13.4.08

Sapos e políticos

Competidores podem considerar vantajoso disponibilizar informações relevantes a seu próprio respeito, mesmo quando tais informações são bastante desabonadoras.

Robert Frank explica, em artigo em The New York Times, porque sapos agem assim e políticos nem sempre.

6.4.08

Crescendo a 7%, segundo Lemgruber

A economia brasileira poderia crescer a uma taxa de 7% ao ano, sem pressões inflacionárias, de acordo com Antonio Carlos Lemgruber, em artigo na edição de hoje da Folha de São Paulo:
  • "O hiato do PIB é a diferença percentual entre o produto potencial de uma economia em determinado ano (produção de pleno emprego) e o produto efetivamente verificado".
  • "Calcula-se que no Brasil, em 1966, esse hiato tenha chegado a 20%, o que facilitou o 'milagre brasileiro' de 1968-1973: o PIB cresceu 10% ao ano, sem que houvesse aceleração inflacionária - pelo contrário, a inflação até caiu".
  • "Qual é hoje esse hiato? Depende da taxa de crescimento atribuída ao produto potencial. Nas décadas de 60 e 70, falava-se em 7% ao ano de taxa potencial, mas agora as autoridades monetárias são tão conservadoras que preferem ficar em 3% ou 4%".
  • "É razoável defender que o hiato em 2008 pode ser enorme, porque não se pode imaginar um crescimento potencial no Brasil muito inferior a 5% nas últimas décadas, sendo a queda de 7% para 5% explicável pelo menor crescimento da população. De 1981 para cá, o Brasil cresceu em média 2% ao ano. O hiato só fez aumentar. Voltamos à mesma situação de 1966. Ou mais. Uma produção perdida de 100% do PIB em 26 anos. O PIB do Brasil poderia ser o dobro do que é".
  • "O Brasil tem, portanto, condições de crescer 7% anuais nos próximos anos (ou mais) sem aceleração inflacionária - com ou sem crise mundial. Foi assim em 1968-1973. Temos um hiato do produto herdado dos últimos anos maior do que se imagina. Enorme capacidade ociosa, pronta para entrar em produção, com crédito e juros baixos".

30.3.08

Taxa de investimento no Brasil - 1990 / 2007

Fonte: Valor Econômico, 26 de março de 2008.

A era de Friedman?

Em artigo publicado em fevereiro, Andrei Shleifer reuniu informações sobre renda per capita, pobreza, mortalidade infantil, expectativa de vida, escolaridade e democracia, para mostrar que os anos 1980 - 2005 foram um um período de "notável progresso para a humanidade".

Para Shleifer, este progresso resultou da adoção de políticas liberais por um grande número de países, a partir de 1980, de modo que seria apropriado designar o último quarto de século como a "era de Friedman".

Dani Rodrik acha que esta é uma visão que "mais confunde do que esclarece".

Para Bradford DeLong, "enquanto o movimento em direção a Friedman na geração passada foi, em uma larga medida, positivo, os ganhos a obter de movimentos futuros nessa direção são bem menos garantidos".

Altruísmo (II)

Entender os determinantes do comportamento altruísta nos seres humanos é de óbvia importância para os economistas, tendo em vista que tal comportamento parece ser inconsistente com a hipótese de que o homo economicus é um maximizador racional.

Em artigo recentemente publicado em The New York Times, Steven Pinker apresentou as melhores explicações disponíveis.

23.3.08

Absorção doméstica e taxa de juros



(Uma análise desta questão, baseada em dados para o período 2002-2018, pode ser encontrada aqui).

O gráfico acima, extraído da coluna de Cristiano Romero, publicada no Valor Econômico de 19 de março, mostra a relação entre a taxa SELIC real e a variação percentual da absorção doméstica (consumo, investimento e gastos públicos), nos últimos cinco anos.

A evidência sugere que, "quando o juro real é alto, a absorção doméstica cresce pouco; quando o juro real é baixo, a absorção cresce muito".

Se a absorção doméstica cresce mais rápido do que o PIB, como acontece atualmente na economia brasileira, a inflação aumenta e/ou o saldo em transações correntes se reduz. Para evitar isso, o manual de macroeconomia recomenda um aumento do superavit fiscal e/ou um aumento da taxa de juros.

Como o ajuste fiscal não parece ser uma alternativa aceitável para o governo, o Banco Central deve aumentar, no futuro próximo, a taxa SELIC.

16.3.08

Tipos de crises financeiras e sua cura

Em Three Cures for Three Crises, Bradford DeLong expõe a diferença entre crises de liquidez e de solvência e o que deve ser feito para enfrentá-las.

Está claro, a esta altura, que a crise financeira americana corresponde ao terceiro tipo descrito por DeLong - uma grave crise de insolvência, que só pode ser resolvida através do uso de recursos públicos para resgatar as instituições financeiras falidas e/ou pela inflação.

