| Regiões | Renda per capita mundial = 100 |
| Ásia Ocidental e Pacífico | 106 |
| Europa e Ásia Central | 191 |
| América Latina e Caribe | 93 |
| Oriente Médio e Norte da África | 117 |
| América do Norte | 364 |
| Sul da Ásia | 38 |
| África Subsaariana | 22 |
17.8.17
Distribuição geográfica da renda (PNB) mundial em 2016 - Regiões (fonte: Banco Mundial)
16.8.17
Distribuição geográfica do PIB mundial em 2016 - Países (fonte: Banco Mundial)
| País |
% do PIB
mundial
|
% da
população mundial
|
PIB per
capita do mundo=100
|
PIB per
capita EUA=100
|
| China | 17,8 | 18,5 | 96 | 27 |
| Estados Unidos | 15,5 | 4,3 | 360 | 100 |
| Índia | 7,2 | 17,8 | 40 | 11 |
| Japão | 4,4 | 1,7 | 259 | 72 |
| Alemanha | 3,3 | 1,1 | 300 | 83 |
| Rússia | 2,8 | 1,9 | 147 | 41 |
| Brasil | 2,6 | 2,8 | 93 | 26 |
| Indonésia | 2,5 | 3,5 | 71 | 20 |
| Reino Unido | 2,3 | 0,9 | 255 | 71 |
| França | 2,3 | 0,9 | 255 | 71 |
| Total | 60,7 | 53,4 | 114 | 32 |
(Informações para o ano de 2018 podem ser obtidas aqui).
18.7.17
Contração fiscal expansionista
Uma
redução do déficit do governo pode ter efeitos expansionistas sobre a produção e
o emprego? A experiência recente da Grécia é frequentemente citada como
evidência contrária a esta hipótese.
Andrés
Velasco, em artigo publicado em Project Syndicate, argumenta, entretanto, que,
no atual contexto brasileiro, uma contração fiscal pode ser expansionista,
porque pode ser acompanhada por redução da taxa de juros real e desvalorização da taxa de câmbio real, o que, para a Grécia, devido à sua condição de membro da
zona do euro, não era possível.
22.6.17
Curva de Phillips
A
taxa de desemprego variou acentuadamente nos Estados Unidos, na última década,
enquanto a taxa de inflação se manteve praticamente estável. Em particular, a
taxa de desemprego se reduziu de 10%, em 2009, para perto de 4%, em 2017, sem
que elevação significativa fosse observada na taxa de inflação.
A
relação inversa entre taxa de desemprego e taxa de inflação, postulada pela
Curva de Phillips, parece, assim, ter se enfraquecido ou desaparecido.
A
Curva de Phillips é dada por
π
= πe –
α (U –
U*) + μ
onde
π
= inflação corrente
πe
= inflação esperada
U
= taxa de desemprego corrente
U*=
taxa de desemprego natural
μ
= choque de oferta
A
revista The Economist avalia, neste artigo, três possíveis explicações para o
fato de a inflação não ter se elevado, à medida que a taxa de desemprego se
reduziu, nos Estados Unidos, nos últimos anos:
- variação da taxa de desemprego natural em consonância com a taxa de desemprego corrente
- choques de oferta favoráveis
- redução da
inflação esperada
27.2.17
Estagnação Secular (II)
A taxa média anual de crescimento da produtividade do trabalho nos Estados Unidos se reduziu, a partir de 2003, tendo, entre 2008 e 2016, alcançado menos da metade do valor observado entre 1996 e 2002, conforme os dados reproduzidos abaixo, originalmente publicados aqui.
Esta desaceleração do crescimento da produtividade, atribuída ao avanço mais lento do progresso técnico, constitui o fundamento empírico da hipótese de "estagnação secular" discutida na última postagem, que hoje tem Robert Gordon, professor da Northwestern University, como principal proponente.
Esta desaceleração do crescimento da produtividade, atribuída ao avanço mais lento do progresso técnico, constitui o fundamento empírico da hipótese de "estagnação secular" discutida na última postagem, que hoje tem Robert Gordon, professor da Northwestern University, como principal proponente.
Estados Unidos - Taxa de crescimento
da produtividade do trabalho
1948 / 1973 - 3,3%
1974 / 1996 - 1,5%
1996 / 2002 - 3,3%
2003 / 2007 - 2,2%
2008 / 2016* - 1,3%
* até o terceiro trimestre
22.2.17
Estagnação Secular (I)
Na palestra mencionada na postagem anterior, Philippe Aghion
discutiu também a hipótese da “estagnação secular”, recentemente proposta por
alguns economistas.
