24.11.07

História da desigualdade

A desigualdade de renda e de expectativa de vida é um resultado da Revolução Industrial ou o grau de desigualdade nas sociedades pré-industriais era similar ao que se verifica nas sociedades modernas?

Em princípio, se esperaria encontrar mais desigualdade nas sociedades modernas porque a renda pode ser mais concentrada em sociedades mais ricas sem levar os pobres à morte por inanição.

Esta questão foi examinada por Branko Milanovic, Peter Lindert e Jeffrey Williamson em um NBER Working Paper publicado em outubro.

Os resultados reportados no artigo são resumidos na coluna The Undercover Economist, postada hoje em Slate.

18.11.07

Efeitos da pena de morte

A evidência econométrica recente relativa aos efeitos da aplicação da pena de morte sobre o número e a taxa de homicídios nos Estados Unidos é discutida em artigo publicado na edição de hoje do New York Times.

16.11.07

Entrevista com Paul Romer

Paul Romer conversa sobre crescimento econômico com Russel Roberts, nesta entrevista para The Library of Economics and History. Para ouvir o podcast da entrevista, use este link.

4.11.07

Crescimento (falta de) - competitividade (III)

O Brasil aparece na 72ª colocação no ranking de 131 países do Relatório Global de Competitividade, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

A lista é liderada pelos EUA, Suíça e Dinamarca. O Brasil ficou atrás de vários países latino-americanos - Chile (26ª), México (52ª) e Colômbia (69ª) - e emergentes - China (34ª), Índia (48ª) e Turquia (53ª colocação).

A competitividade brasileira continua a ser prejudicada por juros altos, elevada carga tributária, gasto público ineficiente, burocracia excessiva, deficiências na infra-estrutura e na educação e falta de confiança nas instituições públicas, seja pela corrupção, seja pela morosidade.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - incidência dos impostos

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"Li com grande surpresa que o ministro da Fazenda declarou que 80% ou 90% dos brasileiros não pagarão a CPMF. Afinal, desde o século 18, os economistas entendem que há uma diferença entre quem entrega o imposto devido ao fisco e quem efetivamente arca com o custo do tributo. Há uma extensa literatura que avalia o impacto de impostos no aumento dos preços pagos pelos consumidores, na queda dos salários dos trabalhadores ou na diminuição do rendimento de outros fatores de produção. Um exemplo interessante é a contribuição previdenciária nos Estados Unidos, que é, em princípio, dividida igualmente entre empregado e empregador. Estudos empíricos demonstram, no entanto, que a parcela das empresas é na realidade paga em boa parte pelos trabalhadores, na forma de salários mais baixos. Não conheço trabalhos sobre a verdadeira incidência da CPMF no Brasil, mas como muitos outros impostos indiretos, é provável que ela incida sobre todas as faixas de renda".


Scheinkman sugere a respeito a leitura do artigo "Tax Incidence", de Don Fullerton e Gilbert Metcalf, que está disponível na serie de working papers da NBER.

O ministro Mantega pode, entretanto, encontrar uma exposição bem mais acessível deste tema no manual de Introdução à Economia de N. Gregory Mankiw - capítulo 6, páginas 124-130 - tradução da 3a. edição americana.

O problema da incidência dos impostos é bem conhecido dos alunos de Economia I, sempre que teoria econômica é, de fato, ensinada nesta disciplina, o que no Brasil, como se sabe e a desinformação do ministro economista ilustra, não acontece necessariamente.

28.10.07

Flutuações macroeconômicas no Brasil

O gráfico apresenta o desvio percentual do PIB corrente brasileiro em relação ao PIB potencial medido segundo o método de Hodrik-Prescott. Os dados cobrem o período 1947-2006.

A linha horizontal corresponde ao pleno emprego. Observações abaixo desta linha correspondem a anos de recessão e observações acima dela, a anos de boom.

Os dois episódios recessivos mais graves das últimas 6 décadas ocorreram, como é bem sabido, em meados dos anos 60 e no início da década de 80. Em ambos os casos, o produto corrente chegou a estar 8% abaixo do produto potencial.

A partir de meados da década de 90, as flutuações do PIB em torno da posição de pleno emprego se tornam menos pronunciadas, mas a estabilização se dá num contexto de redução da taxa de crescimento de longo prazo.

22.10.07

Crescimento do PIB potencial (II)

O gráfico acima mostra a taxa de crescimento do PIB potencial do Brasil, no período 1948-2006, estimada com base no filtro de Hodrick-Prescott.

Depois de ter se reduzido a 1,8% em 1990, o valor mais baixo da serie histórica, a taxa de expansão do PIB potencial se recuperou lentamente nos 15 anos seguintes, alcançando 2,7% em 2006.

As estimativas recentes do IPEA, IBRE - FGV e Banco Itaú, mencionadas na última postagem, foram obtidas através de outros métodos e sugerem uma taxa de expansão próxima de 4% atualmente.

Crescimento do PIB potencial (I)

Qual a taxa de crescimento do PIB potencial no Brasil?