Greenspan (se) explica (I)

Três explicações têm sido sugeridas para a atual crise do sistema financeiro americano - instabilidade intrínseca do sistema financeiro (à la Minsky), erros na condução da política monetária pelo banco central e excesso de poupança na economia mundial.

Alan Greenspan contou sua própria versão da história, basicamente coincidente com a hipótese do "excesso de poupança", em artigo publicado em The Wall Street Journal, em dezembro de 2007.

9.3.08

Altruísmo (I)

A noção de altruísmo parece ser, em princípio, incompatível tanto com a teoria darwinista da seleção natural como com a teoria econômica.

Neste artigo, também publicado hoje no NYT, Jim Holt, entre outros argumentos, mostra que pode, entretanto, ser "racional" para genes e agentes econômicos "egoístas" se comportar de maneira altruísta.

Renda per capita e felicidade (I)

Renda per capita mais alta não traz mais felicidade? Robert Frank resume o debate a respeito, em artigo na edição de hoje de The New York Times.

24.2.08

Estudo de caso para alunos de microeconomia - companhias aéreas de baixas tarifas

As companhias aéreas de baixas tarifas utilizam com frequência uma estratégia de precificação conhecida na literatura microeconômica como tarifa em duas partes.

No caso específico destas empresas, a estratégia consiste em fixar uma "taxa de entrada" - a passagem aérea - baixa e cobrar do passageiro por praticamente todo e qualquer serviço, fora o vôo, que lhe seja prestado.

Este artigo, publicado na edição de hoje de The New York Times, apresenta vários exemplos interessantes.

A questão já havia sido objeto de uma postagem anterior do blog.

23.2.08

Economia comportamental (I)

Em The New Yorker - edição de 25 de fevereiro, resenha de dois novos livros sobre economia comportamental - "Predictably irrational: the hidden forces that shape our decisions", de Dan Ariely, e "Nudge: improving decisions about health, wealth and happiness", de Richard Thaler e Cass Sunstein.

20.2.08

"Ortodoxos" x "Desenvolvimentistas"

Edward Amadeo explica as diferenças entre economistas "ortodoxos" e "desenvolvimentistas", em sua coluna de hoje no Valor Econômico:
  • "Os economistas ortodoxos vêem a oferta agregada como mais ou menos independente da demanda agregada. A oferta é dada pela capacidade de produzir da economia, a qual depende do tamanho das fábricas e instalações, da força de trabalho e da produtividade. Os ortodoxos, ao explicar a evolução da capacidade de produzir, dão ênfase a fatores como ambiente de negócios (estabilidade das regras, pouca burocracia etc.), a concorrência que estimula inovações, a qualidade das relações de trabalho e da educação, que afetam a produtividade, e assim por diante. A demanda agregada tem seu outro conjunto de determinantes (juros e condições de crédito, confiança dos consumidores e empresários etc). Como os determinantes são diferentes, é razoável pensar que, em geral, a demanda e a capacidade de produzir sejam diferentes também e, quando a discrepância for grande ou persistente, a inflação faz o ajuste. Se a demanda é maior que a oferta, a inflação aumenta, e vice-versa".
  • "Ainda que os desenvolvimentistas vejam fatores independentes na determinação da oferta agregada, eles crêem que quanto maior for a demanda agregada, maior o incentivo ao aumento da oferta e que esse canal de influência é muito relevante. Se a demanda gera a sua própria oferta, pressões inflacionárias devido a excesso de demanda sobre a oferta são uma impossibilidade!"
  • "Para os ortodoxos, existe um lugar para a política monetária intervir, evitando que a demanda cresça mais rápido que a oferta. Para os desenvolvimentistas, o BC deveria ser passivo, deixando que a demanda siga seu caminho. Não há muito lugar para a política monetária e BC no paradigma desenvolvimentista".
  • "Existe um conceito que concilia as duas visões. Trata-se do 'acelerador do investimento', que diz que, quanto maior o crescimento da demanda, maior o incentivo para as empresas investirem. Os ortodoxos acreditam nisso, só que vêem limites para esse efeito e acham que correr o risco de alta da inflação ao apostar no funcionamento do acelerador pode produzir incertezas e instabilidade que terminam matando os incentivos para investir. Já os desenvolvimentistas dão muita importância a esse efeito e, por isso, cada vez que vêem o BC aumentando os juros, temem que ele esteja abortando a expansão do investimento".

17.2.08

Teoria econômica do crime

Angela Dills, Jeffrey Miron e Garrett Summers discutem, em um NBER Working Paper publicado em janeiro, o que os economistas sabem sobre o crime. A conclusão é "não muito".

Hipóteses que são validadas por dados para os Estados Unidos nas décadas mais recentes são rejeitadas quando períodos mais longos ou outros países que não os Estados Unidos são considerados. Este resultado foi obtido tanto para variáveis de política (por exemplo, prisões ou pena capital) como para fatores tais como legislação sobre controle de armas e aborto.

