31.12.07

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (I)


(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).

Em meados de dezembro, o Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial, divulgou novas estimativas do valor em dólares americanos do PIB de 146 países, obtidas a partir de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC).

Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo valor de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto das diferentes economias nacionais.

Os principais resultados do ICP são resumidos abaixo.
  • O PIB mundial alcançou o valor de 55 trilhões de dólares em 2005 - ano base do ICP. O PIB per capita mundial, dada a população de 6,13 bilhões de pessoas, foi de 8 972 dólares.
  • Perto de dois terços da produção da economia mundial estão concentrados nos 37 países europeus e nos 9 membros não europeus da OCDE. Dado que esses países respondem por apenas um quinto da população do mundo, sua renda per capita equivale a mais do que o triplo da média mundial, como mostra a tabela acima.
  • A renda per capita da Europa + OCDE é 14 vezes maior do que a da África, a região mais pobre do mundo.
  • A América do Sul e a Comunidade de Estados Independentes - CEI (formada por membros da ex-URSS) têm renda per capita próxima da média mundial.
  • A necessidade de se utilizar taxas de câmbio PPC em comparações internacionais é evidenciada pelos dados da última coluna da tabela. O nível de preços em dólares na África, Ásia / Pacífico, CEI e América do Sul é metade ou menos do nível de preços observado nos Estados Unidos, quando taxas de câmbio de mercado são utilizadas para converter os preços naquelas regiões para dólares.

30.12.07

Crescimento (falta de) - governo (I)

Celso Martone examina, na edição de dezembro do Boletim de Informações da FIPE-USP, as falhas institucionais que levam à hipertrofia e disfunção do setor público no Brasil, uma das principais causas, segundo o autor, das baixas taxas de crescimento econômico observadas no país, desde o início da década de 80.

Causas da Grande Depressão (I)

As causas da Grande Depressão de 1929 são discutidas por Vanessa Sumo, em artigo publicado em Region Focus, a revista do Federal Reserve Bank of Richmond.

O artigo mostra que, em quase oito décadas de debate, os economistas não alcançaram um consenso sobre os determinantes da Grande Depressão, o que, para a autora, é um reflexo de divergências mais gerais quanto à origem das flutuações macroeconômicas.

23.12.07

Ranking do futebol brasileiro (I)

A Folha de São Paulo publicou, na sua edição de hoje, um ranking dos times de futebol brasileiros, baseado no desempenho histórico dos clubes em campeonatos estaduais, regionais, nacionais e internacionais.

Aparecem entre os Top Ten, nesta ordem, São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Vasco, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Fluminense. A competição, como se vê, não faz parte desta liga.

O líder do ranking, São Paulo, somou 881 pontos, enquanto o Cruzeiro alcançou 643 pontos.

A distância entre Cruzeiro e CAM é de 164 pontos, o equivalente à pontuação de 4 Mundiais Interclubes da FIFA ou de 23 campeonatos mineiros.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - resoluções de ano novo

Além de recomendações sobre como melhor presentear (ver postagem anterior), a teoria econômica tem também lições a oferecer no que diz respeito a resoluções de ano novo, como mostra Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - como presentear com eficiência

Para quem ainda está em dúvida sobre como presentear, Surowiecki, Dubner e Levitt e Harford têm algumas sugestões.

15.12.07

Direita e esquerda

Greg Mankiw explica, nesta postagem do seu blog, em que consistem as diferenças de opinião sobre política econômica entre economistas "de direita" e "de esquerda".

A classificação se refere a economistas que, pelo menos, leram até o fim e entenderam o manual de introdução e, portanto, não se aplica a todos os portadores de diploma do lado de baixo do Equador (ou ao sul do Rio Grande).

9.12.07

Crescimento (falta de) - poupança

Da coluna de Armando Castelar Pinheiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
  • "A recuperação da formação bruta de capital fixo no último biênio, no Brasil, foi notável: um aumento médio anual de 9,4%, incrementando a taxa de investimento, a preços constantes de 2006, em 0,9% do PIB ao ano. Mantido o ritmo atual de expansão do investimento, em cerca de cinco anos o potencial de crescimento sustentado aumentará em um ponto percentual, para uma taxa entre 4,5% e 5% ao ano, o dobro do crescimento médio efetivo no último quarto de século".
  • "A nossa taxa de poupança, baixa e cadente, é, porém, um grande limitante à aceleração do crescimento no Brasil. Em 2005, ela caiu para apenas 17,3% do PIB, cerca de quatro pontos percentuais abaixo da média latino americana e muito menos que a registrada nos países asiáticos de alto crescimento. Em 2006 e 2007 ela deve ter diminuído ainda mais".
  • "Nos próximos anos, o consumo das famílias se expandirá cerca de 6% a 6,5% ao ano, turbinado pelo aumento do crédito e da massa salarial, assim como pela maior estabilidade macroeconômica, inclusive a queda do desemprego".
  • "O governo tem enfatizado a necessidade de novas contratações e do aumento do gasto corrente, de forma que o consumo do governo não deve cair abaixo dos 20% do PIB, patamar em que se mantém desde 1995".
  • "Dadas as taxas acima de crescimento do consumo privado e público e do investimento e mantidos os termos de troca no patamar atual, relativamente elevado em termos históricos, conclui-se que em 2011 o Brasil terá um déficit em conta corrente de 6,4% do PIB, com uma taxa de poupança bruta de 14,4% do PIB, semelhante à observada em 2000-02".
  • "Um cenário de aumento simultâneo da taxa de investimento e do consumo, como se projeta para o Brasil, tem como corolário déficits crescentes em conta corrente, começando já em 2008. Em algum momento, a expansão será interrompida por uma crise de financiamento externo, como outras vezes no passado".
  • "Ou se começa já a promover um aumento da poupança nacional, o que passa em especial pela elevação da poupança pública, ou não há como falar em uma trajetória de crescimento alto e sustentado no longo prazo".