Na Carta do IBRE, publicada na revista Conjuntura Econômica - edição de outubro de 2007, dois cenários extremos são propostos para responder a esta pergunta.

No cenário otimista, supôs-se que a formação bruta de capital fixo continuaria a se expandir à taxa atual de 8% a.a. e que a produtividade total dos fatores cresceria à taxa de 1% a.a. Neste caso, o crescimento do PIB potencial seria de 4,6% em 2008 e chegaria a 5,4% em 2015.

No cenário pessimista, a formação bruta de capital fixo permaneceria constante como proporção do PIB (ou seja, nos atuais 17%) e a produtividade total dos fatores não cresceria. Sob estas hipóteses, a taxa de crescimento do PIB potencial se manteria em torno de 3,5%, de 2008 a 2015.

Cenários intermediários também considerados no artigo sugerem, por sua vez, uma taxa de expansão do PIB potencial entre 4% e 5% a.a. nos próximos 8 anos.

De acordo com a Carta do IBRE, para alcançar a taxa de crescimento superior a 5% que corresponde ao cenário otimista, seria necessário melhorar o ambiente de negócios, reduzir o gasto público e a carga tributária, reavaliar alguns programas sociais (presume-se que principalmente a política previdenciária) e aumentar a qualidade da educação.

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Sérgio Werlang, em artigo publicado no Valor Econômico - edição de 19 de outubro, mencionou pesquisa do Banco Itaú, segundo a qual a tendência de expansão do PIB teria passado de 1,9%, entre 1996 e 2002, para 3,9%, a partir do final de 2002.

A estimativa do IPEA, que foi objeto desta postagem de junho, é de 3,8%.
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Há, portanto, uma clara convergência para 4% como o valor mais provável da taxa de crescimento do PIB potencial.

21.10.07

Freakonomics

Nova hipótese para explicar a queda súbita e drástica da criminalidade nos Estados Unidos, a partir do início dos anos 90 - a probição da adição de chumbo à gasolina. A hipótese é discutida em um artigo do New York Times deste domingo.

20.10.07

Crescimento (falta de) - corrupção

Da coluna de Clóvis Rossi, na Folha de São Paulo de hoje:
"Quase metade das empresas que atuam no Brasil (exatamente 48% delas) já se viu diante de uma situação em que foi estimulada a pagar propina, revelou um estudo da consultoria PriceWaterhouseCoopers. A média na África é de apenas 30% e no México a proporção é de 28%. Nem vale a pena comparar com América do Norte (3%) ou Europa Ocidental (9%). A pesquisa foi feita com 5,4 mil executivos de 40 países. O Brasil ganha, se é que dá para usar esse verbo, apenas da Indonésia (54%). Empata com a Rússia. Pode ser que os executivos de outros países estejam mentindo. Ou que os executivos brasileiros consultados estejam exagerando. Mas, depois de todos os escândalos , você se animaria a dizer que não acredita no teor de corrupção inerente aos negócios no Brasil?".

13.10.07

Crescimento (falta de) - Haiti ou China?

Marcelo Neri chamou a atenção para um fato intrigante, em artigo publicado na semana passada no Valor Econômico.

As contas nacionais de 2005 e 2006 apontam crescimento acumulado do PIB per capita de 3,84% - um crescimento haitiano, nesta "era de ouro" da economia mundial.

Por outro lado, o crescimento da renda domiciliar per capita, medido pela PNAD, no mesmo período, foi de 16,4% - um crescimento chinês que, nos últimos dois anos, teria beneficiado não apenas os mais pobres, como vinha sendo o caso desde o início desta década, mas todos os estratos sociais.

Neri acredita que a geração de 4,6 milhões de postos de trabalho, dos quais 2,5 milhões no mercado formal, e o aumento das vendas do comércio de 11,8%, em 2005-06, validam os dados da PNAD, mas reconhece que não há uma explicação satisfatória para a discrepância entre estes dados e aqueles provenientes do Sistema de Contas Nacionais.

Fontes do crescimento

A importância relativa da acumulação de fatores e da produtividade total na explicação das diferenças de produto por trabalhador e, portanto, de renda per capita entre os países tem sido uma questão central no debate sobre crescimento econômico.

Esta questão é reexaminada por Charles Hulten e Anders Isaksson em um outro NBER Working Paper publicado esta semana.

Psicologia e economia

Stefano DellaVigna é uma das estrelas da nova geração de economistas trabalhando nos Estados Unidos, conforme artigo de The New York Times, que foi objeto desta postagem de janeiro.

DellaVigna publicou recentemente um NBER Working Paper com excelente revisão da literatura sobre psicologia e economia.

12.10.07

Cascatas de informação

A difusão da idéia errônea de que dietas gordurosas causam doenças das coronárias é um exemplo de "cascata informacional". O assunto é discutido por John Tierney no Tierney Lab, seu blog em The New York Times.

Bem antes de ter sido modelado pelos economistas, o fenômeno das "cascatas de informação", de acordo com Tierney, foi descrito por Schopenhauer, em A Arte da Controvérsia.