A única hipótese que parece consistente com os dados, segundo os autores, é que a proibição do comércio de drogas gera criminalidade.

9.2.08

Capitalismo e liberdade

Da coluna de Antônio Cícero, na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"Dado que, no socialismo, as atividades econômicas não são realizadas tendo em vista a subsistência ou o lucro, é necessário que o partido - como diz uma enciclopédia publicada pelo Instituto Bibliográfico da extinta República Democrática Alemã -oriente a criação da 'unidade moral e política do povo', de modo que o trabalho se transforme 'de mero meio de subsistência em um assunto de honra'. No regime socialista, a intolerância em relação a heresias - ideologias alternativas, 'desvios', 'revisionismos' etc.- não é meramente acidental. A repressão a elas não se reduz a um mero estratagema político. Ela provém da necessidade estrutural de manter a unidade ideológica indispensável para o funcionamento da própria base econômica. Já o capitalismo funciona independentemente das idéias, concepções, religiões, atitudes, isto é, das ideologias, dos operários, capitalistas, técnicos, administradores ou consumidores que o fazem funcionar. Ainda que cada indivíduo pense e aja de uma maneira diferente de todos os outros, o capitalismo é capaz de prosperar, desde que seja observado de modo geral um mínimo de leis e regras formais de convivência. É exatamente por isso que ele é compatível com a maximização da liberdade individual, a sociedade aberta e o reformismo. O socialismo necessita, para o seu funcionamento, de uma ideologia particular, correspondente à sua base econômica, e que, por isso, não é capaz de tolerar ideologias alternativas. O capitalismo, porém, exatamente porque a sua base econômica opera a partir do puro interesse material, independentemente de qualquer ideologia particular, não necessita de nenhuma ideologia específica, de modo que é capaz de tolerar todas, inclusive as que lhe foram ou são hostis, como o catolicismo ou o marxismo-leninismo".

7.2.08

História dos bancos centrais

Michael Bordo, professor da Rutgers University, conta a história dos bancos centrais, desde os seus primórdios no século XVII, neste artigo, publicado em Economic Commentary, revista do Federal Reserve Bank of Cleveland.

27.1.08

Comércio internacional e salários - compensação para os "perdedores"?

Três artigos recentemente publicados em The New York Times abordaram o impacto do comércio internacional sobre os salários da mão de obra menos qualificada nos Estados Unidos:

Paul Krugman - Trouble with trade
Alan Blinder - Stop the world (and avoid reality)
Steven Landsburg - What to expect when you're free trading

Para Krugman e Blinder, o comércio tem contribuído para a redução dos salários daquela categoria de trabalhadores. Ambos propõem como remédio que parte da renda adicional gerada pelo comércio seja destinada a compensar os "perdedores", através da ampliação da rede de proteção social (seguro-desemprego, retreinamento de trabalhadores desempregados etc.).

Landsburg acha que este é um argumento "tosco" e não vê justificativa para uma compensação aos "perdedores".

26.1.08

Crescimento (falta de) - educação (VI)

"Entre os 34 milhões de jovens de 18 a 29 anos domiciliados nas cidades brasileiras, 21,8% têm o curso fundamental incompleto - ou seja, não concluíram a oitava série - e 2,4% são formalmente analfabetos. Os dados são da Pnad 2006. A incidência do analfabetismo e da evasão escolar difere entre Estados e regiões. Alagoas, com 46%, encabeça a lista dos que não concluíram o curso fundamental ou não foram alfabetizados, enquanto São Paulo, com 15%, exibe os resultados menos assustadores. Em termos regionais, esses jovens excluídos aparecem em maior proporção (35%) no Nordeste e menor (18%) no Sudeste".

(Informações publicadas na edição de hoje da Folha de São Paulo).

Frase do dia

"The world is a crazy place. It makes perfect sense only to conspiracy theorists and economists of a certain stripe" (William Grimes, em artigo mencionado na postagem anterior).

25.1.08

Lógica da vida

Autor de The Undercover Economist, Tim Harford está lançando nos Estados Unidos o livro The Logic of Life - Rational Economics of an Irrational World, comentado nesta resenha publicada hoje em The New York Times.

Criminalidade no Brasil (II)


Também da coluna de Eliana Cardoso, no Valor Econômico de ontem, o gráfico acima sobre a evolução da taxa de homicídio entre os jovens de 15 a 24 anos no Brasil.

