17.2.08
Teoria econômica do crime
Hipóteses que são validadas por dados para os Estados Unidos nas décadas mais recentes são rejeitadas quando períodos mais longos ou outros países que não os Estados Unidos são considerados. Este resultado foi obtido tanto para variáveis de política (por exemplo, prisões ou pena capital) como para fatores tais como legislação sobre controle de armas e aborto.
A única hipótese que parece consistente com os dados, segundo os autores, é que a proibição do comércio de drogas gera criminalidade.
9.2.08
Capitalismo e liberdade
"Dado que, no socialismo, as atividades econômicas não são realizadas tendo em vista a subsistência ou o lucro, é necessário que o partido - como diz uma enciclopédia publicada pelo Instituto Bibliográfico da extinta República Democrática Alemã -oriente a criação da 'unidade moral e política do povo', de modo que o trabalho se transforme 'de mero meio de subsistência em um assunto de honra'. No regime socialista, a intolerância em relação a heresias - ideologias alternativas, 'desvios', 'revisionismos' etc.- não é meramente acidental. A repressão a elas não se reduz a um mero estratagema político. Ela provém da necessidade estrutural de manter a unidade ideológica indispensável para o funcionamento da própria base econômica. Já o capitalismo funciona independentemente das idéias, concepções, religiões, atitudes, isto é, das ideologias, dos operários, capitalistas, técnicos, administradores ou consumidores que o fazem funcionar. Ainda que cada indivíduo pense e aja de uma maneira diferente de todos os outros, o capitalismo é capaz de prosperar, desde que seja observado de modo geral um mínimo de leis e regras formais de convivência. É exatamente por isso que ele é compatível com a maximização da liberdade individual, a sociedade aberta e o reformismo. O socialismo necessita, para o seu funcionamento, de uma ideologia particular, correspondente à sua base econômica, e que, por isso, não é capaz de tolerar ideologias alternativas. O capitalismo, porém, exatamente porque a sua base econômica opera a partir do puro interesse material, independentemente de qualquer ideologia particular, não necessita de nenhuma ideologia específica, de modo que é capaz de tolerar todas, inclusive as que lhe foram ou são hostis, como o catolicismo ou o marxismo-leninismo".
7.2.08
História dos bancos centrais
27.1.08
Comércio internacional e salários - compensação para os "perdedores"?
Paul Krugman - Trouble with trade
Alan Blinder - Stop the world (and avoid reality)
Steven Landsburg - What to expect when you're free trading
Para Krugman e Blinder, o comércio tem contribuído para a redução dos salários daquela categoria de trabalhadores. Ambos propõem como remédio que parte da renda adicional gerada pelo comércio seja destinada a compensar os "perdedores", através da ampliação da rede de proteção social (seguro-desemprego, retreinamento de trabalhadores desempregados etc.).
Landsburg acha que este é um argumento "tosco" e não vê justificativa para uma compensação aos "perdedores".
26.1.08
Crescimento (falta de) - educação (VI)
(Informações publicadas na edição de hoje da Folha de São Paulo).
Frase do dia
"The world is a crazy place. It makes perfect sense only to conspiracy theorists and economists of a certain stripe" (William Grimes, em artigo mencionado na postagem anterior).
25.1.08
Lógica da vida
Criminalidade no Brasil (II)
Criminalidade no Brasil (I)

- "Em 2004, a taxa de 27 homicídios em 100 mil habitantes no Brasil era 30 ou 40 vezes superior às taxas da Inglaterra, Alemanha, Japão e Egito. Entre os brasileiros de 15 a 24 anos, a taxa de homicídio chegou a 52 em 100 mil jovens (cem vezes superior às taxas da Áustria e Japão)".
- "Todos nós somos capazes de crimes e respondemos a incentivos. Mas a teoria do cálculo econômico não explica porque respondemos a incentivos de forma diferente. Na população total, 92% das vítimas são do sexo masculino (97% entre os jovens). A população negra tem 73% de vítimas a mais do que a população branca (83% a mais, entre jovens). Por que os homicídios ocorrem sobretudo entre os jovens? Por que são raros entre as mulheres? Por que as vítimas negras são mais comuns?"