De acordo com esta hipótese, a desaceleração da taxa de
crescimento da produtividade do trabalho, observada, nos últimos anos, nos
países desenvolvidos, reflete uma tendência de longo prazo – não vai mais haver
crescimento econômico acelerado, porque as inovações de maior impacto já
ocorreram.
Em relação a esta hipótese, Aghion contrapõe os seguintes
argumentos:
·
As novas tecnologias da informação e comunicação
não mudaram apenas a maneira de produzir bens e serviços, mas também a maneira
de produzir idéias. A tecnologia para produzir idéias nunca foi tão boa quanto
é hoje.
·
Continua a haver uma grande necessidade de
inovações, em áreas como saúde, energia renovável e outras, e os incentivos
para a inovação são imensos, porque os retornos da inovação nunca foram tão
grandes como são agora – graças à globalização, o mercado para uma grande
inovação é o mundo inteiro, de modo que os retornos são muito elevados.
·
Para muitos países, há ainda a vantagem do
atraso. Através de "reformas estruturais", é possível aumentar significativamente
a taxa de crescimento da produtividade, como fizeram recentemente a Suécia,
Holanda e Canadá.
·
Pode estar havendo problemas na mensuração do
crescimento econômico, levando à impressão errônea de que o crescimento
desacelerou. Quando um bem hoje custa mais do que outro bem que atendia a mesma
necessidade ontem, é preciso determinar quanto dessa diferença de preço se deve
a inflação e quanto se deve a melhora da qualidade. Se é exatamente o mesmo
bem, o aumento de preço se deve exclusivamente à inflação. Se há uma ligeira
melhora da qualidade, é possível estimar de quanto ela foi e separar os dois
efeitos. Mas, quando se trata de um novo produto substituindo um produto antigo,
a questão é mais complicada e aumentos de preço devidos a melhora da qualidade
podem ser equivocadamente computados como inflação. É possível que o
crescimento da produtividade total dos fatores esteja sendo subestimado em um
ponto percentual por causa desses problemas de mensuração (em lugar de 1,5%,
seja, de fato, de 2,5%, o que não se pode chamar de estagnação).
20.2.17
Armadilha da renda média
Philippe Aghion, professor do College de France, foi o conferencista convidado para a 13th Raymond Aron Lecture, organizada anualmente pela Center on the United States and Europe, da Brookings Institution.
Com o título de “Can we make growth more inclusive?”, a
palestra abordou alguns dos temas centrais do debate corrente sobre crescimento
econômico.
Sobre a armadilha da renda média, Aghion apresentou os
argumentos resumidos abaixo.
Há duas maneiras de gerar crescimento da produtividade. Uma
é alcançar os líderes, alcançar a fronteira tecnológica (catching up). A outra maneira é inovar. As políticas que promovem o
catching up são diferentes das
políticas que promovem a inovação.
No processo de catching
up, o crescimento se dá via imitação, com transferências de tecnologia,
realocação de fatores de produção e adoção de práticas gerenciais melhores. Não
importa muito se a competição no mercado de produto é limitada, nem se o
mercado de trabalho é pouco flexível. Importa pouco não ter bons programas de
pós-graduação ou não ter equity finance
(bancos e subsídios bastam).
Quando se quer fazer inovação de fronteira, por outro lado, é
importante ter competição, entrada e saída fáceis no mercado de produtos. Para
as firmas na fronteira tecnológica, mais competição induz inovação, para
escapar da competição pela entrada. Para as firmas tecnologicamente defasadas,
mais competição tende a causar mais desencorajamento. Quanto mais avançado é um
país, mais firmas ele terá na fronteira tecnológica e maior o efeito sobre o
crescimento da liberalização do mercado de produtos.
Para crescer via inovação, é preciso também que o mercado de
trabalho seja flexível, de modo que seja possível contratar rapidamente ou
demitir, se há mudança de atividade.
O crescimento é um processo conflitivo, envolve um conflito
entre o velho e o novo. Inovações, particularmente inovações de fronteira,
deslocam tecnologias antigas. Os inovadores de ontem tendem a se tornar os
incumbentes entrincheirados de hoje, que tentam evitar que surjam inovações.
Alguns países lidam com este problema melhor do que outros. Há países que
começaram a crescer via catching up e
que deveriam, em determinado momento, ter passado para políticas que favorecem
a inovação de fronteira, ter realizado o que se tem chamado de “reformas
estruturais”, mas não fizeram isso, por causa dos resistência dos incumbentes. Essa
pode ser uma explicação de porque é difícil a transição do crescimento baseado
na imitação para o crescimento baseado na inovação e, portanto, de porque
existe a armadilha da renda média.