Criminalidade no Brasil (I)


Da coluna de Eliana Cardoso, no Valor Econômico - edição de 24 de janeiro de 2008:
  • "Em 2004, a taxa de 27 homicídios em 100 mil habitantes no Brasil era 30 ou 40 vezes superior às taxas da Inglaterra, Alemanha, Japão e Egito. Entre os brasileiros de 15 a 24 anos, a taxa de homicídio chegou a 52 em 100 mil jovens (cem vezes superior às taxas da Áustria e Japão)".
  • "Todos nós somos capazes de crimes e respondemos a incentivos. Mas a teoria do cálculo econômico não explica porque respondemos a incentivos de forma diferente. Na população total, 92% das vítimas são do sexo masculino (97% entre os jovens). A população negra tem 73% de vítimas a mais do que a população branca (83% a mais, entre jovens). Por que os homicídios ocorrem sobretudo entre os jovens? Por que são raros entre as mulheres? Por que as vítimas negras são mais comuns?"
  • "A massa carcerária no Brasil é composta por presos pobres. Isso nos faz suspeitar que a probabilidade de ser preso é maior para o pobre. Se o cálculo econômico está correto, o crime compensa apesar do castigo, porque para o pobre sem trabalho qualquer rendimento é precioso".
  • "De uma amostra de boletins de ocorrência de homicídio examinados em São Paulo, apenas 4,6% tiveram o autor e o motivo conhecidos e registrados. E 92% dos casos de homicídio no Rio de Janeiro foram devolvidos à polícia, por falta de provas para serem julgados. Se a probabilidade de prisão é baixa, a de morrer é muita alta para o jovem. Mas nem o pior dos castigos parece reduzir o crime. Talvez o bandido seja mais propenso ao risco do que o comum dos mortais. Talvez seja míope em relação ao futuro".
  • "O crescimento da violência no Brasil é conseqüência da criminalidade organizada em torno do tráfico de drogas".
  • "A cadeia, de um lado pune, mas de outro atua como escola do crime. Presos sem antecedentes criminais deveriam ficar em liberdade com monitoramento eletrônico. Em Buenos Aires, essa modalidade de condenação parece reduzir a reincidência, que é mais comum aos que cumprem pena atrás das grades".
  • "Programas que reduzem a criminalidade agem em muitas frentes e não se resumem à construção de mais cadeias. Em Bogotá, a taxa de homicídio, que era de 80 em 100 mil habitantes em 1993, caiu para 21 em 2004, graças a um programa integrado de saúde, recuperação dos espaços públicos, bibliotecas informatizadas nos bairros pobres e aperfeiçoamento do sistema judicial".

16.1.08

Maior torcida de Minas (e de Belo Horizonte) (I)


(Veja aqui resultados da mais recente pesquisa Data Folha, realizada em dezembro de 2009).

Informações de artigo de Ricardo Correa, publicado em O Tempo - ediçao de 13 de janeiro de 2008:
"Não é de hoje que se diz que a torcida do Cruzeiro é maior do que a do Atlético em Minas Gerais. Mas uma pesquisa Data Folha, realizada em novembro, mostra que a distância entre o tamanho da parte azul e o tamanho da parte alvinegra é maior do que se podia imaginar. De acordo com a pesquisa, em torno de 29% dos mineiros, ou cerca de 5,6 milhões de pessoas, são torcedores do Cruzeiro, enquanto 18%, ou em torno de 3,5 milhões, torcem para o Atlético. Em Belo Horizonte, a diferença está na margem de erro, mas, nem mesmo em relação à capital, o Atlético pode dizer que possui mais torcedores do que o Cruzeiro. Os cruzeirenses são 38%, enquanto os atleticanos somam 34%. Como, de acordo com o IBGE, Belo Horizonte possui hoje 2,4 milhões de habitantes, os cruzeirenses seriam cerca de 912 mil e os atleticanos cerca de 816 mil".

8.1.08

Gasto do governo com juros


Informações publicadas na edição de hoje do Valor Econômico:
  • "O setor público brasileiro gastou 6,30% do Produto Interno Bruto com o pagamento de juros em 2007, o menor percentual desde os 4,61% do PIB gastos em 1997 e bem menos do que os 9,66% do PIB despendidos nos 12 meses encerrados em agosto de 2003".
  • "Numa lista de 116 países com estimativa da agência de classificação de risco Standard & Poor's, os juros como proporção do PIB só são maiores na Jamaica (13,2% do PIB), Líbano (10,5% do PIB) e Turquia (7,7% do PIB)".
  • "Os elevados gastos com juros do Brasil se devem a dois fatores. Primeiro, o país tem uma dívida pública muito elevada, ainda que em queda como proporção do PIB. Em novembro de 2007, a dívida líquida do setor público equivalia a 42,6% do PIB, bem acima da média de 31,7% do PIB dos países classificados como BB+, BB e BB- pela S&P (o rating do Brasil é BB+). O endividamento tem caído como proporção do PIB, mas continua a aumentar em termos absolutos, já que o setor público brasileiro ainda tem déficit nominal, atualmente da ordem de 2% do PIB. O outro fator é a taxa básica de juros muito alta. Se descontada a inflação projetada para os próximos 12 meses, a taxa real de juros brasileira está em 6,7%".