- "A massa carcerária no Brasil é composta por presos pobres. Isso nos faz suspeitar que a probabilidade de ser preso é maior para o pobre. Se o cálculo econômico está correto, o crime compensa apesar do castigo, porque para o pobre sem trabalho qualquer rendimento é precioso".
- "De uma amostra de boletins de ocorrência de homicídio examinados em São Paulo, apenas 4,6% tiveram o autor e o motivo conhecidos e registrados. E 92% dos casos de homicídio no Rio de Janeiro foram devolvidos à polícia, por falta de provas para serem julgados. Se a probabilidade de prisão é baixa, a de morrer é muita alta para o jovem. Mas nem o pior dos castigos parece reduzir o crime. Talvez o bandido seja mais propenso ao risco do que o comum dos mortais. Talvez seja míope em relação ao futuro".
- "O crescimento da violência no Brasil é conseqüência da criminalidade organizada em torno do tráfico de drogas".
- "A cadeia, de um lado pune, mas de outro atua como escola do crime. Presos sem antecedentes criminais deveriam ficar em liberdade com monitoramento eletrônico. Em Buenos Aires, essa modalidade de condenação parece reduzir a reincidência, que é mais comum aos que cumprem pena atrás das grades".
- "Programas que reduzem a criminalidade agem em muitas frentes e não se resumem à construção de mais cadeias. Em Bogotá, a taxa de homicídio, que era de 80 em 100 mil habitantes em 1993, caiu para 21 em 2004, graças a um programa integrado de saúde, recuperação dos espaços públicos, bibliotecas informatizadas nos bairros pobres e aperfeiçoamento do sistema judicial".
16.1.08
Maior torcida de Minas (e de Belo Horizonte) (I)

Informações de artigo de Ricardo Correa, publicado em O Tempo - ediçao de 13 de janeiro de 2008:
"Não é de hoje que se diz que a torcida do Cruzeiro é maior do que a do Atlético em Minas Gerais. Mas uma pesquisa Data Folha, realizada em novembro, mostra que a distância entre o tamanho da parte azul e o tamanho da parte alvinegra é maior do que se podia imaginar. De acordo com a pesquisa, em torno de 29% dos mineiros, ou cerca de 5,6 milhões de pessoas, são torcedores do Cruzeiro, enquanto 18%, ou em torno de 3,5 milhões, torcem para o Atlético. Em Belo Horizonte, a diferença está na margem de erro, mas, nem mesmo em relação à capital, o Atlético pode dizer que possui mais torcedores do que o Cruzeiro. Os cruzeirenses são 38%, enquanto os atleticanos somam 34%. Como, de acordo com o IBGE, Belo Horizonte possui hoje 2,4 milhões de habitantes, os cruzeirenses seriam cerca de 912 mil e os atleticanos cerca de 816 mil".
8.1.08
Gasto do governo com juros

Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico:
- "O setor público brasileiro gastou 6,30% do Produto Interno Bruto com o pagamento de juros em 2007, o menor percentual desde os 4,61% do PIB gastos em 1997 e bem menos do que os 9,66% do PIB despendidos nos 12 meses encerrados em agosto de 2003".
- "Numa lista de 116 países com estimativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's, os juros como proporção do PIB só são maiores na Jamaica (13,2% do PIB), Líbano (10,5% do PIB) e Turquia (7,7% do PIB)".
- "Os elevados gastos com juros do Brasil se devem a dois fatores. Primeiro, o país tem uma dívida pública muito elevada, ainda que em queda como proporção do PIB. Em novembro de 2007, a dívida líquida do setor público equivalia a 42,6% do PIB, bem acima da média de 31,7% do PIB dos países classificados como BB+, BB e BB- pela S&P (o rating do Brasil é BB+). O endividamento tem caído como proporção do PIB, mas continua a aumentar em termos absolutos, já que o setor público brasileiro ainda tem déficit nominal, atualmente da ordem de 2% do PIB. O outro fator é a taxa básica de juros muito alta. Se descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa real de juros brasileira está em 6,7%".