Seleção natural e revolução industrial (III)

Mais duas resenhas do livro "A Farewell to Alms", de Gregory Clark:
  • de Benjamin Friedman, publicada na edição de hoje do New York Times (acesso gratuito).
  • de Robert Solow, publicada na edição de 22 de novembro da New York Review of Books (acesso ao custo de 3 dólares).
O livro já foi objeto de outras postagens neste blog - em 7 de agosto e 18 de agosto.

8.12.07

Crescimento (falta de) - educação (V)


Informações sobre o desempenho dos estudantes brasileiros no PISA 2006.


O que é o PISA

  • O objetivo do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é comparar o desempenho dos países na educação. Para isso, são aplicados, a cada três anos, testes a alunos de 15 anos nas nações que participam do programa.
  • O PISA analisou as habilidades de mais de 400 mil alunos em 57 países (30 membros da OCDE e 27 participantes voluntários, entre os quais o Brasil), em 2006.
  • A média dos alunos da OCDE foi de 498 pontos em matemática, 492 pontos em leitura e 500 pontos em ciências, no PISA 2006. Os países com média mais alta foram, respectivamente, Taiwan (549 pontos), Coréia (556 pontos) e Finlândia (563 pontos).

Desempenho dos estudantes brasileiros

  • No Brasil, fizeram o teste 9.295 alunos de 7ª ou 8ª série de 625 escolas públicas e privadas, situadas em 390 cidades.O Brasil obteve a 53ª posição em matemática, a 52ª em ciências e a 48ª em leitura, em 2006.
  • As notas brasileiras nas três últimas versões do teste são mostradas no quadro acima, publicado no jornal Valor Economico. Comparando o desempenho do Brasil nos exames de 2003 e 2006, a nota piorou em leitura, ficou estável em ciências e melhorou em matemática.
  • A maioria dos estudantes brasileiros não ultrapassa o menor nível de aprendizado nas disciplinas testadas. Numa escala que vai até seis, 73% dos brasileiros estão situados no nível um ou abaixo disso em matemática. Em ciências, essa proporção é de 61%. Na prova de leitura, para a qual a escala vai até cinco, 56% dos alunos brasileiros não conseguiram ultrapassar o nível um.
  • Na comparação envolvendo apenas os 5% melhores alunos de cada país participante, a posição do Brasil é a 51ª em ciências, a 45ª em leitura e a 53ª em matemática. Considerando os 5% piores alunos, a posição do Brasil é a 55ª em ciências, a 51ª em leitura e a 55ª em matemática.
  • Apesar de o Brasil apresentar uma das maiores desigualdades na distribuição das notas dos alunos, essa diferença diminuiu, de 2003 para 2006. A média dos estudantes que estavam entre os 5% piores teve ganho de 23 pontos em matemática e de 11 pontos em leitura. Entre os que estavam entre os 5% melhores, a média variou apenas 2 pontos em matemática e teve queda de 19 pontos em leitura.
  • O Brasil apresenta a maior distância no desempenho de escolas públicas e privadas, mas não ganha número significativo de posições no ranking quando só as particulares são consideradas.

Curva de Phillips - literatura recente

Richard Dennis discute a literatura recente relativa à Curva de Phillips Novo-Keynesiana, em uma Economic Letter do Federal Reserve Bank of San Francisco, publicada no final de novembro.

1.12.07

Retorno da educação no Brasil

Da coluna de Naércio Menezes, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
  • "Em 1981, o brasileiro típico (mediano) com mais de 25 anos de idade ganhava R$ 542 por mês (a preços de 2006), no seu trabalho principal. Em 1993, no auge do período inflacionário, o salário mediano era de apenas R$ 395. Já em 2006, o salário mensal do indivíduo típico atingiu o patamar de R$ 500 por mês. Se considerarmos os valores médios, ao invés de medianos, o salário era de R$ 996 mensais em 1981, R$ 789 em 1993 e R$ 947 em 2006. Assim, os salários em 2006 estavam próximos, mas ainda não haviam alcançado o valor vigente em 1981".
  • "O grupo de trabalhadores que mais sofreu perdas, entre 1981 e 2006, foram os trabalhadores com ensino médio. A oferta destes trabalhadores passou de 8% para 23% do total nos últimos 25 anos, o que fez com que eles se tornassem relativamente abundantes no mercado de trabalho, sem que tivesse havido um aumento das ocupações compatíveis com seu nível de escolaridade. Como resultado, seu salário relativo caiu e sua taxa de desemprego aumentou. Mesmo assim, o salário deste grupo é em média 76% maior do que o salário dos trabalhadores com ensino fundamental ou menos. Ainda vale a pena concluir o ensino médio".
  • "A grande diferença salarial está no ensino superior. As pessoas que chegam à faculdade têm em média uma remuneração 150% maior do que as que param no ensino médio (R$ 2.414 versus R$ 947 em 2006), diferencial que cresceu em relação a 1981, quando era de cerca de 100%. Este diferencial médio abarca os alunos de todas as faculdades públicas e privadas do país. O retorno para os alunos de cursos de boa qualidade é muito maior".
  • "Os dados estão dizendo que o mercado está precisando cada vez mais de trabalhadores com ensino superior e cada vez menos de trabalhadores que tenham apenas o ensino médio. Isto explica a proliferação de matrículas no ensino superior privado na última década, que passou de 1 milhão em 1993 para mais de três milhões em 2005. O mercado transmite o sinal e as pessoas reagem a ele".