3.1.08

Crescimento (falta de) - governo (II)

"Os gastos correntes do governo no Brasil estão muito acima dos padrões internacionais, de acordo com relatório do Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial. O ICP retirou dos gastos públicos aqueles que, como educação, saúde ou transferências, beneficiam diretamente a um indivíduo. O que resta são as despesas 'coletivas' do governo com a sua máquina burocrática: polícia, justiça, defesa etc. Quando se leva em conta apenas esses dispêndios, as sociais-democracias européias gastam relativamente pouco. Por exemplo, a Suécia emprega somente 9% do seu PIB nessas despesas coletivas. Em muitos casos, os países que exibem uma maior fração de gastos coletivos são aqueles que têm dispêndios militares importantes, como a China (20%), Israel (16%) ou Taiwan (16%). Uma exceção, infelizmente, é o Brasil, onde esses itens consomem 19% do PIB" (José Alexandre Scheinkman, Folha de São Paulo - 30 de dezembro de 2007).

"Embora o PIB brasileiro corresponda a 2,9% do PIB global, o gasto do governo na provisão de serviços públicos equivale a 5% do total mundial, segundo o ICP. Somos o décimo maior PIB, mas o quarto maior gasto. Quando consideramos apenas os países com PIB acima de US$ 100 bilhões em 2005, o Brasil é o segundo colocado em termos de gastos com relação ao PIB, perdendo somente para a China, cujo dispêndio militar é muito superior ao nosso. Na América do Sul, excetuado o Brasil, o gasto médio é 11% do PIB; no Brasil, 19% do PIB. Números assim deveriam sepultar de vez teses esdrúxulas sobre o 'raquitismo' estatal brasileiro. A má qualidade dos serviços públicos não resulta de pouco gasto, mas da baixa produtividade" (Alexandre Schwartzman, Folha de São Paulo - 26 de dezembro de 2007).

Ranking do futebol mundial (I)

A par do ranking do futebol brasileiro, objeto de uma postagem anterior, a Folha de São Paulo elabora também anualmente um ranking do futebol mundial.

Na versão 2007 deste ranking, os clubes brasileiros melhor classificados foram São Paulo (6º lugar), Santos (17º lugar), Grêmio (20º lugar) e Cruzeiro (21º lugar).

Logo depois do TP Mazembe (Congo), Alajuelense (Costa Rica), Transvaal (Suriname) e Deportivo Saprissa (Costa Rica), aparece, em 80º lugar, o CAM, time a que repetidamente temos prestado homenagem neste blog.

1.1.08

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (II) - ranking dos países


(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).

A tabela acima mostra a participação das 10 maiores economias nacionais no PIB mundial. A fonte dos dados é o Programa de Comparações Internacionais (ICP), coordenado pelo Banco Mundial.

Os 10 países listados respondem por 64% do PIB e 56% da população mundial.

A economia americana sozinha concentra 22,5% do PIB global, apresentando uma renda per capita quase cinco vezes maior do que a média mundial.

O grupo de grandes economias desenvolvidas formado por Japão, Alemanha, Reino Unido, França e Itália tem renda per capita no intervalo entre dois terços e três quartos da renda americana.

O Brasil é, no sentido mais estrito da expressão, um país de renda média. Respondendo por 3% tanto do PIB como da população mundial, possui uma renda per capita praticamente igual à média dos 146 países pesquisados pelo ICP e equivalente a 21% da renda americana.

China e Índia, apesar de concentrarem juntas 14% do PIB mundial, são países ainda bastante pobres, com rendas per capita correspondentes a 10% e 5%, respectivamente, da renda dos Estados Unidos.

31.12.07

Distribuição geográfica do PIB mundial - 2005 (I)


(Informações atualizadas sobre a distribuição geográfica do PIB mundial, relativas ao ano de 2008, estão disponíveis aqui).

Em meados de dezembro, o Programa de Comparações Internacionais (ICP), projeto coordenado pelo Banco Mundial, divulgou novas estimativas do valor em dólares americanos do PIB de 146 países, obtidas a partir de taxas de câmbio baseadas no conceito de paridade do poder de compra (PPC).

Taxas de câmbio PPC, por atribuírem ao dólar o mesmo valor de compra em todos os países, possibilitam que se compare de maneira apropriada o produto das diferentes economias nacionais.