11.10.07

Ranking de programas de economia no Brasil (II)

Os melhores programas de pós-graduação em Economia do Brasil, segundo a avaliação divulgada ontem pela CAPES, são os da UnB, FGV - RJ, IPE - USP e ESALQ - USP. Estes quatro programas foram os únicos a obter conceito 6 na avaliação relativa ao triênio 2004-06. Nenhum programa da área de Economia recebeu conceito 7.

Para obter um ranking alternativo ao da CAPES, ver esta postagem anterior.

10.10.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (II) - está tudo nos genes?

A mesma edição de The Economist mencionada na postagem anterior relata os resultados de um outro experimento, realizado por pesquisadores da Stockholm School of Economics e também baseado no "jogo do ultimato", destinado a testar se o senso humano de justiça tem raízes genéticas ou culturais:
"The human sense of fairness is not rooted in culture. Rather, it is genetic—as it would have to be in order to evolve. Paradoxically, discovering this relies on the fact that not everyone possesses it to the same degree. Researchers have shown this by playing the ultimatum game with twins. They used the classic trick of neutralising the effect of upbringing and exposing that of genetics by comparing identical twins (who share all their genes) with fraternal twins (who share half). Each twin of a pair played the ultimatum game, both as proposer and as responder. A striking correlation between the average division that each member of a pair proposed and also between what they were willing to accept was found, in the case of identical twins. In other words, their senses of what was fair were similar. No such correlations were seen in the behaviour of fraternal twins".

Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (I): chipanzés são maximizadores racionais

Pesquisadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig, desenharam uma versão do conhecido "jogo do ultimato" para ser jogada por chipanzés. Os resultados deste experimento foram reportados em The Economist - edição de 6 de outubro de 2007:
"The game started with a pair of trays far from the players' cages. Each tray had ten raisins divided in different ways between two pots— say eight and two, or five and five. One chimp was allotted the role of proposer. He could choose one of the trays, pulling it by way of a rope just halfway to the cage. The other, the responder, could then choose to pull on a rod, bringing the tray close enough for both to get the raisins, one pot for each. If the responder chose not to pull the tray closer within a minute, the offer was considered rejected, and the game concluded. The result is that chimps are simply rational maximisers. Though proposers consistently chose the highest possible number of raisins for themselves, responders rarely rejected even the stingiest offers. A number of researchers in the field of human evolution think that a sense of fairness— and a willingness to punish the unfair even at some cost to oneself— is humanity's 'killer app'. It is what allows large social groups to form. Previous experiments have shown that chimpanzees are willing to punish actual thieves. But this new experiment adds weight to the theory that the more sophisticated idea of fair shares, which underpins collaborative behaviour, appeared in the hominid line only after the ancestors of the two species split from one another".

2.10.07

Crescimento econômico - instituições ou cultura?

Gregory Clark argumenta, em artigo publicado na edição de hoje do Valor Econômico, que a "cultura", não as "instituições", explica a "riqueza das nações":

  • "A idéia, atribuída a Adam Smith, de que incentivos adequados, independente da cultura, produzem bons resultados se tornou o grande mandamento da ciência econômica. Esta visão, porém, é uma interpretação equivocada da história (e, provavelmente, uma leitura equivocada de Smith)".
  • "O crescimento moderno não se originou de incentivos melhores, e sim da criação de uma nova cultura econômica em sociedades como a Inglaterra e a Escócia. A Revolução Industrial ocorreu num cenário em que os incentivos institucionais básicos da economia se mantiveram inalterados (na verdade, foram piorando) por centenas de anos. Ela foi o produto de mudanças nas preferências econômicas das pessoas na Inglaterra, não de mudanças nas instituições".
  • "Os determinantes cruciais da riqueza e pobreza não são as diferenças em incentivos, mas a forma como as pessoas reagem a eles. Em economias bem-sucedidas, as pessoas trabalham arduamente, acumulam e inovam, mesmo quando seus incentivos são insuficientes. Em economias deficientes, as pessoas trabalham pouco, poupam pouco e usam técnicas ultrapassadas, mesmo quando os incentivos são satisfatórios. Para fazer as sociedades pobres crescerem, precisamos mudar sua cultura, não só as instituições e incentivos".
  • "Isso exige expor mais pessoas nas sociedades pobres à vida nas economias avançadas. Migrantes acostumados às condições das economias bem-sucedidas representam um núcleo potencial para a industrialização nas economias pobres. Esses trabalhadores, porém, geralmente escolhem permanecer nas economias ricas. Portanto, o problema está em planejar um fluxo suficiente de retorno de migrantes que experimentaram as condições de sociedades economicamente bem-sucedidas às sociedades pobres".
  • "Um programa como esse será mais eficaz do que tentar tornar os governos e instituições das sociedades pobres mais parecidos com os governos e instituições das economias avançadas. As pessoas vêm em primeiro lugar".

Sobre as polêmicas idéias de Clark a respeito do crescimento econômico, ver artigo de Nicholas Wade e comentário de David Warsh, ambos objeto de postagens anteriores neste blog.

