastos de custeio e de consumo, elevando os investimentos".

25.7.09

Causas da redução do coeficiente de Gini no Brasil

O coeficiente de Gini se reduziu de 0,59 para 0,53, entre 2001 e 2007, no Brasil.

Em artigo da serie One Pager, publicada pelo International Policy Centre for Inclusive Growth, Degol Hailu e Sergei Soares atribuem um terço desta queda a melhoras na educação, verificadas desde o início dos anos 90 e decorrentes da universalização do acesso ao ensino primário e da redução das taxas de repetência.

Outro terço da redução do coeficiente de Gini seria explicado, segundo os autores, pelos vários programas de transferência de renda instituídos no Brasil, nos últimos 15 anos.

28.6.09

Fatos estilizados do crescimento

Charles Jones e Paul Romer descrevem, neste artigo, os "novos" fatos estilizados do crescimento, identificados pela vasta literatura empírica sobre crescimento econômico, produzida a partir de meados dos anos 80:
  • "Fluxos crescentes de bens, recursos financeiros, pessoas e idéias têm aumentado a extensão do mercado para trabalhadores e consumidores".
  • "Há milhares de anos, o crescimento da população e da renda per capita tem se acelerado, passando de praticamente zero para as taxas relativamente altas observadas no último século".
  • "A variação nas taxas de crescimento da renda per capita aumenta com a distancia em relação à fronteira tecnológica".
  • "Diferenças na quantidade de insumos explicam menos da metade das grandes diferenças de renda per capita entre os países".
  • "O capital humano por trabalhador está crescendo rapidamente em todo o mundo".
  • "A quantidade crescente de capital humano em relação ao trabalho não qualificado não tem sido acompanhada por um declínio sustentado no seu preço relativo".

12.6.09

Frase do dia

"Um erro comum é tomar altas taxas de crescimento como medida de sucesso, tendo em vista que o crescimento surge e desaparece misteriosamente. Os fracassos de ontem no que diz respeito ao crescimento (por exemplo, a Índia) são os sucessos de hoje, enquanto os sucessos de ontem (por exemplo, o Brasil) são os fracassos de hoje. A maior parte desta volatilidade é inexplicável e imprevisível. Conceder crédito a quem quer que seja o líder que esteja no poder durante um surto de crescimento é apenas raciocínio circular - como sabemos que ele é um grande líder? porque houve crescimento elevado" (William Easterly, Financial Times - 28 de maio de 2008).

31.5.09

História e desenvolvimento econômico

Nathan Nunn faz uma ampla revisão da literatura empírica que examina os efeitos de longo prazo de eventos históricos sobre o nível atual de desenvolvimento econômico dos países, neste NBER Working Paper.

17.5.09

Causas da Grande Moderação

O que explica a Grande Moderação, os 25 anos de crescimento econômico quase ininterrupto com baixa inflação, nos Estados Unidos, entre 1982 e 2006?

Para alguns economistas, este teria sido o resultado de avanços na condução da política econômica, em particular da política monetária. Virginia Postrel apresenta outras interpretações, neste artigo em The Atlantic.

A crise financeira americana, segundo Posner

Duas resenhas do recém-publicado livro de Richard Posner sobre a crise financeira americana - de Robert Solow, em The New York Review of Books, e de Jonathan Rauch, em The New York Times.

22.3.09

Greenspan (se) explica (II)

John Taylor, em artigo publicado em The Wall Street Journal, resumindo a análise do seu NBER Working Paper mencionado aqui, atribuiu a crise financeira americana a "excessos" da política monetária conduzida pelo FED, especialmente em 2003-05.

Alan Greenspan se defende neste artigo, também no WSJ.

21.3.09

De quem é a culpa

Danny Rodrik argumenta neste artigo que os economistas, não a teoria econômica, devem ser responsabilizados pela crise financeira internacional.

15.2.09

Alavancagem (II)

"A causa principal do colapso do sistema financeiro global reside na queda abrupta dos valores dos bens. O efeito da queda nos preços dos ativos é multiplicado pela alavancagem que existia nos balanços dos grandes bancos. Em muitos casos, o valor total dos ativos era 25 ou 30 vezes maior do que o capital. Uma perda média de 3% nos ativos, num banco alavancado 30 vezes, resulta na perda de 90% do capital. Essa alavancagem excessiva resultou em grandes perdas, que, por sua vez, levaram à insolvência de muitas das maiores instituições financeiras em várias economias" (Flávio Bartman, em entrevista publicada na Folha de São Paulo - edição de 7 de fevereiro de 2009).

31.1.09

A crise financeira americana, segundo Taylor

John Taylor explica o que houve de errado, neste NBER Working Paper.

2.1.09

Distribuição de felicidade

Embora a distribuição de renda nos Estados Unidos tenha se tornado mais desigual, a distribuição de felicidade se tornou mais igualitária nos últimos 35 anos. O hiato de felicidade desapareceu entre homens e mulheres, se reduziu em dois terços entre brancos e negros e se contraiu também entre os quartis mais e menos feliz, segundo artigo de Eduardo Porter, publicado em julho de 2008, em The New York Times.

A crise econômica atual pode ter mudado este quadro? O mais provável é que não, de acordo com Sonja Lyubomirsky, em artigo também publicado no NYT, em dezembro.

31.12.08

Conversas com economistas - Romers e Rogoff

A seção de Minneapollis do Federal Reserve Bank edita a revista The Region, a qual regularmente publica entrevistas com economistas de prestígio.

A lista de entrevistados inclui Arrow, Bernanke, Blinder, Buchanan, Friedman, Harberger, Lucas, Prescott, Sargent, Stigler, Stiglitz e Tobin, entre outros.

Nas duas últimas edições da revista, foram entrevistados Cristina e David Romer e Keneth Rogoff.

27.12.08

Pluralismo acadêmico

John Kay, professor da London School of Economics, define, em artigo no Financial Times, os limites do pluralismo acadêmico:
"Saudar a existência de visões divergentes não é o mesmo que dizer que qualquer coisa vale. Há uma diferença entre aceitar que possa haver interpretações alternativas da mesma evidência e respeitar um ponto de vista para o qual não existe evidência simplesmente porque alguém o defende".