Os principais resultados do ICP são resumidos abaixo.
  • O PIB mundial alcançou o valor de 55 trilhões de dólares em 2005 - ano base do ICP. O PIB per capita mundial, dada a população de 6,13 bilhões de pessoas, foi de 8 972 dólares.
  • Perto de dois terços da produção da economia mundial estão concentrados nos 37 países europeus e nos 9 membros não europeus da OCDE. Dado que esses países respondem por apenas um quinto da população do mundo, sua renda per capita equivale a mais do que o triplo da média mundial, como mostra a tabela acima.
  • A renda per capita da Europa + OCDE é 14 vezes maior do que a da África, a região mais pobre do mundo.
  • A América do Sul e a Comunidade de Estados Independentes - CEI (formada por membros da ex-URSS) têm renda per capita próxima da média mundial.
  • A necessidade de se utilizar taxas de câmbio PPC em comparações internacionais é evidenciada pelos dados da última coluna da tabela. O nível de preços em dólares na África, Ásia / Pacífico, CEI e América do Sul é metade ou menos do nível de preços observado nos Estados Unidos, quando taxas de câmbio de mercado são utilizadas para converter os preços naquelas regiões para dólares.

30.12.07

Crescimento (falta de) - governo (I)

Celso Martone examina, na edição de dezembro do Boletim de Informações da FIPE-USP, as falhas institucionais que levam à hipertrofia e disfunção do setor público no Brasil, uma das principais causas, segundo o autor, das baixas taxas de crescimento econômico observadas no país, desde o início da década de 80.

Causas da Grande Depressão (I)

As causas da Grande Depressão de 1929 são discutidas por Vanessa Sumo, em artigo publicado em Region Focus, a revista do Federal Reserve Bank of Richmond.

O artigo mostra que, em quase oito décadas de debate, os economistas não alcançaram um consenso sobre os determinantes da Grande Depressão, o que, para a autora, é um reflexo de divergências mais gerais quanto à origem das flutuações macroeconômicas.

23.12.07

Ranking do futebol brasileiro (I)

A Folha de São Paulo publicou, na sua edição de hoje, um ranking dos times de futebol brasileiros, baseado no desempenho histórico dos clubes em campeonatos estaduais, regionais, nacionais e internacionais.

Aparecem entre os Top Ten, nesta ordem, São Paulo, Flamengo, Palmeiras, Corinthians, Santos, Vasco, Cruzeiro, Grêmio, Internacional e Fluminense. A competição, como se vê, não faz parte desta liga.

O líder do ranking, São Paulo, somou 881 pontos, enquanto o Cruzeiro alcançou 643 pontos.

A distância entre Cruzeiro e CAM é de 164 pontos, o equivalente à pontuação de 4 Mundiais Interclubes da FIFA ou de 23 campeonatos mineiros.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - resoluções de ano novo

Além de recomendações sobre como melhor presentear (ver postagem anterior), a teoria econômica tem também lições a oferecer no que diz respeito a resoluções de ano novo, como mostra Tim Harford, em sua coluna The Undercover Economist, publicada em Slate.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - como presentear com eficiência

Para quem ainda está em dúvida sobre como presentear, Surowiecki, Dubner e Levitt e Harford têm algumas sugestões.

15.12.07

Direita e esquerda

Greg Mankiw explica, nesta postagem do seu blog, em que consistem as diferenças de opinião sobre política econômica entre economistas "de direita" e "de esquerda".

A classificação se refere a economistas que, pelo menos, leram até o fim e entenderam o manual de introdução e, portanto, não se aplica a todos os portadores de diploma do lado de baixo do Equador (ou ao sul do Rio Grande).

9.12.07

Crescimento (falta de) - poupança

Da coluna de Armando Castelar Pinheiro, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
  • "A recuperação da formação bruta de capital fixo no último biênio, no Brasil, foi notável: um aumento médio anual de 9,4%, incrementando a taxa de investimento, a preços constantes de 2006, em 0,9% do PIB ao ano. Mantido o ritmo atual de expansão do investimento, em cerca de cinco anos o potencial de crescimento sustentado aumentará em um ponto percentual, para uma taxa entre 4,5% e 5% ao ano, o dobro do crescimento médio efetivo no último quarto de século".
  • "A nossa taxa de poupança, baixa e cadente, é, porém, um grande limitante à aceleração do crescimento no Brasil. Em 2005, ela caiu para apenas 17,3% do PIB, cerca de quatro pontos percentuais abaixo da média latino americana e muito menos que a registrada nos países asiáticos de alto crescimento. Em 2006 e 2007 ela deve ter diminuído ainda mais".
  • "Nos próximos anos, o consumo das famílias se expandirá cerca de 6% a 6,5% ao ano, turbinado pelo aumento do crédito e da massa salarial, assim como pela maior estabilidade macroeconômica, inclusive a queda do desemprego".
  • "O governo tem enfatizado a necessidade de novas contratações e do aumento do gasto corrente, de forma que o consumo do governo não deve cair abaixo dos 20% do PIB, patamar em que se mantém desde 1995".
  • "Dadas as taxas acima de crescimento do consumo privado e público e do investimento e mantidos os termos de troca no patamar atual, relativamente elevado em termos históricos, conclui-se que em 2011 o Brasil terá um déficit em conta corrente de 6,4% do PIB, com uma taxa de poupança bruta de 14,4% do PIB, semelhante à observada em 2000-02".
  • "Um cenário de aumento simultâneo da taxa de investimento e do consumo, como se projeta para o Brasil, tem como corolário déficits crescentes em conta corrente, começando já em 2008. Em algum momento, a expansão será interrompida por uma crise de financiamento externo, como outras vezes no passado".
  • "Ou se começa já a promover um aumento da poupança nacional, o que passa em especial pela elevação da poupança pública, ou não há como falar em uma trajetória de crescimento alto e sustentado no longo prazo".

Seleção natural e revolução industrial (III)

Mais duas resenhas do livro "A Farewell to Alms", de Gregory Clark:
  • de Benjamin Friedman, publicada na edição de hoje do New York Times (acesso gratuito).
  • de Robert Solow, publicada na edição de 22 de novembro da New York Review of Books (acesso ao custo de 3 dólares).
O livro já foi objeto de outras postagens neste blog - em 7 de agosto e 18 de agosto.

8.12.07

Crescimento (falta de) - educação (V)


Informações sobre o desempenho dos estudantes brasileiros no PISA 2006.


O que é o PISA

  • O objetivo do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (PISA), conduzido pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), é comparar o desempenho dos países na educação. Para isso, são aplicados, a cada três anos, testes a alunos de 15 anos nas nações que participam do programa.
  • O PISA analisou as habilidades de mais de 400 mil alunos em 57 países (30 membros da OCDE e 27 participantes voluntários, entre os quais o Brasil), em 2006.
  • A média dos alunos da OCDE foi de 498 pontos em matemática, 492 pontos em leitura e 500 pontos em ciências, no PISA 2006. Os países com média mais alta foram, respectivamente, Taiwan (549 pontos), Coréia (556 pontos) e Finlândia (563 pontos).

Desempenho dos estudantes brasileiros

  • No Brasil, fizeram o teste 9.295 alunos de 7ª ou 8ª série de 625 escolas públicas e privadas, situadas em 390 cidades.O Brasil obteve a 53ª posição em matemática, a 52ª em ciências e a 48ª em leitura, em 2006.
  • As notas brasileiras nas três últimas versões do teste são mostradas no quadro acima, publicado no jornal Valor Economico. Comparando o desempenho do Brasil nos exames de 2003 e 2006, a nota piorou em leitura, ficou estável em ciências e melhorou em matemática.
  • A maioria dos estudantes brasileiros não ultrapassa o menor nível de aprendizado nas disciplinas testadas. Numa escala que vai até seis, 73% dos brasileiros estão situados no nível um ou abaixo disso em matemática. Em ciências, essa proporção é de 61%. Na prova de leitura, para a qual a escala vai até cinco, 56% dos alunos brasileiros não conseguiram ultrapassar o nível um.
  • Na comparação envolvendo apenas os 5% melhores alunos de cada país participante, a posição do Brasil é a 51ª em ciências, a 45ª em leitura e a 53ª em matemática. Considerando os 5% piores alunos, a posição do Brasil é a 55ª em ciências, a 51ª em leitura e a 55ª em matemática.
  • Apesar de o Brasil apresentar uma das maiores desigualdades na distribuição das notas dos alunos, essa diferença diminuiu, de 2003 para 2006. A média dos estudantes que estavam entre os 5% piores teve ganho de 23 pontos em matemática e de 11 pontos em leitura. Entre os que estavam entre os 5% melhores, a média variou apenas 2 pontos em matemática e teve queda de 19 pontos em leitura.
  • O Brasil apresenta a maior distância no desempenho de escolas públicas e privadas, mas não ganha número significativo de posições no ranking quando só as particulares são consideradas.

Curva de Phillips - literatura recente

Richard Dennis discute a literatura recente relativa à Curva de Phillips Novo-Keynesiana, em uma Economic Letter do Federal Reserve Bank of San Francisco, publicada no final de novembro.