24.11.07

História da desigualdade

A desigualdade de renda e de expectativa de vida é um resultado da Revolução Industrial ou o grau de desigualdade nas sociedades pré-industriais era similar ao que se verifica nas sociedades modernas?

Em princípio, se esperaria encontrar mais desigualdade nas sociedades modernas porque a renda pode ser mais concentrada em sociedades mais ricas sem levar os pobres à morte por inanição.

Esta questão foi examinada por Branko Milanovic, Peter Lindert e Jeffrey Williamson em um NBER Working Paper publicado em outubro.

Os resultados reportados no artigo são resumidos na coluna The Undercover Economist, postada hoje em Slate.

18.11.07

Efeitos da pena de morte

A evidência econométrica recente relativa aos efeitos da aplicação da pena de morte sobre o número e a taxa de homicídios nos Estados Unidos é discutida em artigo publicado na edição de hoje do New York Times.

16.11.07

Entrevista com Paul Romer

Paul Romer conversa sobre crescimento econômico com Russel Roberts, nesta entrevista para The Library of Economics and History. Para ouvir o podcast da entrevista, use este link.

4.11.07

Crescimento (falta de) - competitividade (III)

O Brasil aparece na 72ª colocação no ranking de 131 países do Relatório Global de Competitividade, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

A lista é liderada pelos EUA, Suíça e Dinamarca. O Brasil ficou atrás de vários países latino-americanos - Chile (26ª), México (52ª) e Colômbia (69ª) - e emergentes - China (34ª), Índia (48ª) e Turquia (53ª colocação).

A competitividade brasileira continua a ser prejudicada por juros altos, elevada carga tributária, gasto público ineficiente, burocracia excessiva, deficiências na infra-estrutura e na educação e falta de confiança nas instituições públicas, seja pela corrupção, seja pela morosidade.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - incidência dos impostos

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"Li com grande surpresa que o ministro da Fazenda declarou que 80% ou 90% dos brasileiros não pagarão a CPMF. Afinal, desde o século 18, os economistas entendem que há uma diferença entre quem entrega o imposto devido ao fisco e quem efetivamente arca com o custo do tributo. Há uma extensa literatura que avalia o impacto de impostos no aumento dos preços pagos pelos consumidores, na queda dos salários dos trabalhadores ou na diminuição do rendimento de outros fatores de produção. Um exemplo interessante é a contribuição previdenciária nos Estados Unidos, que é, em princípio, dividida igualmente entre empregado e empregador. Estudos empíricos demonstram, no entanto, que a parcela das empresas é na realidade paga em boa parte pelos trabalhadores, na forma de salários mais baixos. Não conheço trabalhos sobre a verdadeira incidência da CPMF no Brasil, mas como muitos outros impostos indiretos, é provável que ela incida sobre todas as faixas de renda".


Scheinkman sugere a respeito a leitura do artigo "Tax Incidence", de Don Fullerton e Gilbert Metcalf, que está disponível na serie de working papers da NBER.

O ministro Mantega pode, entretanto, encontrar uma exposição bem mais acessível deste tema no manual de Introdução à Economia de N. Gregory Mankiw - capítulo 6, páginas 124-130 - tradução da 3a. edição americana.

O problema da incidência dos impostos é bem conhecido dos alunos de Economia I, sempre que teoria econômica é, de fato, ensinada nesta disciplina, o que no Brasil, como se sabe e a desinformação do ministro economista ilustra, não acontece necessariamente.

28.10.07

Flutuações macroeconômicas no Brasil

O gráfico apresenta o desvio percentual do PIB corrente brasileiro em relação ao PIB potencial medido segundo o método de Hodrik-Prescott. Os dados cobrem o período 1947-2006.

A linha horizontal corresponde ao pleno emprego. Observações abaixo desta linha correspondem a anos de recessão e observações acima dela, a anos de boom.

Os dois episódios recessivos mais graves das últimas 6 décadas ocorreram, como é bem sabido, em meados dos anos 60 e no início da década de 80. Em ambos os casos, o produto corrente chegou a estar 8% abaixo do produto potencial.

A partir de meados da década de 90, as flutuações do PIB em torno da posição de pleno emprego se tornam menos pronunciadas, mas a estabilização se dá num contexto de redução da taxa de crescimento de longo prazo.

22.10.07

Crescimento do PIB potencial (II)

O gráfico acima mostra a taxa de crescimento do PIB potencial do Brasil, no período 1948-2006, estimada com base no filtro de Hodrick-Prescott.

Depois de ter se reduzido a 1,8% em 1990, o valor mais baixo da serie histórica, a taxa de expansão do PIB potencial se recuperou lentamente nos 15 anos seguintes, alcançando 2,7% em 2006.

As estimativas recentes do IPEA, IBRE - FGV e Banco Itaú, mencionadas na última postagem, foram obtidas através de outros métodos e sugerem uma taxa de expansão próxima de 4% atualmente.

Crescimento do PIB potencial (I)

Qual a taxa de crescimento do PIB potencial no Brasil?

Na Carta do IBRE, publicada na revista Conjuntura Econômica - edição de outubro de 2007, dois cenários extremos são propostos para responder a esta pergunta.

No cenário otimista, supôs-se que a formação bruta de capital fixo continuaria a se expandir à taxa atual de 8% a.a. e que a produtividade total dos fatores cresceria à taxa de 1% a.a. Neste caso, o crescimento do PIB potencial seria de 4,6% em 2008 e chegaria a 5,4% em 2015.

No cenário pessimista, a formação bruta de capital fixo permaneceria constante como proporção do PIB (ou seja, nos atuais 17%) e a produtividade total dos fatores não cresceria. Sob estas hipóteses, a taxa de crescimento do PIB potencial se manteria em torno de 3,5%, de 2008 a 2015.

Cenários intermediários também considerados no artigo sugerem, por sua vez, uma taxa de expansão do PIB potencial entre 4% e 5% a.a. nos próximos 8 anos.

De acordo com a Carta do IBRE, para alcançar a taxa de crescimento superior a 5% que corresponde ao cenário otimista, seria necessário melhorar o ambiente de negócios, reduzir o gasto público e a carga tributária, reavaliar alguns programas sociais (presume-se que principalmente a política previdenciária) e aumentar a qualidade da educação.

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Sérgio Werlang, em artigo publicado no Valor Econômico - edição de 19 de outubro, mencionou pesquisa do Banco Itaú, segundo a qual a tendência de expansão do PIB teria passado de 1,9%, entre 1996 e 2002, para 3,9%, a partir do final de 2002.

A estimativa do IPEA, que foi objeto desta postagem de junho, é de 3,8%.
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Há, portanto, uma clara convergência para 4% como o valor mais provável da taxa de crescimento do PIB potencial.

21.10.07

Freakonomics

Nova hipótese para explicar a queda súbita e drástica da criminalidade nos Estados Unidos, a partir do início dos anos 90 - a probição da adição de chumbo à gasolina. A hipótese é discutida em um artigo do New York Times deste domingo.

20.10.07

Crescimento (falta de) - corrupção

Da coluna de Clóvis Rossi, na Folha de São Paulo de hoje:
"Quase metade das empresas que atuam no Brasil (exatamente 48% delas) já se viu diante de uma situação em que foi estimulada a pagar propina, revelou um estudo da consultoria PriceWaterhouseCoopers. A média na África é de apenas 30% e no México a proporção é de 28%. Nem vale a pena comparar com América do Norte (3%) ou Europa Ocidental (9%). A pesquisa foi feita com 5,4 mil executivos de 40 países. O Brasil ganha, se é que dá para usar esse verbo, apenas da Indonésia (54%). Empata com a Rússia. Pode ser que os executivos de outros países estejam mentindo. Ou que os executivos brasileiros consultados estejam exagerando. Mas, depois de todos os escândalos , você se animaria a dizer que não acredita no teor de corrupção inerente aos negócios no Brasil?".

13.10.07

Crescimento (falta de) - Haiti ou China?

Marcelo Neri chamou a atenção para um fato intrigante, em artigo publicado na semana passada no Valor Econômico.

As contas nacionais de 2005 e 2006 apontam crescimento acumulado do PIB per capita de 3,84% - um crescimento haitiano, nesta "era de ouro" da economia mundial.

Por outro lado, o crescimento da renda domiciliar per capita, medido pela PNAD, no mesmo período, foi de 16,4% - um crescimento chinês que, nos últimos dois anos, teria beneficiado não apenas os mais pobres, como vinha sendo o caso desde o início desta década, mas todos os estratos sociais.

Neri acredita que a geração de 4,6 milhões de postos de trabalho, dos quais 2,5 milhões no mercado formal, e o aumento das vendas do comércio de 11,8%, em 2005-06, validam os dados da PNAD, mas reconhece que não há uma explicação satisfatória para a discrepância entre estes dados e aqueles provenientes do Sistema de Contas Nacionais.

Fontes do crescimento

A importância relativa da acumulação de fatores e da produtividade total na explicação das diferenças de produto por trabalhador e, portanto, de renda per capita entre os países tem sido uma questão central no debate sobre crescimento econômico.

Esta questão é reexaminada por Charles Hulten e Anders Isaksson em um outro NBER Working Paper publicado esta semana.

Psicologia e economia

Stefano DellaVigna é uma das estrelas da nova geração de economistas trabalhando nos Estados Unidos, conforme artigo de The New York Times, que foi objeto desta postagem de janeiro.

DellaVigna publicou recentemente um NBER Working Paper com excelente revisão da literatura sobre psicologia e economia.

12.10.07

Cascatas de informação

A difusão da idéia errônea de que dietas gordurosas causam doenças das coronárias é um exemplo de "cascata informacional". O assunto é discutido por John Tierney no Tierney Lab, seu blog em The New York Times.

Bem antes de ter sido modelado pelos economistas, o fenômeno das "cascatas de informação", de acordo com Tierney, foi descrito por Schopenhauer, em A Arte da Controvérsia.

11.10.07

Ranking de programas de economia no Brasil (II)

Os melhores programas de pós-graduação em Economia do Brasil, segundo a avaliação divulgada ontem pela CAPES, são os da UnB, FGV - RJ, IPE - USP e ESALQ - USP. Estes quatro programas foram os únicos a obter conceito 6 na avaliação relativa ao triênio 2004-06. Nenhum programa da área de Economia recebeu conceito 7.

Para obter um ranking alternativo ao da CAPES, ver esta postagem anterior.

10.10.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (II) - está tudo nos genes?

A mesma edição de The Economist mencionada na postagem anterior relata os resultados de um outro experimento, realizado por pesquisadores da Stockholm School of Economics e também baseado no "jogo do ultimato", destinado a testar se o senso humano de justiça tem raízes genéticas ou culturais:
"The human sense of fairness is not rooted in culture. Rather, it is genetic—as it would have to be in order to evolve. Paradoxically, discovering this relies on the fact that not everyone possesses it to the same degree. Researchers have shown this by playing the ultimatum game with twins. They used the classic trick of neutralising the effect of upbringing and exposing that of genetics by comparing identical twins (who share all their genes) with fraternal twins (who share half). Each twin of a pair played the ultimatum game, both as proposer and as responder. A striking correlation between the average division that each member of a pair proposed and also between what they were willing to accept was found, in the case of identical twins. In other words, their senses of what was fair were similar. No such correlations were seen in the behaviour of fraternal twins".

Estudo de caso para alunos de microeconomia - jogo do ultimato (I): chipanzés são maximizadores racionais

Pesquisadores do Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology, em Leipzig, desenharam uma versão do conhecido "jogo do ultimato" para ser jogada por chipanzés. Os resultados deste experimento foram reportados em The Economist - edição de 6 de outubro de 2007:
"The game started with a pair of trays far from the players' cages. Each tray had ten raisins divided in different ways between two pots— say eight and two, or five and five. One chimp was allotted the role of proposer. He could choose one of the trays, pulling it by way of a rope just halfway to the cage. The other, the responder, could then choose to pull on a rod, bringing the tray close enough for both to get the raisins, one pot for each. If the responder chose not to pull the tray closer within a minute, the offer was considered rejected, and the game concluded. The result is that chimps are simply rational maximisers. Though proposers consistently chose the highest possible number of raisins for themselves, responders rarely rejected even the stingiest offers. A number of researchers in the field of human evolution think that a sense of fairness— and a willingness to punish the unfair even at some cost to oneself— is humanity's 'killer app'. It is what allows large social groups to form. Previous experiments have shown that chimpanzees are willing to punish actual thieves. But this new experiment adds weight to the theory that the more sophisticated idea of fair shares, which underpins collaborative behaviour, appeared in the hominid line only after the ancestors of the two species split from one another".

2.10.07

Crescimento econômico - instituições ou cultura?

Gregory Clark argumenta, em artigo publicado na edição de hoje do Valor Econômico, que a "cultura", não as "instituições", explica a "riqueza das nações":

  • "A idéia, atribuída a Adam Smith, de que incentivos adequados, independente da cultura, produzem bons resultados se tornou o grande mandamento da ciência econômica. Esta visão, porém, é uma interpretação equivocada da história (e, provavelmente, uma leitura equivocada de Smith)".
  • "O crescimento moderno não se originou de incentivos melhores, e sim da criação de uma nova cultura econômica em sociedades como a Inglaterra e a Escócia. A Revolução Industrial ocorreu num cenário em que os incentivos institucionais básicos da economia se mantiveram inalterados (na verdade, foram piorando) por centenas de anos. Ela foi o produto de mudanças nas preferências econômicas das pessoas na Inglaterra, não de mudanças nas instituições".
  • "Os determinantes cruciais da riqueza e pobreza não são as diferenças em incentivos, mas a forma como as pessoas reagem a eles. Em economias bem-sucedidas, as pessoas trabalham arduamente, acumulam e inovam, mesmo quando seus incentivos são insuficientes. Em economias deficientes, as pessoas trabalham pouco, poupam pouco e usam técnicas ultrapassadas, mesmo quando os incentivos são satisfatórios. Para fazer as sociedades pobres crescerem, precisamos mudar sua cultura, não só as instituições e incentivos".
  • "Isso exige expor mais pessoas nas sociedades pobres à vida nas economias avançadas. Migrantes acostumados às condições das economias bem-sucedidas representam um núcleo potencial para a industrialização nas economias pobres. Esses trabalhadores, porém, geralmente escolhem permanecer nas economias ricas. Portanto, o problema está em planejar um fluxo suficiente de retorno de migrantes que experimentaram as condições de sociedades economicamente bem-sucedidas às sociedades pobres".
  • "Um programa como esse será mais eficaz do que tentar tornar os governos e instituições das sociedades pobres mais parecidos com os governos e instituições das economias avançadas. As pessoas vêm em primeiro lugar".

Sobre as polêmicas idéias de Clark a respeito do crescimento econômico, ver artigo de Nicholas Wade e comentário de David Warsh, ambos objeto de postagens anteriores neste blog.

1.10.07

Choque nos termos de troca (II)

Estimativas do impacto do choque favorável nos termos de troca sobre a balança comercial e a conta de transações correntes do Brasil, elaboradas pelo professor Nelson Marconi, da Fundação Getúlio Vargas e divulgadas hoje no Valor Econômico:
  • "De dezembro de 2002 a junho de 2007, os preços das exportações aumentaram 61,1%, enquanto o volume cresceu 56,6%. No caso das importações, as cotações subiram 41,8%, ao passo que o volume teve alta de 91%".
  • "Se os preços de exportações e importações tivessem se mantido nos níveis de dezembro de 2002, o saldo comercial positivo de US$ 20,6 bilhões, obtido no primeiro semestre de 2007, teria se reduzido para US$ 8,2 bilhões. Com isso, o saldo em conta corrente de janeiro a junho teria sido deficitário em US$ 8 bilhões, resultado muito diferente do superávit de US$ 4,4 bilhões ocorrido no período".
  • "Com as cotações de 2002, o superávit comercial de 2006 teria sido de US$ 24 bilhões, em lugar dos US$ 46,4 bilhões registrados, e o resultado em conta corrente teria sido negativo em US$ 8,8 bilhões e não superavitário em US$ 13,6 bilhões".
  • "Sob as mesmas hipóteses, a conta corrente de 2005, que foi superavitária em US$ 14 bilhões, teria apresentado um pequeno déficit de US$ 150 milhões".

Resultados de um exercício similar foram reproduzidos nesta postagem de julho.

29.9.07

O jogo da "caçada ao veado" e a riqueza das nações

Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate, explica a recente corrida contra o banco inglês Northern Rock como o resultado da decisão dos depositantes de trocar a "caça ao veado" pela "caça ao coelho", no jogo conhecido como "caçada ao veado".

Este jogo mostra que o bem estar social é maximizado quando existe cooperação, a qual, por sua vez, depende da confiança existente entre os jogadores.

Assim, ajudaria a explicar bem mais do que a estabilidade dos bancos ou as corridas contra eles. Segundo Harford, a diferença entre países que foram bem sucedidos em formalizar a confiança (ou seja, países cuja população "caça veados coletivamente") e os países que não conseguiram isso (países onde a população "caça coelhos individualmente") corresponde basicamente à diferença entre países ricos e pobres.

26.9.07

Crescimento (falta de) - ambiente de negócios (II)


"Em 121 países, o ambiente de negócios é mais favorável do que no Brasil. A conclusão é da edição 2008 do relatório 'Doing Business', divulgado pelo Banco Mundial e que reúne dados sobre 178 países. No novo ranking, o Brasil aparece atrás de economias como Uganda, Bangladesh e Nepal e até mesmo dos territórios palestinos da Cisjordânia e Gaza. Em relação ao ranking divulgado em 2006, o Brasil caiu uma posição (estava em 121). Na América Latina, o desempenho do Brasil fica na frente só de Equador, Bolívia e da Venezuela, que ocupa uma das últimas posições do ranking geral (172 ). O levantamento avalia os países a partir da dificuldade dos empresários em abrir um negócio, obter licenças de construção, contratar mão-de-obra, registrar propriedades e obter crédito. Também leva em consideração a proteção existente para os investidores, a carga tributária, a facilidade para exportar e importar, o respeito aos contratos e o grau de dificuldade para fechar uma empresa".

(Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico).

Paradoxo da pirataria

Na coluna The Financial Page, da New Yorker, James Surowiecki explica porque, no setor de moda, a pirataria - a cópia de modelos - é benéfica para suas "vítimas".

23.9.07

Corrupção e educação

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na Folha de São Paulo de hoje:
  • "Edward Glaeser e Raven Saks, da Universidade Harvard, mostraram, em um working paper da NBER, a conexão entre baixo nível educacional e prevalência de práticas corruptas nos Estados Unidos".
  • "Os pesquisadores utilizaram dados sobre servidores públicos municipais, estaduais e federais que foram condenados pela justiça federal americana por um crime relacionado à corrupção entre 1990 e 2002".
  • "O número de condenações como proporção da população varia consideravelmente entre os estados. Nos atrasados Mississippi e Louisiana, a taxa de condenação foi de nove servidores públicos por 100 mil habitantes, mais que o dobro da média nacional, enquanto em Oregon essa proporção foi menor que uma por 100 mil".
  • "Glaeser e Saks reconhecem que a corrupção provavelmente deprime os gastos em educação e que, portanto, a existência de uma correlação entre educação e honestidade dos servidores públicos não indica necessariamente que o baixo nível educacional cause um aumento na corrupção. Por isso aplicaram uma série de testes estatísticos que sugerem que, de fato, menor educação gera mais corrupção".
  • "Os pesquisadores de Harvard também documentaram que os estados mais pobres são mais corruptos, mas que a educação dos habitantes de um estado é um determinante mais importante do índice de corrupção do que a renda".

22.9.07

Redução da pobreza no Brasil (II)


  • O número de miseráveis no Brasil se reduziu em 5,9 milhões entre 2005 e 2006, uma queda de 14%, segundo pesquisa da Fundação Getulio Vargas, baseada em dados da PNAD. Foram contabilizadas 36,1 milhões de pessoas vivendo em condição miserável no país, no ano passado. Em 2005, eram 42,0 milhões.
  • Os miseráveis representavam 19,3% da população em 2006, a menor taxa desde 1992 (35,2%). Em 2005, o percentual era de 22,8%. O gráfico acima, publicado no Valor Econômico, mostra a evolução deste indicador entre 1992 e 2006.
  • Diferenças nos critérios adotados para classificar quem é pobre ou miserável explicam as disparidades entre a pesquisa do IETS, mencionada em postagem anterior, e esta pesquisa da FGV. Por exemplo, para a FGV, os miseráveis na Região Metropolitana de São Paulo são definidos como as pessoas que vivem em domicílios com rendimento per capita inferior a R$ 125. Para a mesma região metopolitana, o IETS utilizou como linha de pobreza o rendimento domiciliar per capita de R$ 266,15.
  • A desigualdade também manteve sua trajetória de queda em 2006, segundo a FGV - o índice de Gini da renda per capita dos domicílios baixou de 0,568, em 2005, para 0,562, em 2006.

Transição demográfica no Brasil


Naércio Menezes discute, em sua coluna na edição deste fim de semana do Valor Econômico, os números da "transição demográfica" no Brasil:
  • "A figura acima mostra a evolução recente e as projeções de tamanho da população brasileira dividida em três faixas etárias. A população de jovens (0 a 24 anos de idade), que vinha crescendo há muito tempo, atingiu seu ponto mais elevado em 2007, ficará estável por mais 20 anos ao nível de 87 milhões e passará a declinar partir de 2027. A população de adultos (25 a 64 anos) continuará crescendo a taxas elevadas (mas decrescentes) por mais 40 anos, quando então se estabilizará. Já a população de idosos (mais de 64 anos) aumentará a taxas crescentes, chegando a 49 milhões de pessoas em 2050".

  • "Os dados mais recentes mostram que a mulher brasileira tem, em média, 2,1 filhos. Isto significa que o Brasil já atingiu a chamada taxa de reposição, ou seja, se esta taxa permanecer constante, a população brasileira deve parar de crescer a partir de meados deste século".

  • "A taxa de fecundidade deverá cair ainda mais, graças ao avanço educacional. As mulheres com menos de três anos de escolaridade média têm, em média, 3,3 filhos, enquanto as mais escolarizadas (com pelo menos o ensino médio) têm apenas 1,6 filho. Esta diferença provoca uma diminuição da renda per capita das famílias mais pobres, logo a redução da taxa de fecundidade que ainda continua a ocorrer nestas famílias (se voluntária) é bem-vinda".

  • "O Brasil já deixou de aproveitar grande parte da 'janela de oportunidade', trazida pela transição demográfica e relacionada com o fato de que os adultos tendem a ser mais produtivos e a acumular mais capital do que os jovens e idosos. O aumento da informalidade, do desemprego e dos gastos sociais com idosos, resultados da Constituição de 1988, impediu que aproveitássemos integralmente este dividendo demográfico para acelerar nosso crescimento econômico".

Sobre este assunto, ver postagens anteriores relativas a artigo de Malcolm Gladwell e ao conhecido estudo de David Blomm e David Canning. Informações sobre o caso brasileiro podem também ser obtidas nesta postagem de fevereiro.

19.9.07

Crescimento (falta de) - educação (IV)

Informações publicadas em editorial na edição de hoje da Folha de São Paulo:
"De acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios, o número de estudantes do ensino médio caiu 0,9% no Brasil, de 2005 para 2006. O valor percentual baixo pode sugerir que tenha havido apenas flutuação estatística, mas a quantidade de matrículas no ensino médio deveria aumentar, e não diminuir. A taxa de escolarização na faixa etária correspondente (82,5%, de 15 a 17 anos) está longe da universalização obtida no ensino fundamental (97,7%, de 7 a 14 anos). O indicador vinha melhorando nos anos 1990, até atingir 81,1% em 2001. Desde então, estagnou entre 81% e 82,5%. De acordo com o Censo Escolar do Ministério da Educação, essa taxa bruta de escolarização oculta que apenas 53% dos 8,9 milhões de matriculados estão na faixa etária correta. Há 4,1 milhões de estudantes secundários com 18 anos ou mais que isso, por força de reprovações. A contrapartida é que 3,6 milhões de jovens de 15 a 17 anos, que deveriam cursar o ensino médio, ainda marcavam passo no fundamental, em 2006. A taxa de reprovação é de 11,5%, e a de abandono, de 15,3%. O ensino médio no Brasil vive uma grave crise".

Redução da pobreza no Brasil (I)

Estimativas de Sônia Rocha, economista do Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade, sobre a evolução recente da pobreza no Brasil, publicadas pela Folha de São Paulo:
  • "Em 2006, a pobreza atingia 26,9% da população brasileira. É o mais baixo índice desde 1987. Em 2005, a proporção de pobres ficou em 30,5%. Em 1995, a pobreza chegava a 33,2%".
  • "Em números absolutos, houve queda de 10,6% no contingente de pobres no país - de 54,9 milhões de pessoas em 2005 para 49,0 milhões em 2006. Ou seja, em um ano, 5,9 milhões de brasileiros ultrapassaram a linha da pobreza".
  • "O total de indigentes também baixou - de 6,8% da população em 2005 para 5,7% em 2006. Em todo o Brasil, o número de miseráveis caiu de 12,2 milhões para 10,4 milhões".
  • "Se a pobreza cedeu no país como um todo, houve concentração nas áreas urbanas, em especial nas grandes metrópoles. Do total de pobres em 2006, 36,3% estavam nas dez principais regiões metropolitanas. Esse percentual era menor em 1995: 28,8%. Em 2005, havia sido de 35,5%".

15.9.07

Estudo de caso para alunos de microeconomia - aquecimento global

Greg Mankiw tem promovido, no seu muito lido blog, a adoção de um imposto de Pigou como solução para o problema do excesso de emissões de carbono.

Os argumentos que tem levantado em favor desse imposto foram resumidos por Mankiw, em sua contribuição para a coluna Economic View, publicada hoje também em The New York Times.

Queda da mortalidade infantil

A mortalidade infantil no mundo, em 2005, alcançou 9,7 milhões crianças - a primeira vez em que esse número fica abaixo de 10 milhões, desde que registros começaram a ser mantidos, em 1960.

No início da década de 60, 20 milhões de crianças de menos de 5 anos morriam anualmente, em todo o mundo. Se a taxa de mortalidade infantil tivesse se mantido inalterada, o número para 2005 teria sido de 25 milhões.

As causas desta importante queda na mortalidade infantil foram discutidas em recente artigo em The New York Times.

10.9.07

Bolsa - Grande Empresa

Da coluna de Cláudio Haddad, na edição do Valor Econômico de 6 de setembro:
"Para se reduzir a carga tributária no Brasil, é imprescindível se iniciar uma discussão séria sobre o tamanho e a alocação dos gastos públicos. Nesta discussão, é fundamental incluir as renúncias fiscais e os subsídios invisíveis que transitam fora do orçamento, mas que aumentam a dívida pública e, consequentemente, as despesas com juros. Um exemplo de gasto invisível é o financiamento concedido pelo BNDES à TJLP. Entre junho de 2006 e de 2007, o saldo médio das operações de crédito do BNDES consolidado em moeda nacional (praticamente todas à TJLP) foi de R$ 111 bilhões. Neste mesmo período a Selic acumulada, taxa básica de captação do governo federal, ficou 5,86% acima da TJLP. Ou seja, em 12 meses essas operações transferiram como subsídio R$ 6,5 bilhões aos tomadores, igual a 70% do valor previsto para o Bolsa Família este ano, sendo que, dada a concentração de operações do banco, os dez maiores tomadores devem ter recebido mais de 50% deste valor. Justifica-se este subsídio, principalmente levando-se em conta que para os grandes tomadores o mercado de capitais já é uma alternativa viável? Por que proteger e subsidiar os tomadores daquele banco em detrimento de outras empresas, com projetos igualmente meritórios, cujos controladores têm de seguir regras rígidas de governança e diluir sua participação através de emissões primárias de ações? Por que os recursos para os primeiros teriam de vir do trabalhador e do governo quando poderiam ser providos por investidores em condições competitivas?"

Crescimento (falta de) - carga tributária (V)

A carga tributária no Brasil chegou a 34,23% do PIB, em 2006, de acordo com estimativa da Receita Federal.

Carga tributária como % do PIB - 2002 / 2006

2002 - 31,86
2003 - 31,46
2004 - 32,22
2005 - 33,38
2006 - 34,23

Fonte: Folha de São Paulo, edição de 22/08/2007.

2.9.07

Taxa de câmbio e política fiscal, de novo

Dani Rodrik argumenta, em artigo publicado recentemente no Valor Econômico, que uma moeda subvalorizada é fundamental para o crescimento econômico sustentado:
"Praticamente todos os casos de crescimento sustentável elevado têm sido acompanhados de uma taxa de câmbio real significativamente depreciada. Observando a experiência de mais de 100 países, apurei que cada 10% de subvalorização acrescenta 0,3 pontos percentuais ao crescimento. A subvalorização da moeda é um instrumento possante para o crescimento porque aumenta a rentabilidade dos setores industrial e agrícola não-tradicional, que são as atividades com o maior nível de produtividade de mão-de-obra e que também apresentam as mais velozes taxas de aumento de produtividade. Ela estimula a produção, ao contrário da supervalorização, que estimula o consumo. É importante compreender que este não é um problema de competência exclusiva do banco central. Manter uma moeda competitiva requer um aumento na poupança interna em relação ao investimento, ou uma diminuição nos gastos nacionais em relação à renda. Caso contrário, os ganhos de competitividade seriam anulados pela inflação ascendente. Isso significa que as autoridades fiscais têm uma grande responsabilidade: estabelecer uma meta de superávit fiscal que seja grande o suficiente para gerar o espaço necessário para a depreciação real do câmbio. Ninguém tem o direito de se queixar da política de 'moeda valorizada e alta taxa de juro' do banco central quando a política fiscal continua frouxa demais para permitir que as taxas de juros sejam reduzidas sem colocar em risco a estabilidade dos preços".
O mesmo argumento sobre a relação entre política fiscal e taxa de câmbio foi apresentado antes neste blog, em postagens de janeiro e abril.

28.8.07

Raízes da crise nos mercados financeiros

Da coluna de Yoshiaki Nakano, na edição de hoje do Valor Econômico:
"Com a pressão deflacionária exercida pela forte expansão da capacidade produtiva global e integração ao mercado internacional de centenas de milhões de trabalhadores chineses, indianos e do Leste Europeu, a curva de Phillips nas economias desenvolvidas se tornou mais horizontal. Tornou-se possível ter taxa de inflação muito baixa com níveis menores de desemprego. A combinação do regime de metas de inflação com o uso da regra de Taylor, de acordo com a qual controla-se apenas a taxa de juros, o que torna a expansão monetária e creditícia inteiramente endógena, ou seja, determinada pela demanda, levou a um grande aumento da liquidez e do crédito. Com o aparente sucesso da política monetária, a inflação de crédito e de preços dos ativos ficou de fora das preocupações dos bancos centrais".