1.10.07

Choque nos termos de troca (II)

Estimativas do impacto do choque favorável nos termos de troca sobre a balança comercial e a conta de transações correntes do Brasil, elaboradas pelo professor Nelson Marconi, da Fundação Getúlio Vargas e divulgadas hoje no Valor Econômico:
  • "De dezembro de 2002 a junho de 2007, os preços das exportações aumentaram 61,1%, enquanto o volume cresceu 56,6%. No caso das importações, as cotações subiram 41,8%, ao passo que o volume teve alta de 91%".
  • "Se os preços de exportações e importações tivessem se mantido nos níveis de dezembro de 2002, o saldo comercial positivo de US$ 20,6 bilhões, obtido no primeiro semestre de 2007, teria se reduzido para US$ 8,2 bilhões. Com isso, o saldo em conta corrente de janeiro a junho teria sido deficitário em US$ 8 bilhões, resultado muito diferente do superávit de US$ 4,4 bilhões ocorrido no período".
  • "Com as cotações de 2002, o superávit comercial de 2006 teria sido de US$ 24 bilhões, em lugar dos US$ 46,4 bilhões registrados, e o resultado em conta corrente teria sido negativo em US$ 8,8 bilhões e não superavitário em US$ 13,6 bilhões".
  • "Sob as mesmas hipóteses, a conta corrente de 2005, que foi superavitária em US$ 14 bilhões, teria apresentado um pequeno déficit de US$ 150 milhões".

Resultados de um exercício similar foram reproduzidos nesta postagem de julho.

29.9.07

O jogo da "caçada ao veado" e a riqueza das nações

Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate, explica a recente corrida contra o banco inglês Northern Rock como o resultado da decisão dos depositantes de trocar a "caça ao veado" pela "caça ao coelho", no jogo conhecido como "caçada ao veado".

Este jogo mostra que o bem estar social é maximizado quando existe cooperação, a qual, por sua vez, depende da confiança existente entre os jogadores.

Assim, ajudaria a explicar bem mais do que a estabilidade dos bancos ou as corridas contra eles. Segundo Harford, a diferença entre países que foram bem sucedidos em formalizar a confiança (ou seja, países cuja população "caça veados coletivamente") e os países que não conseguiram isso (países onde a população "caça coelhos individualmente") corresponde basicamente à diferença entre países ricos e pobres.

26.9.07

Crescimento (falta de) - ambiente de negócios (II)


"Em 121 países, o ambiente de negócios é mais favorável do que no Brasil. A conclusão é da edição 2008 do relatório 'Doing Business', divulgado pelo Banco Mundial e que reúne dados sobre 178 países. No novo ranking, o Brasil aparece atrás de economias como Uganda, Bangladesh e Nepal e até mesmo dos territórios palestinos da Cisjordânia e Gaza. Em relação ao ranking divulgado em 2006, o Brasil caiu uma posição (estava em 121). Na América Latina, o desempenho do Brasil fica na frente só de Equador, Bolívia e da Venezuela, que ocupa uma das últimas posições do ranking geral (172 ). O levantamento avalia os países a partir da dificuldade dos empresários em abrir um negócio, obter licenças de construção, contratar mão-de-obra, registrar propriedades e obter crédito. Também leva em consideração a proteção existente para os investidores, a carga tributária, a facilidade para exportar e importar, o respeito aos contratos e o grau de dificuldade para fechar uma empresa".

(Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico).

Paradoxo da pirataria

Na coluna The Financial Page, da New Yorker, James Surowiecki explica porque, no setor de moda, a pirataria - a cópia de modelos - é benéfica para suas "vítimas".

23.9.07

Corrupção e educação

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na Folha de São Paulo de hoje:
  • "Edward Glaeser e Raven Saks, da Universidade Harvard, mostraram, em um working paper da NBER, a conexão entre baixo nível educacional e prevalência de práticas corruptas nos Estados Unidos".
  • "Os pesquisadores utilizaram dados sobre servidores públicos municipais, estaduais e federais que foram condenados pela justiça federal americana por um crime relacionado à corrupção entre 1990 e 2002".
  • "O número de condenações como proporção da população varia consideravelmente entre os estados. Nos atrasados Mississippi e Louisiana, a taxa de condenação foi de nove servidores públicos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, enquanto em Oregon essa proporção foi menor que uma por 100 mil".
  • "Glaeser e Saks reconhecem que a corrupção provavelmente deprime os gastos em educação e que, portanto, a existência de uma correlação entre educação e honestidade dos servidores públicos não indica necessariamente que o baixo nível educacional cause um aumento na corrupção. Por isso aplicaram uma série de testes estatísticos que sugerem que, de fato, menor educação gera mais corrupção".
  • "Os pesquisadores de Harvard também documentaram que os estados mais pobres são mais corruptos, mas que a educação dos habitantes de um estado é um determinante mais importante do índice de corrupção do que a renda".