31.10.13
Produtividade total dos fatores no Brasil - dados da PWT 8.0
A produtividade total dos fatores aumentou 2,3 vezes, entre 1950 e 1980, e declinou de maneira quase contínua[1], a partir daí, situando-se, em 2011, em um nível 27% abaixo daquele alcançado em 1980.
Fonte dos dados: PWT8.0
[1]
As únicas exceções relevantes são os períodos 1993/96 e 2006/2010, em que a PTF
aumentou às taxas de 1,80% a.a. e 1,40 a.a., respectivamente.
Capital físico por trabalhador no Brasil - dados da PWT 8.0
O produto por trabalhador (Y/L) no Brasil aumentou 3,8 vezes, entre 1950 e 1980, ao passo que, nas três décadas seguintes, se elevou em apenas 10%.
Um dos fatores que explicam a estagnação do produto por trabalhador, a partir de 1981, é a queda na taxa de crescimento da relação capital físico por trabalhador (K/L), mostrada no gráfico acima.
O capital físico por trabalhador aumentou 2,5 vezes, entre 1950 e 1983, permaneceu estagnado durante o restante da década de 80, voltou a se elevar na década de 90 e teve seu crescimento interrompido novamente a partir de 2000. Entre 1984 e 2011, aumentou apenas 24%.
Fonte dos dados: PWT 8.0
29.8.13
Produtividade do trabalho no Brasil - dados da PWT 8.0
A produtividade do trabalho
declinou acentuadamente na década de 80, com uma redução acumulada de 16%, entre 1980 e 1992. Embora tenha se recuperado a partir de 1993, ainda se encontrava em
2006 no mesmo patamar alcançado em 1980.
Entre 2007 e 2011, a produtividade do trabalho voltou a se elevar, apresentando, neste período, uma taxa de crescimento média de 2,10% ao ano.
Entre 2007 e 2011, a produtividade do trabalho voltou a se elevar, apresentando, neste período, uma taxa de crescimento média de 2,10% ao ano.
Para o conjunto do
período 1950/2011, a taxa média de crescimento anual do produto por trabalhador
foi de 2,36%.
Tendo em conta a
projeção para a taxa de crescimento da população em idade ativa (15 a 64 anos) de
1,0% ao ano, entre 2013 e 2020, mantidas a taxa de aumento da produtividade do
trabalho observada entre 2007 e 2011 e a atual taxa de emprego (proporção dos
empregados na população em idade ativa), a taxa de crescimento do PIB potencial
no Brasil deverá se situar em torno de 3,0% ao ano, no restante da década.
Fonte dos dados: PWT 8.0
Fonte dos dados: PWT 8.0
[1]
Nestas estimativas,
baseadas na série RGDPna da Penn World Table 8.0, não se desconta o
efeito de mudanças nos termos de troca sobre o PIB e, portanto, sobre o produto
por trabalhador.
3.8.13
Crescimento econômico no Brasil entre 2003 e 2011
De acordo com os
dados da Penn World Table 8.0, o crescimento acumulado do PIB, no Brasil,
durante o período 2003/2011 foi de 31,6%, implicando um aumento do PIB per
capita de 20,0%, ou 2,04% ao ano.
Como é bem sabido, o Brasil se beneficiou neste período de termos de troca favoráveis com o exterior, os quais na PWT 8.0 são levados em conta na série RGDPe[1]. O aumento acumulado da renda no Brasil, entre 2003 e 2011, quando o efeito dos termos de troca favoráveis é computado, o que corresponde à medida mais adequada da melhora do padrão de vida médio, foi de 39,6%, implicando um aumento per capita de 2,72% ao ano.
No mesmo período, o
crescimento acumulado do PIB por trabalhador foi de 6,0% (ou 0,65% ao ano),
enquanto a proporção da população empregada aumentou de 45% para 51% (1,39% ao
ano).
Duas conclusões
importantes podem ser extraídas das informações acima:
(1) O crescimento
do PIB por trabalhador no Brasil foi bastante baixo, entre 2003 e 2011. À taxa
de crescimento anual observada neste período, são necessários 108 anos para dobrar
o produto por trabalhador.
(2) Cerca de dois
terços (68%) do crescimento do PIB per capita durante o governo Luís Inácio-Dilma
se deveu ao aumento da proporção dos empregados na população total.
