Crescimento da população em idade ativa
Dados reportados em artido de Alex Ribeiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
"Os custos de mão de obra industrial no Brasil subiram 24% em 2010, para US$ 10,08 a hora, puxados pela valorização do câmbio e aumento real de salários, mostram estatísticas compiladas pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que comparam 34 das mais importantes economias industriais do mundo. Ainda assim, o Brasil tem custo de mão de obra industrial maior que apenas 6 dos países incluídos na amostra, entre eles a Polônia (US$ 8,01 a hora) e o México (US$ 6,23). O custo mais baixo é nas Filipinas, com US$ 1,90 a hora. Por deficiências estatísticas, o levantamento não inclui Índia e China, mas as indicações são de que nesses países os custos são bem mais baixos do que no Brasil. O custo mais alto de mão de obra é o da Noruega, com US$ 57,53 por hora, num conceito que inclui salários pagos aos trabalhadores e benefícios. Nos Estados Unidos, o custo médio é de US$ 34,74 a hora, o que representa mais de três vezes o custo de produzir no Brasil. A Argentina tem custo pouco mais alto que o Brasil, com US$ 12,66 a hora".
Economistas talvez sejam free riders natos. Estudar teoria econômica pode transfomar bons cidadãos em free riders. Leia aqui.
Informações de editorial da Folha de São Paulo -10 de novembro de 2011:
"De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, o número de alunos em algum curso de graduação já soma 6,4 milhões de estudantes, no Brasil. Em uma década, a alta foi de 110%. Entretanto, nossa taxa de escolarização bruta no ensino superior (a relação entre o número de alunos matriculados e a população de 18 a 24 anos) é de 36% (dados de 2009), praticamente a mesma do Paraguai (37%) e bem abaixo dos 59% do Chile ou 69% da Argentina. Quando a comparação é com os países desenvolvidos, o fosso se aprofunda. Na Espanha, são 73%, nos EUA, 89% e, na Finlândia, 92%".
Por que a produtividade do trabalho (Y/h) no Brasil equivale a apenas 19% da produtividade americana (11,59 dólares por hora, em comparação com 61,13 dólares por hora, em 2010)?
Robert Frank expõe como funciona o mercado de casamentos, na coluna Economic View deste domingo, em The New York Times. O modelo ajuda a explicar a revolução sexual dos anos 60 e o tamanho das residências e atitude em relação ao risco hoje na China.
O atraso das economias latinoamericanas se deve principalmente à ineficiência produtiva, não à falta de investimento, de acordo com Eduardo Lora e Carmen Pagés, economistas do Banco Interamericano de Desenvolvimento, em artigo publicado na revista Finance and Development. Os determinantes da baixa produtividade total dos fatores na AL são analisados no artigo.
Margaret McMillan e Dani Rodrik argumentam, neste NBER Working Paper, que a diferença nas taxas de crescimento da produtividade do trabalho verificada entre a América Latina e a África, de um lado, e a Ásia Oriental, de outro, no período 1990/2005, se explica em boa medida por diferenças no padrão de "mudança estrutural", isto é, mudanças na composição do emprego. Na América Latina e África, a participação dos setores de baixa produtividade no emprego total aumentou, enquanto na Ásia Ocidental se reduziu. A "mudança estrutural" tende, em geral, a afetar negativamente o aumento da produtividade em países com vantagem comparativa em recursos naturais, moeda sobrevalorizada e mercados de trabalho pouco flexíveis.
Durante o governo Lula, a taxa de crescimento do PIB no Brasil foi equivalente a pouco mais da metade da taxa de crescimento dos países emergentes e em desenvolvimento e semelhante à taxa de crescimento da economia mundial.
Da coluna de Alexandre Schwartzman, na Folha de São Paulo - 15 de setembro de 2010:
Trechos da entrevista de Ricardo Hausmann, publicada na edição de hoje da Folha de São Paulo:
A mortalidade de crianças abaixo de 5 anos, de acordo com dados para 187 países, deverá se reduzir de 11,9 milhões, em 1990, para 7,7 milhões, em 2010, segundo artigo publicado em The New York Times.
Quais são as principais restrições ao crescimento econômico no Brasil? Uma excelente análise dessa questão é apresentada por Juan Blyde e co-autores, em artigo da seríe Technical Notes, publicada pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Ben Bernanke resume os principais achados e recomendações da teoria econômica da felicidade, neste discurso para os formandos de 2010 da University of South Carolina.
Que lições para a condução da política macroeconômica decorrem da crise financeira de 2008 - 09? Olivier Blanchard e co-autores oferecem uma resposta, neste artigo.
Ben Bernanke defendeu, em palestra realizada em 3 de janeiro, no Encontro Anual da American Economic Association, a política monetária adotada pelo Federal Reseve Bank, entre 2001 e 2006. Alguns economistas proeminentes, como John Taylor, têm responsabilizado esta política pela formação da bolha no mercado de imóveis que esteve na origem da crise financeira de 2007-2009. De acordo com Bernanke, a política monetária adotada pelo FED, naquele período, não parece tão "frouxa", quando se considera, como seria correto, a expectativa de inflação então prevalecente, em lugar da inflação corrente.