22.9.07

Redução da pobreza no Brasil (II)


  • O número de miseráveis no Brasil se reduziu em 5,9 milhões entre 2005 e 2006, uma queda de 14%, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, baseada em dados da PNAD. Foram contabilizadas 36,1 milhões de pessoas vivendo em condição miserável no país, no ano passado. Em 2005, eram 42,0 milhões.
  • Os miseráveis representavam 19,3% da população em 2006, a menor taxa desde 1992 (35,2%). Em 2005, o percentual era de 22,8%. O gráfico acima, publicado no Valor Econômico, mostra a evolução deste indicador entre 1992 e 2006.
  • Diferenças nos critérios adotados para classificar quem é pobre ou miserável explicam as disparidades entre a pesquisa do IETS, mencionada em postagem anterior, e esta pesquisa da FGV. Por exemplo, para a FGV, os miseráveis na Região Metropolitana de São Paulo são definidos como as pessoas que vivem em domicílios com rendimento per capita inferior a R$ 125. Para a mesma região metopolitana, o IETS utilizou como linha de pobreza o rendimento domiciliar per capita de R$ 266,15.
  • A desigualdade também manteve sua trajetória de queda em 2006, segundo a FGV - o índice de Gini da renda per capita dos domicílios baixou de 0,568, em 2005, para 0,562, em 2006.

Transição demográfica no Brasil


Naércio Menezes discute, em sua coluna na edição deste fim de semana do Valor Econômico, os números da "transição demográfica" no Brasil:
  • "A figura acima mostra a evolução recente e as projeções de tamanho da população brasileira dividida em três faixas etárias. A população de jovens (0 a 24 anos de idade), que vinha crescendo há muito tempo, atingiu seu ponto mais elevado em 2007, ficará estável por mais 20 anos ao nível de 87 milhões e passará a declinar partir de 2027. A população de adultos (25 a 64 anos) continuará crescendo a taxas elevadas (mas decrescentes) por mais 40 anos, quando então se estabilizará. Já a população de idosos (mais de 64 anos) aumentará a taxas crescentes, chegando a 49 milhões de pessoas em 2050".

  • "Os dados mais recentes mostram que a mulher brasileira tem, em média, 2,1 filhos. Isto significa que o Brasil já atingiu a chamada taxa de reposição, ou seja, se esta taxa permanecer constante, a população brasileira deve parar de crescer a partir de meados deste século".

  • "A taxa de fecundidade deverá cair ainda mais, graças ao avanço educacional. As mulheres com menos de três anos de escolaridade média têm, em média, 3,3 filhos, enquanto as mais escolarizadas (com pelo menos o ensino médio) têm apenas 1,6 filho. Esta diferença provoca uma diminuição da renda per capita das famílias mais pobres, logo a redução da taxa de fecundidade que ainda continua a ocorrer nestas famílias (se voluntária) é bem-vinda".

  • "O Brasil já deixou de aproveitar grande parte da 'janela de oportunidade', trazida pela transição demográfica e relacionada com o fato de que os adultos tendem a ser mais produtivos e a acumular mais capital do que os jovens e idosos. O aumento da informalidade, do desemprego e dos gastos sociais com idosos, resultados da Constituição de 1988, impediu que aproveitássemos integralmente este dividendo demográfico para acelerar nosso crescimento econômico".

Sobre este assunto, ver postagens anteriores relativas a artigo de Malcolm Gladwell e ao conhecido estudo de David Blomm e David Canning. Informações sobre o caso brasileiro podem também ser obtidas nesta postagem de fevereiro.

19.9.07

Crescimento (falta de) - educação (IV)

Informações publicadas em editorial na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o número de estudantes do ensino médio caiu 0,9% no Brasil, de 2005 para 2006. O valor percentual baixo pode sugerir que tenha havido apenas flutuação estatística, mas a quantidade de matrículas no ensino médio deveria aumentar, e não diminuir. A taxa de escolarização na faixa etária correspondente (82,5%, de 15 a 17 anos) está longe da universalização obtida no ensino fundamental (97,7%, de 7 a 14 anos). O indicador vinha melhorando nos anos 1990, até atingir 81,1% em 2001. Desde então, estagnou entre 81% e 82,5%. De acordo com o Censo Escolar do Ministério da Educação, essa taxa bruta de escolarização oculta que apenas 53% dos 8,9 milhões de matriculados estão na faixa etária correta. Há 4,1 milhões de estudantes secundários com 18 anos ou mais que isso, por força de reprovações. A contrapartida é que 3,6 milhões de jovens de 15 a 17 anos, que deveriam cursar o ensino médio, ainda marcavam passo no fundamental, em 2006. A taxa de reprovação é de 11,5%, e a de abandono, de 15,3%. O ensino médio no Brasil vive uma grave crise".