Note-se que os
dados acima não captam integralmente a melhora do padrão de vida médio verificada
no Brasil no período 2003/2011, porque refletem apenas o impacto do aumento
da capacidade produtiva do país (medido pela série RGDPo, na Penn
World Table 8.0) sobre o padrão de vida.
Como é bem sabido, o Brasil se beneficiou neste período de termos de troca favoráveis com o exterior, os quais na PWT 8.0 são levados em conta na série RGDPe[1]. O aumento acumulado da renda no Brasil, entre 2003 e 2011, quando o efeito dos termos de troca favoráveis é computado, o que corresponde à medida mais adequada da melhora do padrão de vida médio, foi de 39,6%, implicando um aumento per capita de 2,72% ao ano.
Em resumo, ao longo
do período 2003/2001, tem-se no Brasil:
- crescimento
do produto por trabalhador (a) = 0,65% a.a.
- crescimento
da taxa de emprego – L/POP (b) = 1,39% a.a.
- crescimento da renda per capita devido ao aumento da capacidade produtiva (a+b) = 2,04% a.a.
- crescimento
da renda per capita computado o efeito dos termos de troca favoráveis (c) = 2,72%
a.a.
- crescimento
da população (d) = 1,03% a.a.
- crescimento
da renda total (c+d)= 3,78% a.a.
Com o mercado de
trabalho tendo se aproximado recentemente da situação de pleno emprego e sem a perspectiva
de ganhos adicionais nos termos de troca com o exterior, a melhora do padrão de vida doravante dependerá principalmente do aumento da produtividade do trabalho, o
qual, no entanto, como se mostrou acima, foi muito baixo na economia brasileira,
na última década.
[1]
Na definição adotada pela PWT 8.0, os termos de troca com o exterior são favoráveis a um país quando este exporta (importa) um dado produto a um preço maior
(menor) do que o preço médio mundial.
21.6.12
Crescimento econômico no Brasil
Reuni neste link minhas notas de aula sobre crescimento econômico no Brasil.
8.5.12
Deflação
Desde o início da crise financeira internacional em 2008, os Bancos Centrais das economias desenvolvidas estão empenhados em evitar que a deflação, ou seja, uma queda generalizada de preços, se estabeleça, em decorrência da insuficiência de demanda agregada.
Por que uma deflação causada pela insuficiência de demanda é considerada indesejável? O principal motivo é que a deflação pode provocar novas reduções da demanda agregada, agravando a recessão e mesmo levando a economia a uma depressão.
A deflação pode causar redução da demanda agregada através dos seguintes canais:
1. Se os consumidores esperam uma queda futura de preços, podem adiar suas compras, reduzindo o gasto em consumo.
2. A redução dos salários pode afetar a confiança das famílias e, portanto, de novo, a sua propensão a consumir.
3. Quando a taxa de juros nominal alcança o seu limite inferior, ou seja, chega a zero, a deflação pode causar um aumento da taxa de juros real, o que induzirá a redução dos gastos em consumo e investimento e das exportações líquidas.
4. A deflação aumenta a dívida das famílias e empresas em termos reais, o que pode levar a queda das despesas de consumo e investimento.
5. Se, em decorrência do aumento da taxa de juros real e do valor das suas dívidas, em um contexto já recessivo, a inadimplência de famílias e empresas aumenta, uma crise financeira pode ocorrer. A consequente redução do crédito provocará queda da demanda agregada.
6. A compressão dos lucros, decorrente da queda dos preços, combinada com o aumento da taxa de juros real, pode causar um colapso do gasto em investimento das empresas.
Por que uma deflação causada pela insuficiência de demanda é considerada indesejável? O principal motivo é que a deflação pode provocar novas reduções da demanda agregada, agravando a recessão e mesmo levando a economia a uma depressão.
A deflação pode causar redução da demanda agregada através dos seguintes canais:
1. Se os consumidores esperam uma queda futura de preços, podem adiar suas compras, reduzindo o gasto em consumo.
2. A redução dos salários pode afetar a confiança das famílias e, portanto, de novo, a sua propensão a consumir.
3. Quando a taxa de juros nominal alcança o seu limite inferior, ou seja, chega a zero, a deflação pode causar um aumento da taxa de juros real, o que induzirá a redução dos gastos em consumo e investimento e das exportações líquidas.
4. A deflação aumenta a dívida das famílias e empresas em termos reais, o que pode levar a queda das despesas de consumo e investimento.
5. Se, em decorrência do aumento da taxa de juros real e do valor das suas dívidas, em um contexto já recessivo, a inadimplência de famílias e empresas aumenta, uma crise financeira pode ocorrer. A consequente redução do crédito provocará queda da demanda agregada.