3.1.08
Crescimento (falta de) - governo (II)
"Os gastos correntes do governo no Brasil estão muito acima dos padrões internacionais, de acordo com relatório do Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial. O ICP retirou dos gastos públicos aqueles que, como educação, saúde ou transferências, beneficiam diretamente a um indivíduo. O que resta são as despesas 'coletivas' do governo com a sua máquina burocrática: polícia, justiça, defesa etc. Quando se leva em conta apenas esses dispêndios, as sociais-democracias européias gastam relativamente pouco. Por exemplo, a Suécia emprega somente 9% do seu PIB nessas despesas coletivas. Em muitos casos, os países que exibem uma maior fração de gastos coletivos são aqueles que têm dispêndios militares importantes, como a China (20%), Israel (16%) ou Taiwan (16%). Uma exceção, infelizmente, é o Brasil, onde esses itens consomem 19% do PIB" (José Alexandre Scheinkman, Folha de São Paulo - 30 de dezembro de 2007).
"Embora o PIB brasileiro corresponda a 2,9% do PIB global, o gasto do governo na provisão de serviços públicos equivale a 5% do total mundial, segundo o ICP. Somos o décimo maior PIB, mas o quarto maior gasto. Quando consideramos apenas os países com PIB acima de US$ 100 bilhões em 2005, o Brasil é o segundo colocado em termos de gastos com relação ao PIB, perdendo somente para a China, cujo dispêndio militar é muito superior ao nosso. Na América do Sul, excetuado o Brasil, o gasto médio é 11% do PIB; no Brasil, 19% do PIB. Números assim deveriam sepultar de vez teses esdrúxulas sobre o 'raquitismo' estatal brasileiro. A má qualidade dos serviços públicos não resulta de pouco gasto, mas da baixa produtividade" (Alexandre Schwartzman, Folha de São Paulo - 26 de dezembro de 2007).
Ranking do futebol mundial (I)
Na versão 2007 deste ranking, os clubes brasileiros melhor classificados foram São Paulo (6º lugar), Santos (17º lugar), Grêmio (20º lugar) e Cruzeiro (21º lugar).
Logo depois do TP Mazembe (Congo), Alajuelense (Costa Rica), Transvaal (Suriname) e Deportivo Saprissa (Costa Rica), aparece, em 80º lugar, o CAM, time a que repetidamente temos prestado homenagem neste blog.
1.1.08
Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (II) - ranking dos países

(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).
A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial. A fonte dos dados é o Programa de Comparações Internacionais (ICP), coordenado pelo Banco Mundial.
31.12.07
Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (I)

Em meados de dezembro, o Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial, divulgou novas estimativas do valor em dólares americanos do PIB de 146 países, obtidas a partir de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC).
- O PIB mundial alcançou o valor de 55 trilhões de dólares em 2005 - ano base do ICP. O PIB per capita mundial, dada a população de 6,13 bilhões de pessoas, foi de 8 972 dólares.
- Perto de dois terços da produção da economia mundial estão concentrados nos 37 países europeus e nos 9 membros não europeus da OCDE. Dado que esses países respondem por apenas um quinto da população do mundo, sua renda per capita equivale a mais do que o triplo da média mundial, como mostra a tabela acima.
- A renda per capita da Europa + OCDE é 14 vezes maior do que a da África, a região mais pobre do mundo.
- A América do Sul e a Comunidade de Estados Independentes - CEI (formada por membros da ex-URSS) têm renda per capita próxima da média mundial.
- A necessidade de se utilizar taxas de câmbio PPC em comparações internacionais é evidenciada pelos dados da última coluna da tabela. O nível de preços em dólares na África, Ásia / Pacífico, CEI e América do Sul é metade ou menos do nível de preços observado nos Estados Unidos, quando taxas de câmbio de mercado são utilizadas para converter os preços naquelas regiões para dólares.
30.12.07
Crescimento (falta de) - governo (I)
Causas da Grande Depressão (I)
O artigo mostra que, em quase oito décadas de debate, os economistas não alcançaram um consenso sobre os determinantes da Grande Depressão, o que, para a autora, é um reflexo de divergências mais gerais quanto à origem das flutuações macroeconômicas.
23.12.07
Ranking do futebol brasileiro (I)
Aparecem entre os Top Ten, nesta ordem, São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Vasco, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Fluminense. A competição, como se vê, não faz parte desta liga.