1.12.07

Retorno da educação no Brasil

Da coluna de Naércio Menezes, na edição do Valor Econômico deste fim de semana:
  • "Em 1981, o brasileiro típico (mediano) com mais de 25 anos de idade ganhava R$ 542 por mês (a preços de 2006), no seu trabalho principal. Em 1993, no auge do período inflacionário, o salário mediano era de apenas R$ 395. Já em 2006, o salário mensal do indivíduo típico atingiu o patamar de R$ 500 por mês. Se considerarmos os valores médios, ao invés de medianos, o salário era de R$ 996 mensais em 1981, R$ 789 em 1993 e R$ 947 em 2006. Assim, os salários em 2006 estavam próximos, mas ainda não haviam alcançado o valor vigente em 1981".
  • "O grupo de trabalhadores que mais sofreu perdas, entre 1981 e 2006, foram os trabalhadores com ensino médio. A oferta destes trabalhadores passou de 8% para 23% do total nos últimos 25 anos, o que fez com que eles se tornassem relativamente abundantes no mercado de trabalho, sem que tivesse havido um aumento das ocupações compatíveis com seu nível de escolaridade. Como resultado, seu salário relativo caiu e sua taxa de desemprego aumentou. Mesmo assim, o salário deste grupo é em média 76% maior do que o salário dos trabalhadores com ensino fundamental ou menos. Ainda vale a pena concluir o ensino médio".
  • "A grande diferença salarial está no ensino superior. As pessoas que chegam à faculdade têm em média uma remuneração 150% maior do que as que param no ensino médio (R$ 2.414 versus R$ 947 em 2006), diferencial que cresceu em relação a 1981, quando era de cerca de 100%. Este diferencial médio abarca os alunos de todas as faculdades públicas e privadas do país. O retorno para os alunos de cursos de boa qualidade é muito maior".
  • "Os dados estão dizendo que o mercado está precisando cada vez mais de trabalhadores com ensino superior e cada vez menos de trabalhadores que tenham apenas o ensino médio. Isto explica a proliferação de matrículas no ensino superior privado na última década, que passou de 1 milhão em 1993 para mais de três milhões em 2005. O mercado transmite o sinal e as pessoas reagem a ele".

24.11.07

História da desigualdade

A desigualdade de renda e de expectativa de vida é um resultado da Revolução Industrial ou o grau de desigualdade nas sociedades pré-industriais era similar ao que se verifica nas sociedades modernas?

Em princípio, se esperaria encontrar mais desigualdade nas sociedades modernas porque a renda pode ser mais concentrada em sociedades mais ricas sem levar os pobres à morte por inanição.

Esta questão foi examinada por Branko Milanovic, Peter Lindert e Jeffrey Williamson em um NBER Working Paper publicado em outubro.

Os resultados reportados no artigo são resumidos na coluna The Undercover Economist, postada hoje em Slate.

18.11.07

Efeitos da pena de morte

A evidência econométrica recente relativa aos efeitos da aplicação da pena de morte sobre o número e a taxa de homicídios nos Estados Unidos é discutida em artigo publicado na edição de hoje do New York Times.

16.11.07

Entrevista com Paul Romer

Paul Romer conversa sobre crescimento econômico com Russel Roberts, nesta entrevista para The Library of Economics and History. Para ouvir o podcast da entrevista, use este link.

4.11.07

Crescimento (falta de) - competitividade (III)

O Brasil aparece na 72ª colocação no ranking de 131 países do Relatório Global de Competitividade, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial.

A lista é liderada pelos EUA, Suíça e Dinamarca. O Brasil ficou atrás de vários países latino-americanos - Chile (26ª), México (52ª) e Colômbia (69ª) - e emergentes - China (34ª), Índia (48ª) e Turquia (53ª colocação).

A competitividade brasileira continua a ser prejudicada por juros altos, elevada carga tributária, gasto público ineficiente, burocracia excessiva, deficiências na infra-estrutura e na educação e falta de confiança nas instituições públicas, seja pela corrupção, seja pela morosidade.

Estudo de caso para alunos de microeconomia - incidência dos impostos

Da coluna de José Alexandre Scheinkman, na edição de hoje da Folha de São Paulo:

"Li com grande surpresa que o ministro da Fazenda declarou que 80% ou 90% dos brasileiros não pagarão a CPMF. Afinal, desde o século 18, os economistas entendem que há uma diferença entre quem entrega o imposto devido ao fisco e quem efetivamente arca com o custo do tributo. Há uma extensa literatura que avalia o impacto de impostos no aumento dos preços pagos pelos consumidores, na queda dos salários dos trabalhadores ou na diminuição do rendimento de outros fatores de produção. Um exemplo interessante é a contribuição previdenciária nos Estados Unidos, que é, em princípio, dividida igualmente entre empregado e empregador. Estudos empíricos demonstram, no entanto, que a parcela das empresas é na realidade paga em boa parte pelos trabalhadores, na forma de salários mais baixos. Não conheço trabalhos sobre a verdadeira incidência da CPMF no Brasil, mas como muitos outros impostos indiretos, é provável que ela incida sobre todas as faixas de renda".


Scheinkman sugere a respeito a leitura do artigo "Tax Incidence", de Don Fullerton e Gilbert Metcalf, que está disponível na serie de working papers da NBER.

O ministro Mantega pode, entretanto, encontrar uma exposição bem mais acessível deste tema no manual de Introdução à Economia de N. Gregory Mankiw - capítulo 6, páginas 124-130 - tradução da 3a. edição americana.

O problema da incidência dos impostos é bem conhecido dos alunos de Economia I, sempre que teoria econômica é, de fato, ensinada nesta disciplina, o que no Brasil, como se sabe e a desinformação do ministro economista ilustra, não acontece necessariamente.