6. A compressão dos lucros, decorrente da queda dos preços, combinada com o aumento da taxa de juros real, pode causar um colapso do gasto em investimento das empresas.
23.4.12
Variação nos termos de troca e taxa de crescimento do PIB no Brasil
Nas análises sobre crescimento, convém ter sempre em mente o alerta de Easterly, Kremer, Pritchett e Summers (1993):
"Com algumas poucas e famosas exceções, os mesmos países não são bem sucedidos período após período; os países costumam ser 'histórias de sucesso', em um período, e fracassos, no período seguinte".
Easterly, Kremer, Pritchett e Summers (1993) sugerem que boa parte desta variância das taxas de crescimento pode ser explicada por choques relacionados com os termos de troca. Quando variáveis medindo tais choques são acrescentadas a equações de crescimento do tipo Barro, elas apresetam um elevado poder explicativo. O fato de que estes choques apresentam, eles próprios, uma persistência reduzida é apontado como uma evidência a mais de sua relevância para a explicação das (também pouco persistentes) taxas de crescimento.
O gráfico acima mostra a estreita conexão entre a variação nos termos de troca e a taxa de crescimento do PIB no Brasil, durante o período 1995/2011. O coeficiente de correlação simples entre as duas variáveis é 0,71. A regressão sugere que um aumento de 10% nos termos de troca está associado a um aumento absoluto de 2,5 pontos percentuais na taxa de crescimento do PIB.
O índice dos termos de troca com o exterior se elevou em 36,7%, entre 2004 e 2011, e certamente contribuiu para a aceleração do crescimento, verificada naqueles anos. Estes ganhos, entretanto, provavelmente tenderão doravante a ser revertidos, pelo menos em parte.
Referência: Easterly, W.; M. Kremer; L. Pritchett e L. Summers (1993). Good policy or good luck? Country growth performance and temporary shocks, Journal of Monetary Economics 32, p. 459-483.
24.2.12
Evolução da produtividade do trabalho no Brasil - 1950 / 2010
Produto por hora (US$ de 2011) - 1950 / 2010
26.12.11
Crescimento da população em idade ativa
Crescimento da população em idade
ativa (15 a 64 anos) no Brasil - % ao ano
1980 / 1990 - 2,6%
1990 / 2000 - 2,3%
2000 / 2010 - 1,6%
2010 / 2020 - 1,2%
2020 / 2030 - 0,3%
Fonte: IBGE
24.12.11
Custos da mão de obra industrial no Brasil
Dados reportados em artido de Alex Ribeiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
"Os custos de mão de obra industrial no Brasil subiram 24% em 2010, para US$ 10,08 a hora, puxados pela valorização do câmbio e aumento real de salários, mostram estatísticas compiladas pelo Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, que comparam 34 das mais importantes economias industriais do mundo. Ainda assim, o Brasil tem custo de mão de obra industrial maior que apenas 6 dos países incluídos na amostra, entre eles a Polônia (US$ 8,01 a hora) e o México (US$ 6,23). O custo mais baixo é nas Filipinas, com US$ 1,90 a hora. Por deficiências estatísticas, o levantamento não inclui Índia e China, mas as indicações são de que nesses países os custos são bem mais baixos do que no Brasil. O custo mais alto de mão de obra é o da Noruega, com US$ 57,53 por hora, num conceito que inclui salários pagos aos trabalhadores e benefícios. Nos Estados Unidos, o custo médio é de US$ 34,74 a hora, o que representa mais de três vezes o custo de produzir no Brasil. A Argentina tem custo pouco mais alto que o Brasil, com US$ 12,66 a hora".
Lei da oferta e da procura
Como se vê na fotografia acima, a mercadoria em questão, cujo preço foi reduzido em 74%, padece de insuficiência de demanda.
16.12.11
Economistas e teoria econômica - a má reputação é merecida
Economistas talvez sejam free riders natos. Estudar teoria econômica pode transfomar bons cidadãos em free riders. Leia aqui.
Adendo: N. G. Mankiw comenta o artigo nesta postagem.
Adendo: N. G. Mankiw comenta o artigo nesta postagem.
13.11.11
Taxa de matrícula no ensino superior no Brasil
Informações de editorial da Folha de São Paulo -10 de novembro de 2011:
"De acordo com dados do Censo da Educação Superior de 2010, o número de alunos em algum curso de graduação já soma 6,4 milhões de estudantes, no Brasil. Em uma década, a alta foi de 110%. Entretanto, nossa taxa de escolarização bruta no ensino superior (a relação entre o número de alunos matriculados e a população de 18 a 24 anos) é de 36% (dados de 2009), praticamente a mesma do Paraguai (37%) e bem abaixo dos 59% do Chile ou 69% da Argentina. Quando a comparação é com os países desenvolvidos, o fosso se aprofunda. Na Espanha, são 73%, nos EUA, 89% e, na Finlândia, 92%".
29.10.11
Determinantes do hiato de produtividade entre o Brasil e os Estados Unidos
Por que a produtividade do trabalho (Y/h) no Brasil equivale a apenas 17,1% da produtividade americana (10,59 dólares por hora, em comparação com 61,75 dólares por hora, em 2010)?
Para responder a esta pergunta, faz-se uso da decomposição proposta por Hall e Jones (1999), derivada do modelo de crescimento de Solow, ampliado para incorporar a contribuição do capital humano.
Na decomposição de Hall e Jones (1999), supõe-se que a função de produção é do tipo Cobb-Douglas, sendo o produto por hora dado por
(Y/h) = A (e ^ r u) {(K/Y) ^ [(a/(1 - a)]}
onde
A = produtividade total dos fatores (PTF)
K = estoque de capital físico
e ^ r u = capital humano por trabalhador
r = retornos da educação
u = escolarização média
Seguindo Hall e Jones (1999), admite-se:
• participação do capital na renda (a) de 1/3.
• retornos da educação decrescentes e equivalentes a 13,4% para os primeiros 4 anos de escolarização, 10,1% para os 4 anos seguintes e 6,8% para os anos restantes.
• relação capital-produto no Brasil equivalente a 76,2% da americana.
Para estimativa do capital humano por trabalhador, dados os retornos acima mencionados, recorreu-se ainda a Barro e Lee (2011), que reportam 7,178 anos e 13,27 anos como a escolaridade média da população de 25 anos e mais no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, em 2010.
Tomando-se o valor para os Estados Unidos como equivalente a 1, as estimativas para o Brasil dos três termos que compõem a equação (1) foram:
A = 0,305
e ^ ru = 0,643
(K/Y) ^ [a/(1 - a)] = 0,873
Assim, se a relação capital-produto no Brasil fosse igual à dos Estados Unidos, tudo o mais constante, o produto por hora brasileiro seria 19,6% do americano (em lugar de 17,1%), enquanto a razão entre as produtividades do trabalho, obtida atribuindo-se ao Brasil o mesmo capital humano e produtividade total dos fatores dos Estados Unidos, seria 26,6% e 56,1%, respectivamente.
Em outras palavras, seria possível mais do que triplicar a produtividade do trabalho no Brasil se a economia brasileira apresentasse o mesmo nível de eficiência produtiva alcançado pela economia americana, enquanto o impacto sobre o produto por hora de elevar para o nível americano os valores da relação capital-produto e do capital humano por trabalhador seria de 15% e 56%, respectivamente.
Este exercício sugere, portanto, que a diferença na produtividade do trabalho entre o Brasil e os Estados Unidos se deve fundamentalmente à ineficiência na utilização de fatores de produção no Brasil.
Tal conclusão não se alteraria substancialmente caso se adotasse: (i) a estimativa de Heston, Summers e Aten (2011) de 19% para a razão entre os produtos por hora brasileiro e americano em 2009, (ii) o valor de 0,4 para a participação do capital na renda, sugerido por Ferreira, Pessoa e Veloso (2011), e (iii) uma estimativa algo inferior à de Hall e Jones (1999) para a relação capital-produto no Brasil (66,7% da americana). Nesse caso, a produtividade total dos fatores no Brasil corresponderia a 38,7% do que é observado nos Estados Unidos, continuando a explicar a maior parte do hiato do produto por hora.
A estimativa de uma PTF no Brasil equivalente a 30,5% (38,7%) da PTF americana foi obtida, seguindo Hall e Jones (1999), a partir da função de produção agregada com progresso técnico Solow-neutro, isto é, da função Y= (K^a) [A (e^ru) h]^(1-a). Caso se tivesse adotado, neste exercício, a função de produção agregada com progresso técnico Hicks-neutro, isto é, a função Y= A (K^a) [(e^ru) h]^(1-a), a estimativa da PTF brasileira corresponderia a 45% (56,6%) da PTF dos Estados Unidos.
Referências
Barro, R. e J. Lee (2011). Barro-Lee Education Attainment Data Set.
The Conference Board (2011). Total Economy Database.
Ferreira, P., S. Pessoa e F. Veloso (2011). On the Evolution of TFP in Latin America. EPGE Ensaios Econômicos no. 723.
Hall, R. e C. Jones (1999). Why Do Some Countries Produce So Much More Output Per Worker Than Others? The Quarterly Journal of Economics, 114(1), pags. 83-116.
Heston, A., R. Summers e B. Aten (2011). Penn World Table Version 7.0, Center for International Comparisons of Production, Income and Prices at the University of Pennsylvania.
Maddison, A. (2010). Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.
Para responder a esta pergunta, faz-se uso da decomposição proposta por Hall e Jones (1999), derivada do modelo de crescimento de Solow, ampliado para incorporar a contribuição do capital humano.
Na decomposição de Hall e Jones (1999), supõe-se que a função de produção é do tipo Cobb-Douglas, sendo o produto por hora dado por
(Y/h) = A (e ^ r u) {(K/Y) ^ [(a/(1 - a)]}
onde
A = produtividade total dos fatores (PTF)
K = estoque de capital físico
e ^ r u = capital humano por trabalhador
r = retornos da educação
u = escolarização média
Seguindo Hall e Jones (1999), admite-se:
• participação do capital na renda (a) de 1/3.
• retornos da educação decrescentes e equivalentes a 13,4% para os primeiros 4 anos de escolarização, 10,1% para os 4 anos seguintes e 6,8% para os anos restantes.
• relação capital-produto no Brasil equivalente a 76,2% da americana.
Para estimativa do capital humano por trabalhador, dados os retornos acima mencionados, recorreu-se ainda a Barro e Lee (2011), que reportam 7,178 anos e 13,27 anos como a escolaridade média da população de 25 anos e mais no Brasil e nos Estados Unidos, respectivamente, em 2010.
Tomando-se o valor para os Estados Unidos como equivalente a 1, as estimativas para o Brasil dos três termos que compõem a equação (1) foram:
A = 0,305
e ^ ru = 0,643
(K/Y) ^ [a/(1 - a)] = 0,873
Assim, se a relação capital-produto no Brasil fosse igual à dos Estados Unidos, tudo o mais constante, o produto por hora brasileiro seria 19,6% do americano (em lugar de 17,1%), enquanto a razão entre as produtividades do trabalho, obtida atribuindo-se ao Brasil o mesmo capital humano e produtividade total dos fatores dos Estados Unidos, seria 26,6% e 56,1%, respectivamente.
Em outras palavras, seria possível mais do que triplicar a produtividade do trabalho no Brasil se a economia brasileira apresentasse o mesmo nível de eficiência produtiva alcançado pela economia americana, enquanto o impacto sobre o produto por hora de elevar para o nível americano os valores da relação capital-produto e do capital humano por trabalhador seria de 15% e 56%, respectivamente.
Este exercício sugere, portanto, que a diferença na produtividade do trabalho entre o Brasil e os Estados Unidos se deve fundamentalmente à ineficiência na utilização de fatores de produção no Brasil.
Tal conclusão não se alteraria substancialmente caso se adotasse: (i) a estimativa de Heston, Summers e Aten (2011) de 19% para a razão entre os produtos por hora brasileiro e americano em 2009, (ii) o valor de 0,4 para a participação do capital na renda, sugerido por Ferreira, Pessoa e Veloso (2011), e (iii) uma estimativa algo inferior à de Hall e Jones (1999) para a relação capital-produto no Brasil (66,7% da americana). Nesse caso, a produtividade total dos fatores no Brasil corresponderia a 38,7% do que é observado nos Estados Unidos, continuando a explicar a maior parte do hiato do produto por hora.
A estimativa de uma PTF no Brasil equivalente a 30,5% (38,7%) da PTF americana foi obtida, seguindo Hall e Jones (1999), a partir da função de produção agregada com progresso técnico Solow-neutro, isto é, da função Y= (K^a) [A (e^ru) h]^(1-a). Caso se tivesse adotado, neste exercício, a função de produção agregada com progresso técnico Hicks-neutro, isto é, a função Y= A (K^a) [(e^ru) h]^(1-a), a estimativa da PTF brasileira corresponderia a 45% (56,6%) da PTF dos Estados Unidos.
Referências
Barro, R. e J. Lee (2011). Barro-Lee Education Attainment Data Set.
The Conference Board (2011). Total Economy Database.
Ferreira, P., S. Pessoa e F. Veloso (2011). On the Evolution of TFP in Latin America. EPGE Ensaios Econômicos no. 723.