O líder do ranking, São Paulo, somou 881 pontos, enquanto o Cruzeiro alcançou 643 pontos.
A distância entre Cruzeiro e CAM é de 164 pontos, o equivalente à pontuação de 4 Mundiais Interclubes da FIFA ou de 23 campeonatos mineiros.
Estudo de caso para alunos de microeconomia - resoluções de ano novo
Estudo de caso para alunos de microeconomia - como presentear com eficiência
15.12.07
Direita e esquerda
A classificação se refere a economistas que, pelo menos, leram até o fim e entenderam o manual de introdução e, portanto, não se aplica a todos os portadores de diploma do lado de baixo do Equador (ou ao sul do Rio Grande).
9.12.07
Crescimento (falta de) - poupança
- "A recuperação da formação bruta de capital fixo no último biênio, no Brasil, foi notável: um aumento médio anual de 9,4%, incrementando a taxa de investimento, a preços constantes de 2006, em 0,9% do PIB ao ano. Mantido o ritmo atual de expansão do investimento, em cerca de cinco anos o potencial de crescimento sustentado aumentará em um ponto percentual, para uma taxa entre 4,5% e 5% ao ano, o dobro do crescimento médio efetivo no último quarto de século".
- "A nossa taxa de poupança, baixa e cadente, é, porém, um grande limitante à aceleração do crescimento no Brasil. Em 2005, ela caiu para apenas 17,3% do PIB, cerca de quatro pontos percentuais abaixo da média latino americana e muito menos que a registrada nos países asiáticos de alto crescimento. Em 2006 e 2007 ela deve ter diminuído ainda mais".
- "Nos próximos anos, o consumo das famílias se expandirá cerca de 6% a 6,5% ao ano, turbinado pelo aumento do crédito e da massa salarial, assim como pela maior estabilidade macroeconômica, inclusive a queda do desemprego".
- "O governo tem enfatizado a necessidade de novas contratações e do aumento do gasto corrente, de forma que o consumo do governo não deve cair abaixo dos 20% do PIB, patamar em que se mantém desde 1995".
- "Dadas as taxas acima de crescimento do consumo privado e público e do investimento e mantidos os termos de troca no patamar atual, relativamente elevado em termos históricos, conclui-se que em 2011 o Brasil terá um déficit em conta corrente de 6,4% do PIB, com uma taxa de poupança bruta de 14,4% do PIB, semelhante à observada em 2000-02".
- "Um cenário de aumento simultâneo da taxa de investimento e do consumo, como se projeta para o Brasil, tem como corolário déficits crescentes em conta corrente, começando já em 2008. Em algum momento, a expansão será interrompida por uma crise de financiamento externo, como outras vezes no passado".
- "Ou se começa já a promover um aumento da poupança nacional, o que passa em especial pela elevação da poupança pública, ou não há como falar em uma trajetória de crescimento alto e sustentado no longo prazo".
Seleção natural e revolução industrial (III)
- de Benjamin Friedman, publicada na edição de hoje do New York Times (acesso gratuito).
- de Robert Solow, publicada na edição de 22 de novembro da New York Review of Books (acesso ao custo de 3 dólares).
8.12.07
Crescimento (falta de) - educação (V)

Informações sobre o desempenho dos estudantes brasileiros no PISA 2006.
O que é o PISA
- O objetivo do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é comparar o desempenho dos países na educação. Para isso, são aplicados, a cada três anos, testes a alunos de 15 anos nas nações que participam do programa.
- O PISA analisou as habilidades de mais de 400 mil alunos em 57 países (30 membros da OCDE e 27 participantes voluntários, entre os quais o Brasil), em 2006.
- A média dos alunos da OCDE foi de 498 pontos em matemática, 492 pontos em leitura e 500 pontos em ciências, no PISA 2006. Os países com média mais alta foram, respectivamente, Taiwan (549 pontos), Coréia (556 pontos) e Finlândia (563 pontos).
Desempenho dos estudantes brasileiros
- No Brasil, fizeram o teste 9.295 alunos de 7ª ou 8ª série de 625 escolas públicas e privadas, situadas em 390 cidades.O Brasil obteve a 53ª posição em matemática, a 52ª em ciências e a 48ª em leitura, em 2006.