Redução da pobreza no Brasil (I)

Estimativas de Sônia Rocha, economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sobre a evolução recente da pobreza no Brasil, publicadas pela Folha de São Paulo:
  • "Em 2006, a pobreza atingia 26,9% da população brasileira. É o mais baixo índice desde 1987. Em 2005, a proporção de pobres ficou em 30,5%. Em 1995, a pobreza chegava a 33,2%".
  • "Em números absolutos, houve queda de 10,6% no contingente de pobres no país - de 54,9 milhões de pessoas em 2005 para 49,0 milhões em 2006. Ou seja, em um ano, 5,9 milhões de brasileiros ultrapassaram a linha da pobreza".
  • "O total de indigentes também baixou - de 6,8% da população em 2005 para 5,7% em 2006. Em todo o Brasil, o número de miseráveis caiu de 12,2 milhões para 10,4 milhões".
  • "Se a pobreza cedeu no país como um todo, houve concentração nas áreas urbanas, em especial nas grandes metrópoles. Do total de pobres em 2006, 36,3% estavam nas dez principais regiões metropolitanas. Esse percentual era menor em 1995: 28,8%. Em 2005, havia sido de 35,5%".

15.9.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - aquecimento global

Greg Mankiw tem promovido, no seu muito lido blog, a adoção de um imposto de Pigou como solução para o problema do excesso de emissões de carbono.

Os argumentos que tem levantado em favor desse imposto foram resumidos por Mankiw, em sua contribuição para a coluna Economic View, publicada hoje também em The New York Times.

Queda da mortalidade infantil

A mortalidade infantil no mundo, em 2005, alcançou 9,7 milhões crianças - a primeira vez em que esse número fica abaixo de 10 milhões, desde que registros começaram a ser mantidos, em 1960.

No início da década de 60, 20 milhões de crianças de menos de 5 anos morriam anualmente, em todo o mundo. Se a taxa de mortalidade infantil tivesse se mantido inalterada, o número para 2005 teria sido de 25 milhões.

As causas desta importante queda na mortalidade infantil foram discutidas em recente artigo em The New York Times.

10.9.07

Bolsa - Grande Empresa

Da coluna de Cláudio Haddad, na edição do Valor Econômico de 6 de setembro:
"Para se reduzir a carga tributária no Brasil, é imprescindível se iniciar uma discussão séria sobre o tamanho e a alocação dos gastos públicos. Nesta discussão, é fundamental incluir as renúncias fiscais e os subsídios invisíveis que transitam fora do orçamento, mas que aumentam a dívida pública e, consequentemente, as despesas com juros. Um exemplo de gasto invisível é o financiamento concedido pelo BNDES à TJLP. Entre junho de 2006 e de 2007, o saldo médio das operações de crédito do BNDES consolidado em moeda nacional (praticamente todas à TJLP) foi de R$ 111 bilhões. Neste mesmo período a Selic acumulada, taxa básica de captação do governo federal, ficou 5,86% acima da TJLP. Ou seja, em 12 meses essas operações transferiram como subsídio R$ 6,5 bilhões aos tomadores, igual a 70% do valor previsto para o Bolsa Família este ano, sendo que, dada a concentração de operações do banco, os dez maiores tomadores devem ter recebido mais de 50% deste valor. Justifica-se este subsídio, principalmente levando-se em conta que para os grandes tomadores o mercado de capitais já é uma alternativa viável? Por que proteger e subsidiar os tomadores daquele banco em detrimento de outras empresas, com projetos igualmente meritórios, cujos controladores têm de seguir regras rígidas de governança e diluir sua participação através de emissões primárias de ações? Por que os recursos para os primeiros teriam de vir do trabalhador e do governo quando poderiam ser providos por investidores em condições competitivas?"

Crescimento (falta de) - carga tributária (V)

A carga tributária no Brasil chegou a 34,23% do PIB, em 2006, de acordo com estimativa da Receita Federal.

Carga tributária como % do PIB - 2002 / 2006

2002 - 31,86
2003 - 31,46
2004 - 32,22
2005 - 33,38
2006 - 34,23

Fonte: Folha de São Paulo, edição de 22/08/2007.

2.9.07

Taxa de câmbio e política fiscal, de novo

Dani Rodrik argumenta, em artigo publicado recentemente no Valor Econômico, que uma moeda subvalorizada é fundamental para o crescimento econômico sustentado:
"Praticamente todos os casos de crescimento sustentável elevado têm sido acompanhados de uma taxa de câmbio real significativamente depreciada. Observando a experiência de mais de 100 países, apurei que cada 10% de subvalorização acrescenta 0,3 pontos percentuais ao crescimento. A subvalorização da moeda é um instrumento possante para o crescimento porque aumenta a rentabilidade dos setores industrial e agrícola não-tradicional, que são as atividades com o maior nível de produtividade de mão-de-obra e que também apresentam as mais velozes taxas de aumento de produtividade. Ela estimula a produção, ao contrário da supervalorização, que estimula o consumo. É importante compreender que este não é um problema de competência exclusiva do banco central. Manter uma moeda competitiva requer um aumento na poupança interna em relação ao investimento, ou uma diminuição nos gastos nacionais em relação à renda. Caso contrário, os ganhos de competitividade seriam anulados pela inflação ascendente. Isso significa que as autoridades fiscais têm uma grande responsabilidade: estabelecer uma meta de superávit fiscal que seja grande o suficiente para gerar o espaço necessário para a depreciação real do câmbio. Ninguém tem o direito de se queixar da política de 'moeda valorizada e alta taxa de juro' do banco central quando a política fiscal continua frouxa demais para permitir que as taxas de juros sejam reduzidas sem colocar em risco a estabilidade dos preços".
O mesmo argumento sobre a relação entre política fiscal e taxa de câmbio foi apresentado antes neste blog, em postagens de janeiro e abril.