Nicholas Kristof resume o debate atual sobre a efetividade da ajuda econômica internacional aos países pobres, em artigo publicado em The New York Times.
Abaixo links para um excelente conjunto de artigos relativos à crise financeira internacional de 2008:
Porque a taxa de câmbio tende à valorização no Brasil, de acordo com Samuel Pessoa, em matéria publicada no Valor Economico:
"O nível do câmbio está muito associado ao nível de poupança do país. Países que poupam pouco, como o Brasil (no primeiro trimestre, foram apenas 11,1% do PIB), tendem a ter um câmbio mais valorizado. A China, que poupa cerca de metade do PIB, tem facilidade para ter uma taxa de câmbio desvalorizada. Assim, a melhor opção para o Brasil ter uma moeda mais competitiva seria aumentar o nível de poupança pública, o que passa pela contenção de gastos públicos".
Dados publicados no livro "Educação Básica no Brasil", organizado por Fernando Veloso, Samuel Pessoa, Ricardo Henriques e Fábio Giambiagi:
Em 2000, ocorriam em média 15 assassinatos por dia em São Paulo - capital. Agora, são 3,5. As causas desta redução, segundo a Folha de São Paulo, foram a forte expansão no número de unidades prisionais, o investimento na capacitação policial, o aperfeiçoamento de métodos e o aumento dos índices de elucidação de crimes, o fim das grandes ondas de migração e a elevação da idade média da população.

O coeficiente de Gini se reduziu de 0,59 para 0,53, entre 2001 e 2007, no Brasil.
Charles Jones e Paul Romer descrevem, neste artigo, os "novos" fatos estilizados do crescimento, identificados pela vasta literatura empírica sobre crescimento econômico, produzida a partir de meados dos anos 80:
"Um erro comum é tomar altas taxas de crescimento como medida de sucesso, tendo em vista que o crescimento surge e desaparece misteriosamente. Os fracassos de ontem no que diz respeito ao crescimento (por exemplo, a Índia) são os sucessos de hoje, enquanto os sucessos de ontem (por exemplo, o Brasil) são os fracassos de hoje. A maior parte desta volatilidade é inexplicável e imprevisível. Conceder crédito a quem quer que seja o líder que esteja no poder durante um surto de crescimento é apenas raciocínio circular - como sabemos que ele é um grande líder? porque houve crescimento elevado" (William Easterly, Financial Times - 28 de maio de 2008).
Nathan Nunn faz uma ampla revisão da literatura empírica que examina os efeitos de longo prazo de eventos históricos sobre o nível atual de desenvolvimento econômico dos países, neste NBER Working Paper.
O que explica a Grande Moderação, os 25 anos de crescimento econômico quase ininterrupto com baixa inflação, nos Estados Unidos, entre 1982 e 2006?
Duas resenhas do recém-publicado livro de Richard Posner sobre a crise financeira americana - de Robert Solow, em The New York Review of Books, e de Jonathan Rauch, em The New York Times.
John Taylor, em artigo publicado em The Wall Street Journal, resumindo a análise do seu NBER Working Paper mencionado aqui, atribuiu a crise financeira americana a "excessos" da política monetária conduzida pelo FED, especialmente em 2003-05.
Danny Rodrik argumenta neste artigo que os economistas, não a teoria econômica, devem ser responsabilizados pela crise financeira internacional.
"A causa principal do colapso do sistema financeiro global reside na queda abrupta dos valores dos bens. O efeito da queda nos preços dos ativos é multiplicado pela alavancagem que existia nos balanços dos grandes bancos. Em muitos casos, o valor total dos ativos era 25 ou 30 vezes maior do que o capital. Uma perda média de 3% nos ativos, num banco alavancado 30 vezes, resulta na perda de 90% do capital. Essa alavancagem excessiva resultou em grandes perdas, que, por sua vez, levaram à insolvência de muitas das maiores instituições financeiras em várias economias" (Flávio Bartman, em entrevista publicada na Folha de São Paulo - edição de 7 de fevereiro de 2009).
John Taylor explica o que houve de errado, neste NBER Working Paper.
Embora a distribuição de renda nos Estados Unidos tenha se tornado mais desigual, a distribuição de felicidade se tornou mais igualitária nos últimos 35 anos. O hiato de felicidade desapareceu entre homens e mulheres, se reduziu em dois terços entre brancos e negros e se contraiu também entre os quartis mais e menos feliz, segundo artigo de Eduardo Porter, publicado em julho de 2008, em The New York Times.
A seção de Minneapollis do Federal Reserve Bank edita a revista The Region, a qual regularmente publica entrevistas com economistas de prestígio.
John Kay, professor da London School of Economics, define, em artigo no Financial Times, os limites do pluralismo acadêmico:
"Saudar a existência de visões divergentes não é o mesmo que dizer que qualquer coisa vale. Há uma diferença entre aceitar que possa haver interpretações alternativas da mesma evidência e respeitar um ponto de vista para o qual não existe evidência simplesmente porque alguém o defende".