- As notas brasileiras nas três últimas versões do teste são mostradas no quadro acima, publicado no jornal Valor Economico. Comparando o desempenho do Brasil nos exames de 2003 e 2006, a nota piorou em leitura, ficou estável em ciências e melhorou em matemática.
- A maioria dos estudantes brasileiros não ultrapassa o menor nível de aprendizado nas disciplinas testadas. Numa escala que vai até seis, 73% dos brasileiros estão situados no nível um ou abaixo disso em matemática. Em ciências, essa proporção é de 61%. Na prova de leitura, para a qual a escala vai até cinco, 56% dos alunos brasileiros não conseguiram ultrapassar o nível um.
- Na comparação envolvendo apenas os 5% melhores alunos de cada país participante, a posição do Brasil é a 51ª em ciências, a 45ª em leitura e a 53ª em matemática. Considerando os 5% piores alunos, a posição do Brasil é a 55ª em ciências, a 51ª em leitura e a 55ª em matemática.
- Apesar de o Brasil apresentar uma das maiores desigualdades na distribuição das notas dos alunos, essa diferença diminuiu, de 2003 para 2006. A média dos estudantes que estavam entre os 5% piores teve ganho de 23 pontos em matemática e de 11 pontos em leitura. Entre os que estavam entre os 5% melhores, a média variou apenas 2 pontos em matemática e teve queda de 19 pontos em leitura.
- O Brasil apresenta a maior distância no desempenho de escolas públicas e privadas, mas não ganha número significativo de posições no ranking quando só as particulares são consideradas.
Curva de Phillips - literatura recente
1.12.07
Retorno da educação no Brasil
- "Em 1981, o brasileiro típico (mediano) com mais de 25 anos de idade ganhava R$ 542 por mês (a preços de 2006), no seu trabalho principal. Em 1993, no auge do período inflacionário, o salário mediano era de apenas R$ 395. Já em 2006, o salário mensal do indivíduo típico atingiu o patamar de R$ 500 por mês. Se considerarmos os valores médios, ao invés de medianos, o salário era de R$ 996 mensais em 1981, R$ 789 em 1993 e R$ 947 em 2006. Assim, os salários em 2006 estavam próximos, mas ainda não haviam alcançado o valor vigente em 1981".
- "O grupo de trabalhadores que mais sofreu perdas, entre 1981 e 2006, foram os trabalhadores com ensino médio. A oferta destes trabalhadores passou de 8% para 23% do total nos últimos 25 anos, o que fez com que eles se tornassem relativamente abundantes no mercado de trabalho, sem que tivesse havido um aumento das ocupações compatíveis com seu nível de escolaridade. Como resultado, seu salário relativo caiu e sua taxa de desemprego aumentou. Mesmo assim, o salário deste grupo é em média 76% maior do que o salário dos trabalhadores com ensino fundamental ou menos. Ainda vale a pena concluir o ensino médio".
- "A grande diferença salarial está no ensino superior. As pessoas que chegam à faculdade têm em média uma remuneração 150% maior do que as que param no ensino médio (R$ 2.414 versus R$ 947 em 2006), diferencial que cresceu em relação a 1981, quando era de cerca de 100%. Este diferencial médio abarca os alunos de todas as faculdades públicas e privadas do país. O retorno para os alunos de cursos de boa qualidade é muito maior".
- "Os dados estão dizendo que o mercado está precisando cada vez mais de trabalhadores com ensino superior e cada vez menos de trabalhadores que tenham apenas o ensino médio. Isto explica a proliferação de matrículas no ensino superior privado na última década, que passou de 1 milhão em 1993 para mais de três milhões em 2005. O mercado transmite o sinal e as pessoas reagem a ele".
24.11.07
História da desigualdade
Em princípio, se esperaria encontrar mais desigualdade nas sociedades modernas porque a renda pode ser mais concentrada em sociedades mais ricas sem levar os pobres à morte por inanição.
Esta questão foi examinada por Branko Milanovic, Peter Lindert e Jeffrey Williamson em um NBER Working Paper publicado em outubro.
Os resultados reportados no artigo são resumidos na coluna The Undercover Economist, postada hoje em Slate.
18.11.07
Efeitos da pena de morte
16.11.07
Entrevista com Paul Romer
4.11.07
Crescimento (falta de) - competitividade (III)
A lista é liderada pelos EUA, Suíça e Dinamarca. O Brasil ficou atrás de vários países latino-americanos - Chile (26ª), México (52ª) e Colômbia (69ª) - e emergentes - China (34ª), Índia (48ª) e Turquia (53ª colocação).
A competitividade brasileira continua a ser prejudicada por juros altos, elevada carga tributária, gasto público ineficiente, burocracia excessiva, deficiências na infra-estrutura e na educação e falta de confiança nas instituições públicas, seja pela corrupção, seja pela morosidade.
Estudo de caso para alunos de microeconomia - incidência dos impostos
"Li com grande surpresa que o ministro da Fazenda declarou que 80% ou 90% dos brasileiros não pagarão a CPMF. Afinal, desde o século 18, os economistas entendem que há uma diferença entre quem entrega o imposto devido ao fisco e quem efetivamente arca com o custo do tributo. Há uma extensa literatura que avalia o impacto de impostos no aumento dos preços pagos pelos consumidores, na queda dos salários dos trabalhadores ou na diminuição do rendimento de outros fatores de produção. Um exemplo interessante é a contribuição previdenciária nos Estados Unidos, que é, em princípio, dividida igualmente entre empregado e empregador. Estudos empíricos demonstram, no entanto, que a parcela das empresas é na realidade paga em boa parte pelos trabalhadores, na forma de salários mais baixos. Não conheço trabalhos sobre a verdadeira incidência da CPMF no Brasil, mas como muitos outros impostos indiretos, é provável que ela incida sobre todas as faixas de renda".
Scheinkman sugere a respeito a leitura do artigo "Tax Incidence", de Don Fullerton e Gilbert Metcalf, que está disponível na serie de working papers da NBER.
O ministro Mantega pode, entretanto, encontrar uma exposição bem mais acessível deste tema no manual de Introdução à Economia de N. Gregory Mankiw - capítulo 6, páginas 124-130 - tradução da 3a. edição americana.
O problema da incidência dos impostos é bem conhecido dos alunos de Economia I, sempre que teoria econômica é, de fato, ensinada nesta disciplina, o que no Brasil, como se sabe e a desinformação do ministro economista ilustra, não acontece necessariamente.
28.10.07
Flutuações macroeconômicas no Brasil
O gráfico apresenta o desvio percentual do PIB corrente brasileiro em relação ao PIB potencial medido segundo o método de Hodrik-Prescott. Os dados cobrem o período 1947-2006.22.10.07
Crescimento do PIB potencial (II)
O gráfico acima mostra a taxa de crescimento do PIB potencial do Brasil, no período 1948-2006, estimada com base no filtro de Hodrick-Prescott.Crescimento do PIB potencial (I)
Na Carta do IBRE, publicada na revista Conjuntura Econômica - edição de outubro de 2007, dois cenários extremos são propostos para responder a esta pergunta.
No cenário otimista, supôs-se que a formação bruta de capital fixo continuaria a se expandir à taxa atual de 8% a.a. e que a produtividade total dos fatores cresceria à taxa de 1% a.a. Neste caso, o crescimento do PIB potencial seria de 4,6% em 2008 e chegaria a 5,4% em 2015.
No cenário pessimista, a formação bruta de capital fixo permaneceria constante como proporção do PIB (ou seja, nos atuais 17%) e a produtividade total dos fatores não cresceria. Sob estas hipóteses, a taxa de crescimento do PIB potencial se manteria em torno de 3,5%, de 2008 a 2015.
Cenários intermediários também considerados no artigo sugerem, por sua vez, uma taxa de expansão do PIB potencial entre 4% e 5% a.a. nos próximos 8 anos.
De acordo com a Carta do IBRE, para alcançar a taxa de crescimento superior a 5% que corresponde ao cenário otimista, seria necessário melhorar o ambiente de negócios, reduzir o gasto público e a carga tributária, reavaliar alguns programas sociais (presume-se que principalmente a política previdenciária) e aumentar a qualidade da educação.