28.8.07

Raízes da crise nos mercados financeiros

Da coluna de Yoshiaki Nakano, na edição de hoje do Valor Econômico:
"Com a pressão deflacionária exercida pela forte expansão da capacidade produtiva global e integração ao mercado internacional de centenas de milhões de trabalhadores chineses, indianos e do Leste Europeu, a curva de Phillips nas economias desenvolvidas se tornou mais horizontal. Tornou-se possível ter taxa de inflação muito baixa com níveis menores de desemprego. A combinação do regime de metas de inflação com o uso da regra de Taylor, de acordo com a qual controla-se apenas a taxa de juros, o que torna a expansão monetária e creditícia inteiramente endógena, ou seja, determinada pela demanda, levou a um grande aumento da liquidez e do crédito. Com o aparente sucesso da política monetária, a inflação de crédito e de preços dos ativos ficou de fora das preocupações dos bancos centrais".

24.8.07

Convergência de rendas per capita

  • O gráfico acima, extraído do paper de Robert Lucas mencionado na postagem anterior, mostra o conhecido resultado de ausência de convergência internacional de rendas per capita, fazendo uso de dados de Angus Maddison para 122 países, no período 1960-2000.
  • De acordo com Lucas, "os países ricos - principalmente Europa, América do Norte e Japão - apresentam todos taxas de crescimento da renda per capita próximas de 2%. Os países mais pobres - principalmente África e Ásia - apresentam uma variação extremada nas suas taxas de crescimento, desde o crescimento milagroso da Coréia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Singapura até a estagnação e mesmo crescimento negativo de alguns países africanos e asiáticos".

Difusão do desenvolvimento entre economias abertas

Robert Lucas, em um recém-publicado NBER Working Paper, propõe um modelo para explicar como a "revolução industrial" é difundida entre economias abertas, o qual se baseia nas seguintes hipóteses:

1. As economias são do tipo "AK", com o nível de produto per capita sendo proporcional ao estoque de conhecimento médio dos indivíduos.
2. A taxa de crescimento do estoque de conhecimento na economia líder é uma constante μ.
3. A taxa de crescimento do estoque de conhecimento nas economias seguidoras é μ (H/h)^θ, onde H é o estoque de conhecimento na economia líder e h é o estoque de conhecimento na economia seguidora.

Dado que H > h, a hipótese 3 implica que as economias seguidoras crescem a uma taxa superior a μ, tanto maior quanto maior o hiato (H/h) entre os níveis de conhecimento da economia líder e da economia seguidora.

A evidência empírica sugere que μ = 0,02 e θ = 0,67.

Calibrando o modelo com estes valores para os parâmetros μ e θ, é possível replicar bastante bem a relação entre o nível inicial e a taxa de crescimento da renda per capita do período 1960-2000, observada em 31 das 39 economias definidas como abertas na conhecida classificação de Sachs e Warner.

Este resultado é mostrado no gráfico, onde a curva com inclinação negativa representa os resultados da calibração descrita acima.

As 8 economias "fora da curva" correspondem principalmente a economias asiáticas bastante pobres, apesar de abertas. Para replicar a experiência de economias como estas, Lucas propõe uma versão modificada do modelo, em que a taxa de crescimento do estoque de conhecimento depende também de efeitos de aglomeração, sendo tanto mais reduzida quanto maior a parcela da população do país empregada na agricultura.

O modelo de Lucas supõe que todas as economias convergem para o nível de renda per capita da economia líder no longo prazo, mas, para as economias mais pobres, a convergência pode demorar mais de 2 séculos - "o crescimento econômico, mesmo sob condições ideais, é um processo lento".

19.8.07

Injeção de liquidez - como se faz

O Federal Reserve Bank injetou bilhões de dólares no sistema bancário americano, nos últimos dias, em vista dos problemas de liquidez que os bancos estão enfrentando. Artigos em Slate e em The New York Times explicam como esta injeção de liquidez é realizada.

Reciclando: manias, pânicos e quebras

Esta postagem anterior, feita em março e extraída de artigo de Aquiles Mosca, publicado no Valor Econômico, descreve o mecanismo de propagação de crises nos mercados de ações e ajuda a entender parte do que está acontecendo atualmente nestes mercados, mundo afora.