Hall, R. e C. Jones (1999). Why Do Some Countries Produce So Much More Output Per Worker Than Others? The Quarterly Journal of Economics, 114(1), pags. 83-116.
Heston, A., R. Summers e B. Aten (2011). Penn World Table Version 7.0, Center for International Comparisons of Production, Income and Prices at the University of Pennsylvania.
Maddison, A. (2010). Historical Statistics of the World Economy 1-2008 AD.
25.10.11
Determinantes da diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos
| Hiato de renda Brasil - Estados Unidos 2010 (US$ 2011) | ||
| Variável | Brasil | Estados Unidos |
| PIB (Y) | US$ 1,968 trilhões | US$ 14,723 trilhões |
| População (POP) | 201,1 milhões | 308,9 milhões |
| Horas trabalhadas (h) | 185,9 bilhões | 238,4 bilhões |
| Emprego | 101 milhões | 140,7 milhões |
| Y/POP | US$ 9.787 | US$ 47.663 |
| Y/h | US$ 10,59 | US$ 61,75 |
| h/L | 1841 horas | 1.695 horas |
| L/POP | 0,5 | 0,45 |
O PIB per capita pode ser decomposto em cinco fatores determinantes:
Y / POP = (Y / h) (h / L) (L / PEA) (PEA / PIA) (PIA / POP)
onde
Y = PIB
POP = população
h = total de horas trabalhadas
L = total de trabalhadores empregados
PEA = população economicamente ativa
PIA = população em idade ativa
sendo
Y / POP = PIB per capita
Y / h = produto por hora (produtividade do trabalho)
h / L = horas médias trabalhadas
L / PEA = taxa de emprego
PEA / PIA = taxa de atividade
PIA / POP = estrutura etária
A Total Economy Database traz informações relativas ao ano de 2010 para as variáveis Y, POP, h e L, o que possibilita decompor o hiato de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos entre as diferenças na produtividade do trabalho (Y/h), horas médias trabalhadas (h/L) e proporção empregada da população total (L/POP).
Os dados mostrados na tabela acima indicam que o hiato de renda entre Brasil e Estados Unidos é mais do que explicado pelo hiato na produtividade do trabalho.
A produtividade do trabalho no Brasil alcançava apenas 17,1% da produtividade nos Estados Unidos, em 2010. A média maior de horas trabalhadas e a proporção mais elevada dos empregados na população total em relação aos Estados Unidos permitiram ao Brasil compensar um pouco a desvantagem no produto por hora e alcançar um PIB per capita equivalente a 20,5% do americano, em 2010.
23.10.11
Diferença de renda per capita entre o Brasil e os países desenvolvidos
Hiato de renda entre o Brasil e os países desenvolvidos
A tabela acima traz informações sobre o hiato de renda entre o Brasil, de um lado, e os Estados Unidos, as cinco maiores economias européias e o Japão, de outro, indicando em que ano os países selecionados alcançaram o nível de PIB per capita observado no Brasil em 2008. Assim, os Estados Unidos alcançaram o nível de renda brasileiro de 2008 em 1926, ou seja, 82 anos antes, e a Espanha em 1971, com uma antecedência de 37 anos.
Diferença de renda per capita entre o Brasil e os Estados Unidos
Razão entre os PIBs per capita do Brasil e dos Estados Unidos
Em 1820, o PIB per capita do Brasil correspondia a 51,4% do PIB per capita dos Estados Unidos.
A razão entre os PIBs per capita brasileiro e americano se reduziu a 29,2%, em 1870, e a 16,6%, em 1900, tendendo a permanecer em torno deste último valor até 1955 (média entre 1900 e 1955 equivalente a 16,7%), com desvios mais pronunciados apenas durante a Grande Depressão (22,5%, em 1933) e a Segunda Guerra Mundial (11,2%, em 1944) - ver o gráfico acima.
Ao longo do governo Kubitschek (1956 - 1961), o hiato de renda entre o Brasil e os Estados Unidos começou a se reduzir, processo interrompido pela recessão 1962/67, mas retomado a partir de 1968.
Devido ao acelerado crescimento econômico verificado durante o período do chamado "milagre econômico", o PIB por habitante do Brasil em 1980 equivalia ao dobro do seu valor em 1967, alcançando 28% do PIB por habitante dos Estados Unidos, nível que havia sido observado pela última vez um século antes, em 1878.
As décadas de 80 e 90 do século XX foram de divergência, com a razão entre os PIBs per capita declinando para menos de 20%, patamar do qual só começaria a se afastar novamente em 2007.
Fonte: Angus Maddison (2010). Historical statistics of the world economy 1 -2008 AD.
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