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Sérgio Werlang, em artigo publicado no Valor Econômico - edição de 19 de outubro, mencionou pesquisa do Banco Itaú, segundo a qual a tendência de expansão do PIB teria passado de 1,9%, entre 1996 e 2002, para 3,9%, a partir do final de 2002.
A estimativa do IPEA, que foi objeto desta postagem de junho, é de 3,8%.
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Há, portanto, uma clara convergência para 4% como o valor mais provável da taxa de crescimento do PIB potencial.
21.10.07
Freakonomics
20.10.07
Crescimento (falta de) - corrupção
"Quase metade das empresas que atuam no Brasil (exatamente 48% delas) já se viu diante de uma situação em que foi estimulada a pagar propina, revelou um estudo da consultoria PriceWaterhouseCoopers. A média na África é de apenas 30% e no México a proporção é de 28%. Nem vale a pena comparar com América do Norte (3%) ou Europa Ocidental (9%). A pesquisa foi feita com 5,4 mil executivos de 40 países. O Brasil ganha, se é que dá para usar esse verbo, apenas da Indonésia (54%). Empata com a Rússia. Pode ser que os executivos de outros países estejam mentindo. Ou que os executivos brasileiros consultados estejam exagerando. Mas, depois de todos os escândalos , você se animaria a dizer que não acredita no teor de corrupção inerente aos negócios no Brasil?".
13.10.07
Crescimento (falta de) - Haiti ou China?
As contas nacionais de 2005 e 2006 apontam crescimento acumulado do PIB per capita de 3,84% - um crescimento haitiano, nesta "era de ouro" da economia mundial.
Por outro lado, o crescimento da renda domiciliar per capita, medido pela PNAD, no mesmo período, foi de 16,4% - um crescimento chinês que, nos últimos dois anos, teria beneficiado não apenas os mais pobres, como vinha sendo o caso desde o início desta década, mas todos os estratos sociais.
Neri acredita que a geração de 4,6 milhões de postos de trabalho, dos quais 2,5 milhões no mercado formal, e o aumento das vendas do comércio de 11,8%, em 2005-06, validam os dados da PNAD, mas reconhece que não há uma explicação satisfatória para a discrepância entre estes dados e aqueles provenientes do Sistema de Contas Nacionais.
Fontes do crescimento
Esta questão é reexaminada por Charles Hulten e Anders Isaksson em um outro NBER Working Paper publicado esta semana.
Psicologia e economia
DellaVigna publicou recentemente um NBER Working Paper com excelente revisão da literatura sobre psicologia e economia.
12.10.07
Cascatas de informação
Bem antes de ter sido modelado pelos economistas, o fenômeno das "cascatas de informação", de acordo com Tierney, foi descrito por Schopenhauer, em A Arte da Controvérsia.
11.10.07
Ranking de programas de economia no Brasil (II)
Para obter um ranking alternativo ao da CAPES, ver esta postagem anterior.
10.10.07
Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (II) - está tudo nos genes?
"The human sense of fairness is not rooted in culture. Rather, it is genetic—as it would have to be in order to evolve. Paradoxically, discovering this relies on the fact that not everyone possesses it to the same degree. Researchers have shown this by playing the ultimatum game with twins. They used the classic trick of neutralising the effect of upbringing and exposing that of genetics by comparing identical twins (who share all their genes) with fraternal twins (who share half). Each twin of a pair played the ultimatum game, both as proposer and as responder. A striking correlation between the average division that each member of a pair proposed and also between what they were willing to accept was found, in the case of identical twins. In other words, their senses of what was fair were similar. No such correlations were seen in the behaviour of fraternal twins".
Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (I): chipanzés são maximizadores racionais
"The game started with a pair of trays far from the players' cages. Each tray had ten raisins divided in different ways between two pots— say eight and two, or five and five. One chimp was allotted the role of proposer. He could choose one of the trays, pulling it by way of a rope just halfway to the cage. The other, the responder, could then choose to pull on a rod, bringing the tray close enough for both to get the raisins, one pot for each. If the responder chose not to pull the tray closer within a minute, the offer was considered rejected, and the game concluded. The result is that chimps are simply rational maximisers. Though proposers consistently chose the highest possible number of raisins for themselves, responders rarely rejected even the stingiest offers. A number of researchers in the field of human evolution think that a sense of fairness— and a willingness to punish the unfair even at some cost to oneself— is humanity's 'killer app'. It is what allows large social groups to form. Previous experiments have shown that chimpanzees are willing to punish actual thieves. But this new experiment adds weight to the theory that the more sophisticated idea of fair shares, which underpins collaborative behaviour, appeared in the hominid line only after the ancestors of the two species split from one another".
2.10.07
Crescimento econômico - instituições ou cultura?
Gregory Clark argumenta, em artigo publicado na edição de hoje do Valor Econômico, que a "cultura", não as "instituições", explica a "riqueza das nações":
- "A idéia, atribuída a Adam Smith, de que incentivos adequados, independente da cultura, produzem bons resultados se tornou o grande mandamento da ciência econômica. Esta visão, porém, é uma interpretação equivocada da história (e, provavelmente, uma leitura equivocada de Smith)".
- "O crescimento moderno não se originou de incentivos melhores, e sim da criação de uma nova cultura econômica em sociedades como a Inglaterra e a Escócia. A Revolução Industrial ocorreu num cenário em que os incentivos institucionais básicos da economia se mantiveram inalterados (na verdade, foram piorando) por centenas de anos. Ela foi o produto de mudanças nas preferências econômicas das pessoas na Inglaterra, não de mudanças nas instituições".
- "Os determinantes cruciais da riqueza e pobreza não são as diferenças em incentivos, mas a forma como as pessoas reagem a eles. Em economias bem-sucedidas, as pessoas trabalham arduamente, acumulam e inovam, mesmo quando seus incentivos são insuficientes. Em economias deficientes, as pessoas trabalham pouco, poupam pouco e usam técnicas ultrapassadas, mesmo quando os incentivos são satisfatórios. Para fazer as sociedades pobres crescerem, precisamos mudar sua cultura, não só as instituições e incentivos".
- "Isso exige expor mais pessoas nas sociedades pobres à vida nas economias avançadas. Migrantes acostumados às condições das economias bem-sucedidas representam um núcleo potencial para a industrialização nas economias pobres. Esses trabalhadores, porém, geralmente escolhem permanecer nas economias ricas. Portanto, o problema está em planejar um fluxo suficiente de retorno de migrantes que experimentaram as condições de sociedades economicamente bem-sucedidas às sociedades pobres".
- "Um programa como esse será mais eficaz do que tentar tornar os governos e instituições das sociedades pobres mais parecidos com os governos e instituições das economias avançadas. As pessoas vêm em primeiro lugar".
Sobre as polêmicas idéias de Clark a respeito do crescimento econômico, ver artigo de Nicholas Wade e comentário de David Warsh, ambos objeto de postagens anteriores neste blog.
1.10.07
Choque nos termos de troca (II)
- "De dezembro de 2002 a junho de 2007, os preços das exportações aumentaram 61,1%, enquanto o volume cresceu 56,6%. No caso das importações, as cotações subiram 41,8%, ao passo que o volume teve alta de 91%".
- "Se os preços de exportações e importações tivessem se mantido nos níveis de dezembro de 2002, o saldo comercial positivo de US$ 20,6 bilhões, obtido no primeiro semestre de 2007, teria se reduzido para US$ 8,2 bilhões. Com isso, o saldo em conta corrente de janeiro a junho teria sido deficitário em US$ 8 bilhões, resultado muito diferente do superávit de US$ 4,4 bilhões ocorrido no período".
- "Com as cotações de 2002, o superávit comercial de 2006 teria sido de US$ 24 bilhões, em lugar dos US$ 46,4 bilhões registrados, e o resultado em conta corrente teria sido negativo em US$ 8,8 bilhões e não superavitário em US$ 13,6 bilhões".
- "Sob as mesmas hipóteses, a conta corrente de 2005, que foi superavitária em US$ 14 bilhões, teria apresentado um pequeno déficit de US$ 150 milhões".
Resultados de um exercício similar foram reproduzidos nesta postagem de julho.