18.8.07

Produtividade no Brasil

Da coluna de Cláudio Haddad, no Valor Eonomico:

"São nove horas da manhã. Um caminhão velho, carregado de abacaxis, estaciona em local proibido, em uma rua movimentada de um bairro nobre de São Paulo. Uma tabuleta na traseira do caminhão indica ser aquele o 'abacaxi pérola da roça'. Em poucos instantes, é gerado um enorme congestionamento no local. Estimando-se, conservadoramente, o custo do tempo dos ocupantes dos veículos em R$ 60 por hora, o fluxo de veículos em 50 por minuto, a perda adicional de tempo provocada pelo caminhão em um minuto e considerando-se apenas um ocupante por veículo, o caminhão, em meia hora, teria provocado perdas de R$ 1.500. Ao preço de R$ 2 por abacaxi e uma margem de 50%, os donos do caminhão teriam de vender 3 mil abacaxis, provavelmente mais do que a carga do caminhão, para compensar o custo por eles produzido em meia hora. Atividades como essa, comuns nas cidades brasileiras, são rentáveis para quem as exerce e geram benefícios para os consumidores que as financiam. Mas geram custos significativos para o resto da sociedade, que, no entanto, são ignorados ou tolerados. No Brasil, infelizmente, a eficiência ainda é sacrificada pela ideologia, pela má compreensão do funcionamento do sistema econômico e por uma falsa 'preferência pelo excluído', cuja contrapartida é a alta tolerância com o ilícito".

Seleção natural e revolução industrial (II)

David Warsh também comenta, em economicprincipals, a hipótese de Gregory Clark sobre a relação entre seleção natural e revolução industrial, que foi objeto de uma postagem recente neste blog.

A resenha não é muito simpática ao livro de Clark, que Warsh considera uma tentativa de ressuscitar a abordagem social-darwinista.

Além disso, para Warsh, o argumento principal do livro nem seria originalmente de Clark, tendo sido proposto antes por Oded Galor, em um paper publicado em 2002 no Quarterly Journal of Economics.

Galor explicou sua "teoria evolucionária do crescimento" nesta entrevista.

8.8.07

Produtividade


O Bureau of Labor Statistics, órgão do governo americano, comparou a produtividade por trabalhador e a produtividade por hora dos EUA com a de outros países desenvolvidos.

O trabalhador americano produziu em média o equivalente a US$ 90 mil de produto em 2006, valor calculado em paridade de poder de compra. Somente os noruegueses tiveram um desempenho melhor - em parte, pelo menos, por causa da produção de petróleo.

Ao considerar o produto por hora, porém, o BLS verificou que noruegueses, belgas, holandeses e franceses superam os US$ 50 por hora dos americanos, como indica a tabela acima.

A tabela foi originalmente publicada em The Economist e reproduzida no Valor Econômico.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - a tragédia de Congonhas (II)

Da coluna de Elio Gaspari, na edição de hoje da Folha São Paulo:

"Desde 1982, a literatura técnica ensinava que o movimento do aeroporto de Congonhas não podia passar da marca dos 14 milhões de passageiros /ano. Quando o Airbus da TAM explodiu, o movimento estava em 18 milhões".

Nesta outra postagem, o problema de super-utilização do aeroporto foi interpretado como um caso de "tragédia dos comuns".

7.8.07

Seleção natural e revolução industrial (I)

A revolução industrial resultou de um processo de seleção natural que levou a mudanças de comportamento entre a população da Inglaterra. A tese de Gregory Clark, da Universidade da Califórnia - Davis, é explicada em um artigo de Nicholas Wade, publicado na edição de hoje do New York Times.

Atraso de 83 anos

Quando as principais economias desenvolvidas alcançaram o atual patamar de renda per capita do Brasil?

De acordo com as estimativas de Angus Maddison, publicadas no livro "The world economy: historical statistics", as 7 maiores economias desenvolvidas chegaram à renda per capita brasileira de 2001 nos seguintes anos:

Reino Unido - 1918
Estados Unidos - 1918
Alemanha - 1941
França - 1951
Itália - 1959
Japão - 1964
Espanha - 1968

A renda per capita do Brasil em 2006 era apenas 9% maior do que em 2001, de modo que as informações de Maddison dão uma boa idéia do atraso em que ainda nos encontramos, em termos de renda.

6.8.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - a tragédia de Congonhas (I)

Em artigo na edição de hoje do Valor Econômico, Sérgio Werlang mostra que o excesso de tráfego aéreo no aeroporto de Congonhas, verificado até recentemente, é um exemplo da "tragédia dos comuns":
"Ficou claro [com o acidente da TAM] que havia excesso de vôos em Congonhas. Isto ocorreu porque não há sistema de preços para as janelas de pouso e decolagem. Simplesmente as companhias aéreas iam requisitando e obtendo licenças. O que deveria ser feito? As janelas não deveriam ser concedidas livremente, mas ter preço de mercado. Uma das formas possíveis é a ANAC determinar o limite seguro de operação de Congonhas e leiloar estes direitos. Assim, vários problemas seriam resolvidos. Primeiro, passageiros que quisessem o conforto de parar em Congonhas teriam que pagar mais por isso, uma vez que as companhias teriam pago pelos direitos de pouso e decolagem. Segundo, as linhas aéreas não usariam Congonhas para vôos de conexão, a não ser se fossem muito lucrativos - as conexões podem ser feitas em qualquer aeroporto onde haja mais vagas (nos EUA várias cidades não centrais são núcleos de conexão)".

4.8.07

Teoria econômica do vício

A teoria econômica do vício é o assunto discutido esta semana por Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate.